Apenas 16 navios atravessaram o Estreito de Ormuz nesta segunda-feira (20), enquanto capitães e proprietários de navios permanecem cautelosos diante do cessar-fogo entre os EUA e o Irã.
Nove navios entraram no estreito na segunda-feira, incluindo duas embarcações com bandeira iraniana, uma das quais era um petroleiro, de acordo com dados do MarineTraffic.com. Enquanto isso, sete embarcações saíram, incluindo um navio cargueiro com bandeira iraniana.
A CNN não pôde verificar de forma independente os dados exibidos em sites como o MarineTraffic.com, e os dados de navegação nem sempre fornecem um panorama completo do número de navios que navegam pelo estreito, alguns navios podem desligar seus transponders e outros podem estar sujeitos a falsificação, alterando seus sinais para mascarar sua localização.
Na manhã desta segunda-feira, o CENTCOM (Comando Central dos EUA) afirmou que as forças americanas “ordenaram que 27 embarcações dessem meia-volta ou retornassem a um porto iraniano” desde o início do bloqueio americano aos portos do Irã na semana passada.
Prazo para o cessar-fogo
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta segunda-feira que considera o cessar-fogo com o Irã encerrado na “noite de quarta-feira (22), horário de Washington”, mas que é “altamente improvável” que o estenda caso um acordo não seja alcançado.
“É altamente improvável que eu o estenda”, disse Trump à agência Bloomberg em uma entrevista por telefone. O cessar-fogo estava originalmente previsto para durar duas semanas e começou na noite de 7 de abril.
“Não vou me precipitar em fechar um mau acordo. Temos todo o tempo do mundo”, continuou o presidente na conversa.
Quando questionado se esperava que os combates recomeçassem imediatamente caso não chegassem a um acordo, o líder americano respondeu: “Se não houver acordo, certamente esperaria que sim”.
Anteriormente, Trump havia demonstrado hesitação em relação à prorrogação do cessar-fogo.
Tensões na região
O Irã ameaçou retaliar os EUA após forças americanas atacarem e apreenderem um navio cargueiro de bandeira iraniana no Golfo de Omã, neste domingo (19).
A ação foi inicialmente divulgada pelo presidente americano, Donald Trump, que afirmou que a embarcação tentou furar o bloqueio naval americano.
“Hoje, um navio cargueiro de bandeira iraniana chamado TOUSKA, com quase 275 metros de comprimento e pesando quase tanto quanto um porta-aviões, tentou ultrapassar nosso bloqueio naval, e não deu certo para eles”, afirmou Trump em uma publicação na rede social Truth Social.
“O destróier de mísseis guiados da Marinha dos EUA, USS SPRUANCE, interceptou o TOUSKA no Golfo de Omã e os advertiu para que parassem. A tripulação iraniana se recusou a obedecer, então nosso navio da Marinha os deteve imediatamente, abrindo um buraco na casa de máquinas. Neste momento, os fuzileiros navais dos EUA estão sob custódia do navio”, acrescentou o presidente americano.
O CENTCOM (Comando Central dos EUA) confirmou a operação em nota, afirmando que a embarcação ignorou avisos por cerca de seis horas antes da intervenção.
De acordo com o comunicado, o destróier “desativou a propulsão do Touska” após disparos direcionados à casa de máquinas. Ainda segundo o comando, desde o início do bloqueio, 25 navios comerciais foram obrigados a recuar ou retornar a portos iranianos.
O principal comando militar do Irã, Khatam al-Anbiya, acusou os EUA de violarem o cessar-fogo vigente e classificou a ação como “pirataria armada”.
“Advertimos que as Forças Armadas da República Islâmica do Irã responderão em breve e retaliarão”, afirmou um porta-voz, segundo a mídia estatal iraniana.