A UEFA anunciou, nesta quinta-feira (30), que todas as suas 55 federações filiadas se autoexcluirão de qualquer competição organizada pela FIFA caso a entidade mantenha o plano de vender participações da Copa do Mundo a investidores privados. A decisão foi tomada após uma reunião de emergência das seleções europeias e representa uma das maiores crises institucionais da história do futebol mundial.
“Nenhuma seleção nacional da UEFA participará de nenhuma competição da FIFA enquanto estas propostas estiverem vigentes”, confirmou a confederação em comunicado oficial. “A Copa do Mundo da FIFA pertence ao futebol. Sempre será assim. E enquanto a Europa tiver voz, nunca estará à venda.”
Venda de participações e reação europeia
A FIFA, presidida por Gianni Infantino, abriu um debate global ao propor a venda de participações minoritárias vinculadas ao Mundial para investidores privados. A iniciativa busca arrecadar mais de US$ 10 bilhões para as 211 associações filiadas nos próximos quatro anos. Segundo o jornal The Times, a proposta prevê a criação de uma empresa que concentraria as principais competições masculinas e femininas, com investidores adquirindo entre 20% e 25% do negócio — o que avaliaria a estrutura em até US$ 20 bilhões.
“Isso ultrapassa uma linha que as instituições que regem o futebol nunca deveriam ultrapassar”, afirmou a UEFA em declaração prévia. O organismo europeu classificou a proposta como “um ato de coerção indigno de uma instituição encarregada da gestão do futebol mundial”.
O que está em jogo
O boicote europeu afetaria diretamente os próximos torneios da FIFA. No calendário imediato estão a Copa do Mundo Feminina Sub-20 (na Polônia), os playoffs da Copa do Mundo Feminina, o Mundial Sub-17 masculino (no Catar) e a Copa do Mundo Feminina de 2027, no Brasil.
A UEFA afirmou que a venda de participações a investidores privados “muda para sempre” o futebol, transformando a rentabilidade comercial em “uma obrigação permanente”. “A partir desse momento, cada decisão sobre o calendário internacional e os formatos de competição não será mais regida pelo que mais beneficia o esporte, mas pelo que mais beneficia os acionistas”, alertou o comunicado.
“O futebol não pode hipotecar seu futuro por dinheiro. A posição da Europa é clara: jamais legitimaremos este modelo”, concluiu a UEFA.