Pesquisas apontam que dieta rica em peixes gordurosos, cerejas, azeite, verduras e nozes pode auxiliar no controle de doenças inflamatórias; especialistas alertam que alimentação não substitui tratamento médico.
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A inflamação crônica está associada a um maior risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e alguns distúrbios autoimunes. Dentro desse cenário, a alimentação pode desempenhar um papel relevante: cinco alimentos respaldados por especialistas e organismos internacionais concentram compostos associados a uma melhor resposta do organismo.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que as doenças não transmissíveis explicam a maior parte das mortes no mundo e que vários de seus fatores de risco estão relacionados a padrões de alimentação de baixa qualidade. Um artigo da EatingWell reuniu recomendações de reumatologistas sobre cinco grupos de alimentos que podem ajudar a reduzir a inflamação.
Peixes gordurosos
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Salmão, sardinha, cavala, arenque e anchova estão entre as principais fontes dietéticas de ômega-3 de cadeia longa. Segundo os National Institutes of Health (NIH) dos Estados Unidos, esses ácidos graxos participam de funções celulares e fazem parte de mediadores que intervêm na resposta inflamatória. A American Heart Association (AHA) aconselha consumir peixes, em especial variedades gordurosas, ao menos duas vezes por semana. Especialistas em reumatologia destacam que este grupo concentra parte da evidência mais consistente em pessoas com afeções inflamatórias, especialmente pela associação com menores níveis de marcadores como a proteína C reativa. A European Alliance of Associations for Rheumatology (EULAR) também incluiu diretrizes dietéticas saudáveis como apoio geral para pacientes com doenças reumáticas.
Cerejas ácidas
As cerejas, especialmente as variedades ácidas, contêm polifenóis e pigmentos naturais como as antocianinas. Segundo a Harvard T.H. Chan School of Public Health, esses compostos estão presentes em frutas e verduras de cores intensas e fazem parte de padrões dietéticos associados a uma melhor saúde metabólica e cardiovascular. O interesse por essa fruta também se estende à gota, um distúrbio relacionado ao metabolismo do ácido úrico. Reumatologistas destacam que as cerejas ácidas são um dos alimentos mais estudados em relação à redução de surtos nessa doença.
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Azeite de oliva extra virgem
O azeite de oliva extra virgem ocupa um lugar central no padrão mediterrâneo. A UNESCO reconheceu a dieta mediterrânea como patrimônio cultural imaterial, e a AHA a menciona entre os esquemas alimentares compatíveis com a prevenção cardiovascular. Reumatologistas consultados destacam que esse azeite contém compostos fenólicos, entre eles o oleocantal, investigado por sua relação com mecanismos biológicos vinculados à inflamação. A Fundação Dieta Mediterrânea e revisões científicas sobre esse padrão coincidem em que seu benefício não depende de um produto isolado, mas do conjunto habitual de vegetais, leguminosas, cereais integrais e peixes.
Verduras de folha verde
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Espinafre, couve, acelga, rúcula e couve-galega fornecem fibras, folato, vitamina K, carotenoides e outros micronutrientes. A FAO e a OMS recomendam aumentar a ingestão de frutas e verduras dentro de uma alimentação saudável. Os Centers for Disease Control and Prevention (CDC) dos Estados Unidos também incentivam sua incorporação habitual pela associação com menor risco de doenças crônicas. Especialistas apontam que as folhas verdes também podem favorecer a saúde intestinal. A World Gastroenterology Organisation sustenta que padrões alimentares ricos em vegetais e fibras contribuem para uma microbiota diversa, aspecto que a literatura científica associa à regulação imunológica e à integridade da barreira intestinal.
Nozes e sementes de linhaça
Nozes e sementes de linhaça fornecem ácido alfa-linolênico, uma forma vegetal de ômega-3, além de fibras e compostos fenólicos. Segundo os NIH, esse nutriente é um ácido graxo essencial, o que significa que o organismo não pode produzi-lo em quantidade suficiente e deve obtê-lo por meio da alimentação. A Academy of Nutrition and Dietetics identifica frutos secos e sementes como componentes habituais de dietas equilibradas. Reumatologistas valorizam esse grupo por sua densidade nutricional e pela facilidade de incorporação a refeições diárias como iogurte, saladas ou cereais.
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Alimentação como parte do tratamento
A OMS insiste em limitar produtos ultraprocessados, açúcares livres e gorduras de baixa qualidade, o que torna a inclusão de alimentos simples e pouco refinados relevante em qualquer estratégia alimentar. As recomendações dos especialistas incluem priorizar frutas, verduras, leguminosas, cereais integrais, frutos secos e gorduras insaturadas, além de reduzir ultraprocessados, açúcares livres e gorduras de baixa qualidade. É importante entender esses alimentos como parte de um padrão alimentar geral e não como soluções isoladas.
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