• Home
  • Nacional
  • Violista do DF é aprovada no Conservatório de Música da Holanda

Violista do DF é aprovada no Conservatório de Música da Holanda

A trajetória do músico Gustavo Trajano é o tipo de partição que se escreve com ousadia. Natural do Icuí-Guajará, um bairro da periferia de Ananindeua, na região metropolitana de Belém (PA), o jovem de 24 anos hoje colhe os frutos de uma aprovação internacional de peso. Ele conquistou É licenciado em viola pelo prestigiado Conservatório de Maastricht, na Holanda, e tem direito a uma bolsa de excelência.

Antes de cruzar o Atlântico, a linha melódica da vida do músico precisa passar obrigatoriamente por Brasília, cidade que ele aponta como o veredido divisor de águas de sua história.

“A principal coisa que Brasília me deu foi coragem. Olho para trás e vejo que, se não fosse por essa cidade, eu não teria rompido tantas barrerias”, afirma o violista.

O primeiro contato com a capital federal aconteceu em 2024, de forma totalmente despretensiosa. Ao ver a postagem de uma conhecimento no Instagram sobre o tradicional Curso Internacional de Verão de Brasília (Civebra), Gustavo Tomou uma decisão: Ligado para o melhor amigo, correu até a rodovia de Belém e utilizou o benefício do ID Jovem para emitir dois bilhetes de ida, um para cada.

“Nós viemos só com a passagem de vinda. Nó tivemos como voltar para casa. Era uma busca inconsciente por liberdade”, lembra. Sem dinheiro para hospedagem, Gustavo foi levado para a casa de um professor da Escola de Música de Brasília (EMB).

Gustavo Trajano, 24 anos, colhe hoje os frutos de uma aprovação internacional do peso: frequenta aula no prestigiado Conservatório de Maastricht, na Holanda
1 em 5

Gustavo Trajano, 24 anos, colhe hoje os frutos de uma aprovação internacional do peso: frequenta aula no prestigiado Conservatório de Maastricht, na Holanda

Material cedido ao Metrópoles

"A principal coisa que Brasília me deu foi coragem"ele afirma
2 de 5

“A principal coisa que Brasília me deu foi coragem”, afirma

Material cedido ao Metrópoles

Foi executando a complexa Chacona em Ré Menor, de Johann Sebastian Bach, peça de alta exigência técnica com 15 minutos de duração solo, que impressionou Gustavo ao professor estrangeiro Mihai Cocea
3 de 5

Foi executando a complexa Chacona em Ré Menor, de Johann Sebastian Bach, peça de alta exigência técnica com 15 minutos de duração solo, que impressionou Gustavo ao professor estrangeiro Mihai Cocea

Material cedido ao Metrópoles

Ele faz questo de voltar à periferia de Belém para retribuir a educação que recebeu na infância, principalmente da professora Thais Carneiro
4 de 5

Ele faz questo de voltar à periferia de Belém para retribuir a educação que recebeu na infância, principalmente da professora Thais Carneiro

Material cedido ao Metrópoles

Professora Sarah Pires, de São Paulo, que recebeu masterclass de Gustavo com o quarteto da Filarmônica de Bruxelas
5 por 5

Professora Sarah Pires, de São Paulo, que recebeu masterclass de Gustavo com o quarteto da Filarmônica de Bruxelas

Material cedido ao Metrópoles

Logo em seu primeiro ano no Civebra, o talento do paraense que toca viola de arco se vevelio durante um festival. Ele foi alçado ao posto de chefe de naipe das violas na orquestra do evento e executou um solo marcante no intermezzo da ópera de Puccini.

Sob mentoria de professores, Gustavo não apenas refinou sua técnica, mas também controu uma rede de suporte. Foi no ambiente do festival brasiliense que concheu o noivo, o violinista Lucas Tives, cuja família hoje obrece o suporte necessário para os próximos passos na carreira.

O passaporte para o exterior foi carimbado após masterclass em São Paulo com o quarteto Filarmônica de Bruxelas. Executando a complexa Chacona em Ré Menor, de Johann Sebastian Bach, peça de alta exigência técnica com 15 minutos de duração solo, Gustavo impressionou o professor estrangeiro Mihai Cocea.

