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“Tem que chamar ele no banco”: Vorcaro pediu “caso ou parecer” para filho de Lewandowski – Gazeta Brasil

Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro indicam que o ex-banqueiro orientou o então diretor jurídico do Banco Master, Luiz Rennó, a procurar o advogado Enrique Lewandowski, filho do ministro aposentado do STF Ricardo Lewandowski, e oferecer a ele “algum caso ou parecer” para justificar um contrato que o banco já mantinha com o escritório da família. As conversas foram reveladas pela Folha de S.Paulo nesta segunda-feira (21).

A primeira mensagem sobre o assunto é de 9 de dezembro de 2024, às 21h. Vorcaro escreveu a Rennó: “preciso. ajuda sua (sic)” e encaminhou o contato de Enrique. O então diretor jurídico perguntou o que deveria fazer, e Vorcaro respondeu: “Calma. Temos um contrato. Tem que chamar ele urgente. No banco. Vc se apresentar. Falar que trocou o diretor. Pedir desculpas que ficamos sem contato. E dá algum caso ou parecer para ele fazer”.

Rennó confirmou o recebimento das orientações e disse que iria “chamar e alinhar”. Vorcaro reforçou: “Tem que chamar ele no banco. Fazer presencial. E já pedir algo”. Minutos depois, Rennó perguntou se havia alguma demanda específica. Vorcaro respondeu: “Preciso passar algo. Ora ele” — provável erro de digitação para “para ele”.

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Em 12 de dezembro, Rennó voltou ao assunto para informar que havia avançado no contato: “Aqui dominado! Quase bebemos cerveja aqui no banco! Vou dar sequência”.

O contrato e o contexto

O Banco Master mantinha, desde agosto de 2023, um contrato de consultoria jurídica com a Lewandowski Advocacia, que previa pagamentos mensais de R$ 250 mil, totalizando R$ 6,5 milhões entre agosto de 2023 e agosto de 2025, quando os serviços foram encerrados. Segundo o escritório, a partir de 2024, a consultoria passou a ter como foco assuntos fiscais e tributários.

O contrato começou como uma consultoria institucional do próprio Ricardo Lewandowski. Após ele assumir o Ministério da Justiça, em 2024, a atuação passou para o filho, Enrique, segundo informações divulgadas pela Folha.

À época das mensagens, Ricardo Lewandowski comandava o Ministério da Justiça e Segurança Pública do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Ele deixou o cargo em janeiro deste ano.

Procurado pela Folha para comentar os diálogos sobre o escritório do filho, Lewandowski não se manifestou. Em janeiro deste ano, ao ser questionado sobre a contratação pelo Master, ele afirmou que, após deixar o STF, em abril de 2023, retornou às atividades de advocacia e prestou serviços de consultoria jurídica ao banco. Ao assumir o Ministério da Justiça, segundo sua versão, retirou-se do escritório e suspendeu o registro na OAB.

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Versão do escritório

Em nota, o escritório de Enrique Lewandowski afirmou que prestava serviços jurídicos para diversos clientes, entre eles o Banco Master.

“Com o Banco Master, o escritório celebrou um contrato de consultoria jurídica em agosto de 2023, com prazo de validade até agosto de 2025, quando os serviços foram encerrados. A partir de 2024, a consultoria passou a ter como foco assuntos fiscais e tributários”, afirmou.

Segundo a assessoria, os contatos de Enrique com o banco ocorriam com o diretor jurídico Luiz Rennó para discutir questões fiscais e relacionadas à reforma tributária. As tratativas incluíam reuniões mensais, telefonemas e trocas de e-mails.

A assessoria afirmou ainda que não houve elaboração de pareceres ou defesa em causas específicas.

Contratos com familiares de autoridades

A reportagem da Folha também cita outros contratos mantidos por Vorcaro com escritórios ligados a familiares de autoridades.

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Entre eles está o contrato de R$ 131 milhões com o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes. Segundo a PF, o próprio ministro fez edições no contrato.

À época, o escritório Barci de Moraes afirmou que seu setor de compliance solicitou informações a Moraes na condição de marido da sócia-diretora do escritório.

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