Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Pela primeira vez desde 1972, uma missão tripulada será lançada rumo à Lua, com o objetivo de investigar sua superfície e avançar pesquisas científicas para futuras viagens. A missão Artemis II deverá orbitar o satélite a cerca de 8 mil quilômetros de distância, fazendo com que, à vista dos astronautas, ele pareça ter o tamanho de uma bola de basquete.
A Artemis II será a primeira missão tripulada rumo à Lua, levando quatro astronautas em uma jornada de 10 dias para orbitar o corpo celeste. A tripulação é composta por Reid Wiseman (comandante), Victor Glover (piloto), Christina Hammock Koch e Jeremy Hansen (especialistas da missão), que irão explorar o território em busca de descobertas científicas, benefícios econômicos e desempenho dos sistemas de suporte à vida.
O lançamento do foguete Space Lauch System (SLS) e da espaçonave Orion acontecerá no Centro Espacial Kennedy da NASA, na Flórida, nesta quarta-feira (1º). A viagem de ida deve levar aproximadamente quatro dias, rumo ao lado oculto da Lua, região em que a tripulação perderá comunicação com a terra por um período de 30 a 50 minutos.
A missão estava prevista para fevereiro de 2026, porém precisou ser adiada devido a problemas técnicos, incluindo vazamento de hidrogênio — que, por ser um produto altamente inflamável, aumenta o risco de explosão — e interrupção do fluxo de hélio para o estágio superior do foguete SLS, o que prejudica sistemas de pressurização dos tanques de combustível.
Se bem-sucedida, a missão abre portas para a Artemis III, que mira levar astronautas para o solo lunar até 2030. Até o momento, o programa envolveu milhares de pessoas e teve custo estimado de US$ 93 bilhões.
As Missões Apollo: Onde tudo começou
Quando Neil Armstrong colocou os pés em solo lunar, em 1969, durante a missão Apolo 11, ele sequer sabia se voltaria de lá com vida. Até então, nenhum homem fora capaz de fazê-lo, e o custo dos testes foi alto: a Apollo 1, primeira missão tripulada do programa, resultou na morte dos três astronautas a bordo após um incêndio durante um treinamento para o lançamento, em 1967.
Os computadores que estavam dentro da nave possuíam cerca de 4kb de memória RAM, capacidade equivalente a de um controle remoto simples, e eram utilizados para calcular trajetórias espaciais e enviar os dados por telemetria para a Terra.
Três anos depois, os EUA realizavam sua sexta e última missão tripulada do programa Apollo da NASA. Os astronautas Eugene Cernan e Harrison Schimitt foram os últimos a caminhar em território lunar, onde ficaram por 75 horas e recolheram mais de 100 kg de amostras de solo e rochas.
O valor elevado das missões, que correspondia a 4% dos gastos federais anuais nos EUA, levou a um redirecionamento de rotas: cortes orçamentários do Congresso aceleraram o fim do programa Apollo, e as prioridades da NASA se voltaram para a criação de um ônibus espacial e da Estação Espacial Internacional (ISS).
Na época, o único objetivo dos EUA era vencer a corrida espacial travada com os russos, e isso já tinha sido alcançado. Não havia mais motivos para ficar. No entanto, 55 anos depois, essa realidade mudou: os planos para habitar a Lua e construir data centers de IA em seu território são mais reais que nunca.
Empresas interessadas nessa possibilidade, como a SpaceX e Lonestar, afirmam que as soluções de armazenamento de dados no espaço eliminam a necessidade de usar recursos terrestres como energia e água, além de representarem espaços mais confiáveis e seguros para armazenamento de dados. Segundo o Research and Market, a ideia deve atingir um valor de mercado de até US$ 11,3 bilhões nos próximos quatro anos.
O lançamento da Artemis II é apenas o primeiro passo para a exploração espacial: após a construção de uma base lunar permanente — algo que espera-se concluir ainda nesta década — o próximo grande objetivo é o Planeta Vermelho.
A corrida espacial
Meio século depois da chegada do homem à lua, a corrida espacial volta com força total, dessa vez protagonizada por Estados Unidos e China. O foco é o polo sul lunar que, segundo estudos, possuem crateras repletas de água congelada.
Em 2013, a potência chinesa realizou o primeiro pouso não tripulado na Lua desde os anos 70, com a sonda Chang’e 3, o que chamou atenção internacional. Em resposta, os EUA anunciaram o retorno de seu programa espacial para retomar missões humanas.
De um lado estão os Acordos Artemis, liderados pelos Estados Unidos e assinados por 61 países, incluindo Brasil. Do outro, a China avança com a Estação Internacional de Pesquisa Lunar, iniciativa desenvolvida em parceria com a Rússia e que já conta com a adesão de mais de 10 participantes.
A China espera, por meio da CMSA (Administração Espacial Nacional da China), levar o homem à Lua novamente até 2030, se consolidando como potência espacial. A ideia da NASA é a mesma.
A SpaceX, que neste ano redirecionou seu foco da colonização em Marte para a construção de uma cidade autossustentável na Lua, já realizou avanços significativos no tema, como a reutilização de foguetes. Mas a China não fica para trás: o país levou robôs e veículos de exploração para a Lua, além de ter sido responsável pelo primeiro pouso de uma sonda no lado oculto do satélite natural.
O post A Volta do Homem à Lua: Entenda Por Que Este 1º de Abril Pode Tornar-se Histórico apareceu primeiro em Forbes Brasil.