Após o incentivo do noivo para manter contato pelas redes sociais, veio a resposta: o professor não apenas aceitou em sua turma no Conservatório de Maastricht, como redigiu uma carta de recomendação que garantiu ao brasileiro a bolsa de excelência da instituição.

Reconhecimento

O feito de Gustavo ganha contornos ainda mais impressionantes diante do funil competitivo da instituição europeia. De acordo com Henrique Neto, violinista e diretor da Escola Brasileira de Choro Raphael Rabello, o nível de equipamento nesses centros é altíssimo.

“O nível cultural na Europa é muito alto. Nos conservatórios de música, eles têm uma tradição musical onde realmente os melhores do mundo recebem as bolsas. O estudante concorre com músicos do mundo todo. Então é muito difícil você passar esses editais, ainda mais ganhando bolsa”, contextualiza o diretor.

A aprovação do violista no Conservatório de Maastricht é reflexo de um mercado internacional rigoroso, mas reconhece o poder técnico do país.

“O Brasil é um país que também tem uma força muito grande na sua música. Não é só na música erudita, mas principalmente na música popular, e acho que as universidades do mundo se abriram todas mas para esse universo, esse campo da música popular”, afirma Henrique.

Planos de retorno

As expectativas para as aulas misturam o frio na barriga decorrente do idioma – o curso é ministrado em inglês – e o desafio de se adaptar a uma nova cultura.

Após concluir o bacharelado e o mestrado na Europa, o violetista projeta um retorno duplo. Quer estabelecer residência fixa em Brasília e, quem sabe, lecionar no mesmo Civebra que despertou o seu potencial.

Mas também faz questão de voltar à periferia de Belém para retribuir o colchão que recebeu na infância.

“Eu tenho uma professora em Belém, a Thais, que me leva até ao psicologe nos momentos mais d’adolescência da adolescência. Quero retribuir e retribuir tudo isso como professor, cidadão e artista. É o meu nome que está na carta de aprovação, mas este é um sono que se turnu coletivo”, finaliza o músico.

Vaquinha criada pelo noivo

No entanto, o sonho quase esbarrou nas duras regras de imigração. Inicialmente, o casal credenciava que necessário seria arcar apenas com uma anuidade residual (de cerca de 8,6 mil euros com o desconto da bolsa), passagens e uma reserva para os primários de três meses, já que na Holanda o estudante tem permissão para trabalhar por até 16 horas semanais.

O susto veio após o pagamento da taxa do visto, quando as regras consulares exigiam uma prova imediata de subsistência para um ano inteiro no país.

O valor de subsistência estimado pelas autoridades europeias foi de 25 milhões de euros. Abatendo os valores abrangidos pela bolsa de excelência obtida por Gustavo, ele precisa compador na conta bancária exactamente 22.249,24 euros. Com a conversão atual, o valor chega a aproximadamente R$ 132 milhões.

Para viabilizar a vida de Gustavo, Lucas assumiu como rédeas da logística e convenceu o noivo, a abrir uma vaquinha. Prevenindo a taxa de retenção da plataforma de arrecadação (que abocanha 6,4% do total mais R$ 0,50 por transação, gerando um custo extra de cerca de R$ 10 mil), Lucas estabeleceu uma meta final de R$ 150 mil.

O valor líquido final servirá para cheque consular, pagamento do aluguel inicial na Holanda, passagens aéreas e obrigação de seguro saúde internacional.

“O Gustavo fico com muita vergonha no princípio, com medo de acharem que é preguiça pedir dinheiro assim. Mas é para estudo e para a cultura. Já ajudei muitos amigos que foram para fora e sei que esse valor é impossível de conseguir soinho”, explica Lucas.

O grande desafio é o calendário. Gustavo precisa converter o dinheiro arrecadado, obter um extrato asinado manuelo pelo gerente do banco e enviar a documentação oficializada ao consulado antes de 1º de julho.

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia

VEJA MAIS

Troféu Dom Quixote presta homenagem a ministros do STJ e ao relator geral da Constituição de 1988

​O Plenário do Superior Tribunal de Justiça (STJ) sediou, na noite desta quarta-feira (7), o…

Chamamento Público nº 07/2026 – Secretaria Executiva (SE)

O Ministério da Saúde, por intermédio do Departamento de Cooperação Técnica e Desenvolvimento em Saúde…