O presidente da FIFA, Gianni Infantino, anunciou oficialmente o arquivamento do projeto FIFA Forward Enterprise (FFE), que previa a venda de participações em torneios da entidade a investidores privados. A decisão foi tomada após a rejeição articulada da UEFA, da Concacaf e da AFC, além da oposição de membros da própria cúpula da FIFA. O plano previa a captação de US$ 3,1 bilhões (cerca de R$ 17 bilhões na cotação atual) por meio da venda de ações de competições, incluindo a Copa do Mundo.
“O projeto FIFA Forward Enterprise tinha como objetivo fortalecer as associações-membro e o futebol mundial, especialmente nos países que mais precisam de apoio. Tendo ouvido atentamente todas as opiniões, ficou evidente que o projeto gerou divisões. Nosso propósito sempre foi unir e melhorar. Como resultado, esta proposta não avançará”, declarou Infantino em comunicado oficial.
Ameaça de boicote da UEFA e rejeição em bloco
A UEFA liderou a oposição contra a iniciativa. Em comunicado contundente, a entidade presidida por Aleksander Ceferin afirmou que suas seleções nacionais não participariam de torneios da FIFA enquanto o projeto estivesse em vigor:
“A Copa do Mundo da FIFA pertence ao futebol. Sempre será assim. E enquanto a Europa tiver voz, jamais estará à venda”, pontuou Ceferin.
Horas depois, as 41 federações que integram a Concacaf se uniram ao posicionamento europeu, manifestando “profunda preocupação com a falta de garantias processuais”. A Confederação Asiática de Futebol (AFC) também formalizou sua rejeição, tornando-se a terceira grande confederação a vetar a proposta.
Ligação com a família Trump e consultoria do J.P. Morgan
Para viabilizar o negócio, Infantino previa a criação de uma nova empresa com investimento expressivo do empresário Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner (genro do ex-presidente americano Donald Trump). O banco de investimentos J.P. Morgan atuava como consultor na captação dos recursos.
Membros da própria FIFA já haviam levantado preocupações desde os primeiros vazamentos do plano, questionando como propostas com tamanha dimensão podiam ser conduzidas de forma unilateral, sem consulta prévia às federações. Embora a FIFA alegasse que haveria um período de debates, a presença prévia de investidores alinhados gerou forte desconfiança interna.
Ruptura institucional evitada
A articulação liderada por UEFA, Concacaf e AFC — que juntas representam a maioria absoluta das associações-membro — gerou a maior crise institucional da FIFA em anos. Diante da ameaça real de um boicote em massa, o arquivamento do FFE foi a única alternativa encontrada pela entidade para evitar uma cisão histórica no futebol mundial.