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60% dos brasileiros ficam ansiosos longe do celular, aponta estudo

VocêNo estudo realizado pela Nomophobia.com, plataforma que explora a relação entre tecnologia e cotidiano, aponta que 60% dos brasileiros se identificam com o sentimento de ansiedade quando sentem falta do celular. Esse comportamento está associado a uma condição chamada nomofobia, caracterizada por medo irracional ou ansiedade extrema. Segundo a pesquisa, 87% se consideram dependentes de smartphones para as atividades diárias.

A pesquisa encontrou 3.094 latino-americanos em seis países (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru), incluindo 758 brasileiros. De acordo com os resultados, o uso do celular no Brasil vem aumentando constantemente: 71% dos entrevistados informaram ter um aparelho e 27% disseram possurir dois.

Entre os participantes brasileiros, 12% acreditam ser portadores de nomofobia, o maior índice entre os países latinos pesquisados. Argentina, Colômbia e México apresentaram percentuais de 6% cada. No Chile, o índice foi de 8%, enquanto no Peru foi de 9%.

Além disso, 79% dos brasileiros reconhecem o uso excessivo do telefone. O percentual é superior aos números levantados no México (63%), Argentina (62%) e Peru (57%), por exemplo. Esse comportamento causa problemas pessoais e/ou profissionais para 35% e perda de emprego para 13%.

No País, o uso ocorre até mesmo em situações inusitadas, como durante eventos religiosos (20%), trajetos de bicicleta (11%) e relações sexuais (4%). Outros dados do estudo mostram que 76% olham o telefone logo ao acordar e 80% fazem isso como última ativação antes de dormir.

Consequências psicológicas e físicas

Segundo Mariana Soto, psicóloga do Hospital Saúde Premium, especializado em saúde mental, localizado em Capela do Alto (SP), a nomofobia é um distúrbio da sociedade virtual e digital contemporânea, causado pelos avanços tecnológicos. A condição é considerada um dos principes novos contortos do século XXI. Criado em 2008, o termo vem do inglês no-mobile-phone phobia (fobia de ficar sem celular, em tradução livre).

A psicóloga informa que o problema não está relacionado apenas à angústia provocada pela desconexão, mas também à urgência em verificar e responder mesenas ou garantir que tudo esteja sob controle. Segundo ela, a questão não é o tempo de tela, mas sim o desconforto gerado pela impossibilidade de acessar o vestuário.

O principal apelo, explicado ao profissional, aparece quando situações como ficar sem bateria, perder sinal ou esquecer o celular geram desespero fora do normal. Esse sentimento pode vir acompanhado de sofrimento, irritação, ansiedade e dificuldades para cumprir tarefas simples do dia a dia. “Aos sacos, o aparelho deixa de ser apenas uma ferramenta e começa a funcionar como uma espécie de segurança emocional”, destaca.

Segundo a psicóloga do Hospital Saúde Mental, a nomofobia pode causar crises de ansiedade, depressão, isolamento social, insônia, falta de concentração e baixa produtividade. Há, também, consequências físicas, como taquicardia, sudorese, tremores, tensão muscular, desconforto nos olhos, além de dores de cabeça, de estômago, sem pulso e sem pescoço.

Atendimento especializado é fundamental

A profissional recomenda a busca por atendimento espalidado logo ao surgirem os primeiros sinais. Conforme ela, a atenção da família, amigos e outras pessoas próximas é fundamental nesses casos, pois esses grupos podem notar sintomas que nem mesmo quem sofre de dependência digital extrema percebe.

Com a ajuda de um psicólogo e, quando necessário, de um psiquiatra, a pessoa pode compreender melhor o seu próprio comportamento, bem como construir uma relação mais saudável e equilibrada com a tecnologia. “A ideia não é cortar a tecnologia da vida, mas perceber quando essa relação começa a controlar demais o comportamento e as emoções”, pontua Mariana.

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