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Temor de Contaminação por Mineração Reacende Alerta para o Povo Waimiri Atroari no Amazonas

Quatro décadas após as primeiras acusações, o receio da contaminação do rio Alalaú por uma mineradora retorna para assombrar o povo Waimiri Atroari, no Amazonas. Akynamy, uma anciã da etnia, exemplifica a crescente apreensão: ela deixou de beber e banhar-se nas águas do rio que passa por sua aldeia, optando por um chuveiro alimentado por poço. “Tenho medo de me banhar no rio, está poluído, está sujo”, lamenta, expressando uma preocupação que se tornou comum entre os Kinja, como se autodenominam os Waimiri Atroari, vizinhos da Mineração Taboca, uma das maiores operações de mineração a céu aberto do Brasil.

Evidências de Contaminação Ameaçam Povo e Meio Ambiente

As preocupações da comunidade ganharam respaldo em agosto de 2025, quando um relatório da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI), elaborado pela startup de biotecnologia Aqua Viridi, foi encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF) no Amazonas. O documento revelou a presença de substâncias perigosas como chumbo, arsênio e outros elementos tóxicos em um córrego que deságua no rio Alalaú, principal via fluvial da Terra Indígena. Segundo o estudo, revisado pelo Repórter Brasil, esses contaminantes na água e nos sedimentos representam uma <b>”ameaça imediata”</b> tanto para a população Waimiri Atroari quanto para o ecossistema local. Diante dessas descobertas, o procurador federal Fernando Merloto Soave, de Manaus, confirmou que as informações da FUNAI <b>”comprovam um impacto tangível no território”</b>, levando o MPF a retomar uma investigação que já durava cinco anos sobre o possível envenenamento das terras indígenas pela atividade mineradora.

Mineração Taboca: Expansão e Pressão Sobre Terras Indígenas

A Mineração Taboca, em atividade desde 1982 no município de Presidente Figueiredo, Amazonas, consolidou-se como a maior produtora brasileira de estanho refinado, um metal essencial para cadeias de suprimentos de gigantes automotivas como Toyota e Tesla. Atualmente, a empresa extrai cassiterita – minério principal para o estanho –, além de tântalo e nióbio, e já explora a viabilidade de extrair terras raras, minerais altamente cobiçados pelos setores de tecnologia e defesa global. Em 2024, a Taboca foi adquirida pela China Nonferrous Metal Mining Group, uma empresa estatal. A busca por esses <b>”minerais críticos”</b>, impulsionada pela transição energética global, gera uma nova onda de demanda na Amazônia, aumentando a pressão sobre os Waimiri Atroari, cuja população já enfrentou um genocídio nos anos 1970 durante a construção da BR-174. Esse cenário de crescimento é evidente: em janeiro de 2026, a mineradora anunciou um investimento de US$ 100 milhões (equivalente a R$ 523 milhões) para duplicar sua produção de minerais no Amazonas, visando atender a essa demanda internacional.

O Impacto Direto na Sobrevivência e Cultura Indígena

Para o povo Waimiri Atroari, a contaminação do Alalaú não é apenas uma questão ambiental, mas uma ameaça existencial. Akynamy, moradora da aldeia Xará, às margens do Alalaú, sintetiza o temor: “Se os peixes se forem, nosso povo se vai”. A água do rio é vital para as mais de 95 aldeias no território indígena, com pelo menos 25 delas dependendo diretamente de suas águas para diversas atividades. Com uma população que ultrapassa 2.300 pessoas, a subsistência, cultura e saúde dos Waimiri Atroari estão intrinsecamente ligadas à pureza do Alalaú. A percepção de que a principal fonte de vida está comprometida gera insegurança alimentar, riscos à saúde e uma profunda desestruturação social.

A Posição da Mineração Taboca Diante das Acusações

Questionada pelo Repórter Brasil, a Mineração Taboca, por meio de seu escritório de comunicações, declarou manter um relacionamento de “diálogo, respeito e cooperação” com os Waimiri Atroari há anos. Em resposta à reabertura da investigação do MPF-AM sobre a contaminação da água, a empresa afirmou que, “até o momento, não há evidências que indiquem nexo de causalidade com nossas operações”. A mineradora também contestou a validade do relatório da Aqua Viridi, enviado pela FUNAI ao MPF, alegando que o estudo “apresenta lacunas metodológicas que comprometem a reprodutibilidade das informações, bem como inconsistências técnicas que justificam investigações adicionais antes que conclusões definitivas possam ser tiradas”.

O Desafio Entre Desenvolvimento e Preservação

O ressurgimento das denúncias de contaminação e a retomada da investigação do Ministério Público Federal colocam em xeque a coexistência entre a expansão da indústria mineradora e a preservação dos territórios e modos de vida indígenas na Amazônia. Enquanto a demanda global por minerais críticos impulsiona investimentos e crescimento econômico, o povo Waimiri Atroari enfrenta o desafio de proteger seu lar e sua cultura de impactos ambientais que se arrastam por décadas e, agora, são corroborados por novas evidências. O desfecho dessa investigação é crucial para definir o futuro do rio Alalaú e para garantir os direitos e a dignidade de um povo que há muito tempo luta pela sua sobrevivência em meio ao avanço da fronteira extrativista.

Fonte: https://reporterbrasil.org.br

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