Tema da semana da série Minuto Saúde Imunológica explica quando a reposição de imunoglobulina é vital e quando pode ser temporária
Saber se a terapia com anticopos deve ser mantida por toda a vida é uma dúvida frequente entre pacientes com imunodeficiência e seus familiares. Este é o tema da série desta semana “Minuto Saúde Imunológica”, apresentada pelo professor Pérsio Roxo Juniorsim Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da Universidade de São Paulo (USP).
Segundo o especialista, a necessidade de tratamento contínuo depende do tipo de imunodeficiência. Nas formas primárias graves, como as agamaglobulinemias, mais comuns na infância, e a imunodeficiência comum variável, predominantemente em adultos, há comprometimento persistente da produção de anticopos. Nesses casos, a terapia com imunoglobulina funciona como reposição de coisas que o organismo não consegue fabricar.
Postado: 02/10/2026
Avaliação precoce amplia as possibilidades de tratamento, segundo médico imunologista Pérsio Roxo Junior
A imunoglobulina pode ser administrada por via intravenosa ou subcutânea e, quando o defeito imunológico é permanente, o tratamento tende a ser contínuo e, muitas vezes, por tempo indeterminado. Isso ocorreu porque a reposição não cura a dados, mas substitui os anticopos ausentes, protegendo o paciente contra infecções graves e reduzindo hospitalizações e complicações, principalmente pulmonares.
Existem, no entanto, situações diferentes. Em algumas imunodeficiências secundárias, associadas ao uso de medicamentos imunossupressores, quimioterápicos ou hematológicos, o sistema imunológico pode recuperar sua função. Nessas circunstâncias, a reposição de imunoglobulina costuma ser temporária e reavaliada conforme a evolução clínica.
A decisão de manter ou suspender o tratamento deve ser individualizada e conduzida por um imunologista, considerando histórico de infecções, níveis de imunoglobulinas no sangue, vacinações e presença de complicações respiratórias crônicas.
Outro ponto destacado pelo professor é a adesão terapêutica. Uma dosagem regular de imunoglobulina reduz significativamente a frequência e a gravidade das infecções, resultando em melhora expressiva na qualidade de vida. Com o acompanhamento adequado, muitos pacientes conseguem estudar, trabalhar e manter uma rotina próxima da normalidade.
Em resumo, em diversas imunodeficiências primárias o tratamento é prolongado e frequente vitalício. Ainda assim, cada caso exige avaliação especializada e segmento contínuo.
Sobre a série
Uma série Minuto Saúde Imunológica É uma iniciativa da Rádio USP Ribeirão, com produção do professor Pérsio Roxo Junior e coprodução da jornalista Rose Talamone. O objetivo é democratizar o conhecimento sobre imunidade, atingindo públicos de todas as idades com informações claras e confiáveis.
Outros episódios abordarão temas como a função da imunidade ao longo das fases da vida, mitos e verdades sobre vacinas e as doenças autoimunes. Para ouvir, basta sintonizar a FM 107,9, acompanhar pela internet no site da USP Ribeirão Preto ou acessar o aplicativo para Android e iOS.