A NASA e o mundo vivem momentos de pura ansiedade nesta noite. Os astronautas da missão Artemis II estão prestes a entrar em uma “zona morta” do espaço profundo, o que cortará qualquer contato com a Terra por aproximadamente uma hora.
O blecaute de comunicações ocorrerá enquanto Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e o canadense Jeremy Hansen viajam a uma distância de 406.772 quilômetros (aproximadamente 406.800 quilômetros.) da Terra. O voo rasante pela Lua colocará a tripulação a mais de 6.400 quilômetros além do recorde estabelecido pela histórica — e dramática — missão Apollo 13, em 1970.
O momento crítico deve começar por volta das 20h45 (horário de Brasília). À medida que a cápsula Orion orbita o satélite, a própria massa da Lua bloqueará os sinais de rádio entre a nave e o controle da missão em Houston.
Nesse intervalo, os quatro exploradores estarão mais isolados do que qualquer ser humano na história. Se algo der errado durante esse período repleto de riscos, não haverá como alertar a base na Terra ou receber instruções de emergência.
Darryl Seligman, professor de astronomia da Michigan State University, descreve o momento como “angustiante”. “Estou totalmente maravilhado com a bravura dos astronautas da Artemis II”, afirmou o especialista ao jornal The New York Post, embora ressalte estar confiante de que tudo correrá bem.
O sentimento de isolamento não é novo, mas nunca foi sentido a essa distância. Em 1969, Michael Collins, que orbitou a Lua no módulo de comando da Apollo 11 enquanto Neil Armstrong e Buzz Aldrin exploravam a superfície, relatou ter se sentido “verdadeiramente sozinho” durante os 48 minutos em que ficou sem contato.
Para o piloto da Artemis II, Victor Glover, esse silêncio deve ser visto como uma oportunidade de união para quem ficou na Terra. “Enquanto estivermos atrás da Lua, sem contato com ninguém, vamos aproveitar para rezar, torcer e enviar bons pensamentos para que o contato seja retomado”, disse Glover à BBC antes da viagem.
Apesar do perigo, a recompensa visual será histórica. Por volta das 21h05 (Brasília), a tripulação terá uma visão nunca antes contemplada por olhos humanos: o lado oculto da Lua totalmente iluminado. Diferente das missões Apollo, que passaram pela região sob sombras, os astronautas da Artemis II verão o relevo lunar em todo o seu esplendor.
No último fim de semana, a tripulação já registrou imagens da bacia Orientale, uma cratera de impacto gigante com quase mil quilômetros de diâmetro. “Esta missão marca a primeira vez que toda a bacia é vista diretamente por olhos humanos”, celebrou a NASA em suas redes sociais.
A Artemis II é o teste final para o retorno dos humanos à superfície lunar. Se este “ensaio geral” for bem-sucedido, a NASA pavimentará o caminho para o pouso real, planejado para 2028 com a missão Artemis IV. Por ora, resta ao mundo esperar que o silêncio termine e a voz dos astronautas volte a ecoar nas caixas de som de Houston.