O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (26) uma recompensa de US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,4 milhões) por informações sobre fraudes eleitorais no país que resultem na prisão e condenação dos responsáveis. A medida foi divulgada a uma semana das eleições legislativas de meio de mandato, nas quais estará em jogo o controle do Congresso americano e que, segundo as pesquisas, poderão representar dificuldades para o Partido Republicano.
“Qualquer pessoa que denunciar uma fraude eleitoral em eleições anteriores ou nas próximas eleições de meio de mandato de 2026 receberá US$ 1 milhão após a prisão e a condenação dos responsáveis pela fraude!”, escreveu Trump na rede Truth Social.
O anúncio ocorre em meio a uma posture cada vez mais agressiva do governo em relação à fiscalização das eleições. A administração Trump tem pressionado os estados a fornecerem dados sensíveis de registro de eleitores, sob o argumento de que medidas mais rigorosas são necessárias para garantir a confiança da população no processo eleitoral. O presidente também busca evitar votos de imigrantes sem documentos no país, embora casos do tipo sejam raros.
Especialistas e autoridades eleitorais consideram essas iniciativas uma interferência excessiva do governo federal. Em setembro, a Suprema Corte já havia autorizado o governo a utilizar um sistema que reúne informações de milhões de americanos, embora críticos tenham alertado que a ferramenta pode levar os estados a excluírem dos registros pessoas que têm direito a votar. Em consultas anteriores, a ferramenta classificou erroneamente cidadãos americanos como não cidadãos.
Agora, autoridades eleitorais disseram à Reuters que estão se preparando para uma possível interferência federal nas eleições de meio de mandato. Trump já fez alegações falsas sobre processos eleitorais, incluindo a afirmação, sem provas, de que venceu a disputa presidencial de 2020. Sua recusa em reconhecer a derrota antecedeu a invasão do Capitólio por seus apoiadores, em 6 de janeiro de 2021, em uma tentativa fracassada de impedir a certificação do resultado pelo Congresso.
Atualmente, os republicanos detêm uma maioria estreita na Câmara dos Representantes e no Senado. Às vésperas da votação, porém, a popularidade de Trump permanece baixa, em meio à preocupação dos eleitores com o custo de vida e o aumento dos preços dos combustíveis provocado pela guerra dos EUA e de Israel contra o Irã.
Na semana passada, uma pesquisa nacional do New York Times e da Universidade Siena apontou que apenas 36% dos eleitores com maior probabilidade de votar disseram aprovar o desempenho de Trump, enquanto 59% afirmaram desaprová-lo. Trata-se do menor índice de aprovação do presidente já registrado na pesquisa Times/Siena. Mais de dois terços dos eleitores independentes disseram desaprovar a maneira como ele tem exercido a Presidência.
Eleições no Brasil
Também nesta segunda-feira, Trump afirmou, sem provas, que as eleições brasileiras foram “manipuladas” e “muito corruptas”, após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL), aliado do republicano. A derrota de Bolsonaro representa um revés para Trump, após um ano e meio de expressivas vitórias conservadoras na América Latina.
“Achei terrível”, disse Trump a jornalistas enquanto deixava Washington rumo a um comício de campanha para as eleições legislativas. “Eu não tomei partido, mas, francamente, pareceu outra eleição manipulada. Parecia tão corrupta, tão terrível.”
O americano, no entanto, foi evasivo quando questionado se planejava tomar alguma medida em relação ao resultado. Apesar de sua proximidade com a família Bolsonaro, Trump também demonstrou uma simpatia incomum por Lula, afirmando que, apesar das turbulentas relações comerciais, ele e o veterano líder de esquerda, ambos com 80 anos, têm “uma química excelente”.
“Eu não sou candidato no Brasil, sou candidato nos Estados Unidos”, disse o republicano. “Gosto de Lula, me dou muito bem com ele. Só achei que a maneira como os votos foram contabilizados, com a prorrogação, passou uma imagem muito negativa.”
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