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Taxas de juros a 15% pesa mais do que parece

A permanência da taxa Selic no atual patamar de 15% provoca consequências no mercado automobilístico. Entre questões diretas e indiretas, influenciam o consumidor e a indústria com o encarecimento dos financiamentos necessários aos investimentos ou a aquisição de veículos, a redução do poder de compra, o aumento do valor das parcelas, bem como diminui as vendas gerais do mercado, entre outros.

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Com juros elevados os consumidores, pessoas físicas e jurídicas, adiam a troca de seus veículos, os estoques sobem e a produção de veículos decresce impactando toda a cadeia.

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Juros sobre juros

Com alta da selic, as taxas de juros para financiamento de veículos aumenta junto, criando um efeito dominó
Imagem: Reprodução internet

A Selic é a taxa básica de juros para empréstimos entre as instituições financeiras e é dela que partem as taxas de juros praticadas ao consumidor final. Segundo definição do Banco Central, “a taxa Selic é a taxa básica de juros da economia, que influencia outras taxas de juros do país, como taxas de empréstimos, financiamentos e aplicações financeiras. A definição da taxa Selic é o principal instrumento de política monetária utilizado pelo Banco Central (BC) para controlar a inflação”.

E o Banco Central também indica como ela é calculada? “A Selic é a taxa de juros média praticada nas operações compromissadas com títulos públicos federais com prazo de um dia útil. O BC realiza operações no mercado de títulos públicos para que a taxa Selic efetiva esteja em linha com a meta da taxa Selic, que é definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC”.  Caso a taxa Selic se eleve, o custo do financiamento, realizado por juros compostos, dispara.

Novamente, como de costume, esta coluna cumpre um papel educativo e por juros compostos entende-se que para cada período do contrato há um “novo capital” para a cobrança da taxa de juros contratada. Esse “novo capital” é a soma do capital e do juro cobrado no período anterior (Banco Central). Em palavras mais simples, são os juros sobre os juros.

Com o crédito mais caro, as parcelas tornam-se igualmente maiores inviabilizando a compra para muitos por questões diversas que incluem a restrição de crédito.

No Brasil, historicamente, a venda de veículos novos ocorre entre 60 e 70% por intermédio de financiamentos sendo estes um dos três pilares que sustentam as vendas de veículos: preço do veículo, taxa de juros e liberação de crédito pelas instituições financeiras.

Ao se analisar o crédito, as instituições traçam um perfil financeiro e o risco de inadimplência das pessoas e/ou empresas definindo um risco para aquele tomador de recursos. Uma das formas que estas instituições têm de mitigar o risco de empréstimo é diminuindo o valor das parcelas e elas conseguem este efeito aumentando o valor da entrada.

Entretanto o processo naturalmente cria uma dificuldade na aquisição de novos veículos pois muitos passam a não conseguir mais adquirir veículos novos tendo que migrar para veículos seminovos ou usados ou postergando a compra.

O resultado inicial são as quedas nas vendas de veículos no mercado de veículos novos pois o efeito imediato do encarecimento do crédito é a redução do volume de emplacamentos. O mercado de seminovos e usados, por mais que sofram com os mesmos efeitos dos juros altos, tendem a sentir menos estes efeitos pois as parcelas dos veículos são menores haja vista possuírem preços dos veículos igualmente menores.

Cenário desafiador

Dependendo do uso, é mais interessante utilizar aplicativos de carona do que possuir um carro
Com a alta taxa de juros ter um carro pode não ser tão interessante quanto utilizar outros meios de transporte 
Imagem: Reprodução internet

Com a menor procura por veículos automotores, os concessionários tentam segurar os preços, mas os custos fixos dos concessionários permanecem elevados pressionando desta forma os preços. É quase uma “sinuca de bico” e os estoques começam a aumentar.
Sem procura e, muito pior, sem a devida vazão de veículos e com o aumento dos estoques da rede e dos fabricantes, existe a necessidade da regulação do sistema por intermédio da diminuição do ritmo de produção de veículos e autopeças.

Por fim, a ponta do iceberg, o risco de desemprego se eleva pois sem produção o risco de cortes se torna iminente.
Por todos estes motivos, aliados a outros como o aumento da inadimplência, eleições gerais, Copa do Mundo de Futebol e instabilidades políticas, projetamos um mercado menor em 2026 para números de emplacamentos entre 2,4 e 2,45 milhões de unidades.

 Produção, Exportação e o mercado de motos terão incrementos em relação a 2025. O mercado de pesados tende a sofrer mais do que qualquer outro… em geral, janeiro de 2026 começo menos acelerado do que em relação a 2025.

Em resumo, uma simples manutenção da taxa de juros básica em níveis elevados pode até conseguir controlar a inflação, mas influencia diretamente nas vendas de veículos, um dos primeiros setores a sentir os efeitos da economia no Brasil e, no fim, pode aumentar o desemprego pois não ajuda setores essenciais da economia. Se por um lado combate algo ruim, por outro mata o que está bom…

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