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O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, descartou nesta segunda-feira (27) a proposta apresentada pelo Irã para reabrir o Estreito de Ormuz. Em entrevista à Fox News, ele acusou Teerã de querer transformar a via internacional em uma rota控制ada pelos iranianos.
Rubio foi direto ao comentar a oferta iraniana:
“Se com ‘abrir o estreito’ querem dizer que sim, que o estreito está aberto sempre que coordenem com o Irã, obtenham nossa permissão ou os faremos voar pelos ares e nos paguem, isso não é abrir o estreito.”
O que o Irã propôs
A proposta foi transmitida pelos iranianos a mediadores paquistaneses durante a visita do chanceler Abbas Araqchi a Islamabad no fim de semana. Segundo o portal Axios, o Irã sugeriu:
Em troca, os iranianos queriam que os EUA suspendessem o bloqueio naval aos portos iranianos. As negociações sobre o programa nuclear iraniano ficariam para depois.
Por que os EUA rejeitaram
Rubio afirmou que os Estados Unidos não podem aceitar que o Irã decida quem pode usar uma via marítima internacional e quanto cobrar por isso.
Ele também disse que o programa nuclear iraniano continua sendo o ponto central do conflito:
“Não me cabe dúvida de que, se este regime clerical radical seguir no poder no Irã, em algum momento decidirão que querem uma arma nuclear. Essa questão fundamental ainda deve ser abordada. Continua sendo o tema central.”
Questionado se acreditava que os iranianos estavam falando sério sobre um acordo, Rubio respondeu que eles são “negociadores hábeis” que tentam ganhar tempo:
“Não podemos permitir que se saiam com a sua. Devemos garantir que qualquer acordo alcançado os impeça definitivamente de avançar rumo a uma arma nuclear em qualquer momento.”
O papel de Trump
No fim de semana, o presidente Donald Trump cancelou a viagem de seus enviados – Steve Witkoff e Jared Kushner – a Islamabad, onde haveria nova rodada de negociações.
Horas depois do cancelamento, Trump afirmou que o Irã enviou uma proposta “muito melhor”, mas não deu detalhes. O presidente reiterou que qualquer acordo permanente precisará incluir o desmantelamento do programa nuclear iraniano – condição que o Irã rejeita.
O chanceler iraniano foi à Rússia
Araqchi deixou o Paquistão sem esperar os enviados americanos. Ele viajou para Omã e depois seguiu para São Petersburgo, onde se reuniu com o presidente russo, Vladimir Putin, nesta segunda-feira.
Segundo a agência estatal IRNA, o chanceler disse:
“É uma boa oportunidade para consultar com nossos amigos russos sobre os desenvolvimentos ocorridos durante este período.”
Rússia e China são os principais aliados do Irã e rejeitaram as sanções que os EUA impuseram a empresas que compram petróleo iraniano.
Impacto do fechamento do estreito
O Estreito de Ormuz permanece efetivamente fechado desde o início do conflito, em 28 de fevereiro. Pelo corredor passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializado no mundo.
O fechamento disparou os preços dos combustíveis e afetou a inflação nos Estados Unidos e em outros países dependentes da rota.
O comando militar dos EUA na região (CENTCOM) informou que suas forças impediram a passagem de 38 embarcações no estreito como parte do bloqueio naval ordenado por Trump. O bloqueio se mantém mesmo com o cessar-fogo em vigor desde o início de abril.
Rubio critica novo líder supremo do Irã
Rubio também comentou a situação política interna do Irã. Ele chamou de “extremistas” os governantes do país e disse que eles têm “uma visão apocalítica do futuro”.
O secretário de Estado citou o novo líder supremo iraniano, o aiatolá Mojtaba Khamenei, de 56 anos, que assumiu após a morte de seu pai, Ali Khamenei, nos ataques de 28 de fevereiro:
“Agora que temos um líder supremo cuja credibilidade ainda não foi posta à prova, cujo acesso é questionável, que não se deixou ver publicamente, que não se pronunciou, que não ouvimos sua voz, acredito que isso também gera tensão no sistema.”
Mojtaba Khamenei não apareceu em público desde que foi designado como o terceiro líder supremo da República Islâmica, há mais de seis semanas. Suas declarações têm sido lidas na televisão ou publicadas em redes sociais.