Entre nos nossos canais do Telegram e WhatsApp para notícias em primeira mão.
Telegram: [link do Telegram] WhatsApp: [link do WhatsApp]
O presidente do Parlamento do Irã e principal negociador nas conversas com Washington, Mohammad Baqer Qalibaf, elevou o tom contra os Estados Unidos nesta segunda-feira (20) ao afirmar que o país está preparado para intensificar ações militares caso as pressões contra Teerã continuem.
Em mensagem publicada nas redes sociais, Qalibaf afirmou que o Irã não aceita negociar sob ameaças.
“Não aceitamos negociações sob a sombra da ameaça”, declarou.
Segundo ele, a administração do presidente Donald Trump estaria tentando impor condições às negociações por meio de pressão econômica e militar.
“Trump quer, por meio da imposição de um bloqueio e da violação do cessar-fogo, transformar esta mesa de negociação em uma mesa de rendição a seu bel-prazer”, afirmou o parlamentar iraniano.
No mesmo comunicado, Qalibaf disse ainda que o país vem se preparando para uma possível escalada do conflito na região.
“Nas últimas duas semanas, nos preparamos para revelar novas cartas no campo de batalha”, acrescentou.
As declarações ocorrem em um momento de forte tensão entre os dois países, com o cessar-fogo próximo do fim e sem avanços concretos nas negociações. O Irã não confirmou participação em uma nova rodada de diálogo prevista para ocorrer no Paquistão e tem questionado a postura dos Estados Unidos.
Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano afirmou que ainda não há decisão sobre o próximo encontro.
“Não temos planos para a próxima rodada de negociações e nenhuma decisão foi tomada nesse sentido”, disse.
O porta-voz também acusou Washington de não demonstrar comprometimento com uma solução diplomática.
“Está adotando comportamentos que não indicam seriedade na busca por um processo de negociação”, afirmou.
Enquanto isso, o presidente Donald Trump defendeu a manutenção da política de pressão sobre o Irã e reiterou que o bloqueio econômico e marítimo continuará até que haja um acordo. Segundo ele, as medidas estão afetando fortemente a economia iraniana e não haverá flexibilização sem concessões concretas.
Um dos principais pontos de tensão segue sendo o estreito de Ormuz, uma rota estratégica para o transporte global de petróleo. As restrições na região têm causado preocupação internacional e volatilidade nos mercados de energia.
O bloqueio imposto pelos Estados Unidos busca reduzir as exportações de petróleo iraniano, principal fonte de receita do país. Em resposta, o Irã acusa Washington de ações hostis, incluindo a apreensão de embarcações e restrições ao comércio marítimo.
Autoridades iranianas também alertaram que embarcações que transitarem pela região sem autorização podem ser consideradas alvos. Além disso, foram relatados movimentos de drones próximos a navios militares dos Estados Unidos.
O programa nuclear iraniano também permanece no centro da disputa. Washington defende limites rígidos, especialmente sobre o enriquecimento de urânio, enquanto Teerã rejeita qualquer possibilidade de transferência de material nuclear.
“Nunca foi uma opção”, afirmou a diplomacia iraniana.
Em meio às trocas de acusações e à escalada das ameaças, a possibilidade de avanço diplomático segue incerta, mantendo a região em alerta constante.