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Vorcaro sabia que seria preso e teve acesso antecipado a dados sigilosos e ao nome do juiz antes da prisão – Gazeta Brasil

Documentos tornados públicos após o ministro André Mendonça levantar o sigilo de 15 procedimentos indicam que o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, teve acesso antecipado a informações sob sigilo, incluindo o nome do juiz e de investigadores. A Polícia Federal considera “improvável” que a tentativa de deixar o país na véspera da operação tenha sido coincidência.

A Polícia Federal reuniu indícios de que o empresário sabia antecipadamente da investigação que resultou em sua prisão em novembro de 2025. Segundo a corporação, o banqueiro não apenas tinha conhecimento da existência do inquérito, mas também detinha detalhes sobre a condução do caso, incluindo a vara responsável, o nome do magistrado e de diversos membros da equipe de investigação.

As informações constam em um pedido de prorrogação do inquérito apresentado pela PF em novembro de 2025 e foram tornadas públicas após André Mendonça retirar o sigilo de procedimentos relacionados ao caso Master, a pedido do presidente do STF, Edson Fachin. Parte do material, contudo, permanece restrita devido a diligências ainda em andamento.

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Conhecimento antecipado e intenção de fuga

“Já foram consolidados indícios veementes de que o investigado, Daniel Bueno Vorcaro, soube de maneira antecipada e antes da deflagração não apenas o fato de existir investigação criminal em curso, mas também a vara, o nome do juiz que conduzia o feito, bem como o nome de diversos membros da equipe de investigação”, pontuou a delegada responsável pela apuração no documento.

Para a PF, o acesso prévio a esses dados reforçava a suspeita de que o investigado pretendia deixar o território nacional para evadir-se da aplicação da lei penal. O relatório ressalta que, embora o documento não aponte a origem exata do vazamento nem afirme que Vorcaro conhecia a data precisa da investida policial, a posse de informações protegidas por sigilo era evidente.

A cronologia reconstruída pela investigação

A apuração reconstitui os passos do banqueiro nos dias que antecederam a deflagração da Operação Compliance Zero:

  • 16 de novembro de 2025: Vorcaro registrou anotações questionando se determinada pessoa mantinha proximidade com o juiz federal Ricardo Soares Leite, responsável pelas medidas cautelares.

  • 17 de novembro (manhã): Às 7h28, recebeu mensagens consideradas urgentes de seu advogado, Walfrido Warde. Pouco mais de uma hora depois, indicou que organizaria um voo partindo de Congonhas.

  • Articulação com a imprensa e defesa: No mesmo dia, conversou com o jornalista Diego Escosteguy sobre uma reportagem a respeito de um inquérito na 10ª Vara Federal de Brasília e encaminhou o link a Warde. O advogado protocolou petição na vara citando a matéria jornalística para justificar o pedido de acesso aos autos sigilosos.

  • Atuação de servidores do BC: A PF destaca que Vorcaro manteve contatos estreitos com os funcionários do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, apontados como articuladores de interesses do Master. Ambos teriam considerado fundamental que o banqueiro conversasse com o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, no início da tarde daquele dia, em uma tentativa de antecipar-se aos desdobramentos.

Na noite de 17 de novembro, o empresário foi detido no Aeroporto Internacional de Guarulhos quando se preparava para embarcar em um jato particular com destino aos Emirados Árabes Unidos. A primeira fase da operação ocorreu na manhã seguinte.

Soltura, nova prisão e contexto no STF

Vorcaro obteve liberdade em 28 de novembro de 2025 por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), que ponderou elementos como a reunião mantida com representantes do Banco Central antes da viagem. Contudo, diante de novos elementos apresentados pela PF, o ministro André Mendonça acolheu um pedido de prisão preventiva em 27 de fevereiro de 2026, citando risco concreto de interferência nas investigações, resultando na recaptura do banqueiro em 4 de março.

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A divulgação do relatório ocorre no epicentro de uma crise institucional no STF, impulsionada pela revelação de registros de contatos entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Enquanto Mendonça encaminhou o acervo para apreciação do plenário, a Procuradoria-Geral da República questionou a legalidade da apuração, e Moraes apontou abuso de autoridade por parte do relator.

O espaço segue aberto para manifestação de todos os citados.

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