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Secretária de Saúde de Bertioga recebe da Prefeitura e trabalha ao mesmo tempo em outros municípios

Enquanto todo cidadão dá um duro danado para se manter neste país cheio de obrigações e deveres, além de impostos derivados todos os dias de consumos de sobrevivência, no município de Bertioga, a secretária de Saúde Fabiana Paviani nomeada pelo prefeito Marcelo Vilares (União Brasil), acumula cargos em duas cidades: Bertioga como secretária e no Guarujá como médica, sem ao menos se preocupar com os seus deveres na cidade onde é escolhida para gerenciar uma pasta tão importante como é a Saúde.

A denúncia apurada pelo Jornal Impresso Brasil (JIB), revela uma ação protocolada no Ministério Público (MP), em meio a uma Ação Popular formulada à Vara da Fazenda Pública da Comarca de Bertioga.

A ação questiona a legalidade da acumulação de funções atribuída à atual secretária municipal de Saúde, a médica Fabiana Paviani, e pede apuração sobre possíveis pagamentos considerados irregulares pelo autor da denúncia. Segundo a petição, a secretária teria mantido simultaneamente o exercício do cargo político em Bertioga e atividades médicas em outras cidades da Baixada Santista, incluindo Guarujá.

O documento cita registros no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) e relatórios vinculados ao Contrato Administrativo n.º 40/2024.

A ação sustenta que o cargo de secretário municipal possui natureza política e exigiria dedicação integral à administração pública. O autor argumenta que a manutenção de outros vínculos remunerados seria incompatível com as atribuições da função. Outro ponto destacado na ação é a alegação de possível conflito de interesses, uma vez que pagamentos mencionados no processo estariam relacionados a contrato administrado pela própria Secretaria Municipal de Saúde.

Indicada pelo prefeito Marcelo Vilares, a secretária de Saúde trabalha no Posto de Saúde do Guarujá. Foto: Reprodução

 

O processo também pede as seguintes apurações: suspensão de pagamentos relacionados ao contrato citado; restituição de valores eventualmente considerados irregulares e o envio do caso ao Ministério Público (MP) para apuração.

Reflexo:
Além do debate jurídico, a denúncia ampliou críticas sobre a situação da Saúde pública em Bertioga. Moradores relatam demora para exames, dificuldades em atendimentos especializados e problemas na atenção básica.

Vídeo:
A reportagem teve acesso a um vídeo que mostra um morador afirmando ter encontrado a secretária exercendo atividade médica fora de Bertioga durante o período em que ocupa o comando da Saúde municipal. O material passou a ser compartilhado em grupos locais e intensificou a cobrança popular por esclarecimentos. O vídeo pode ser conferido no portal de notícias do Jornal Impresso Brasil.

Omissão:
A reportagem constantemente vem apresentando várias denúncias, entre elas, também sobre a área da saúde de Bertioga, o que deveria, pelo menos ser apurado pelo Poder Legislativo que parece fingir não ver os problemas sérios apresentados. Também fica claro que alguns vereadores sequer se prontificam para investigar as denúncias que circulam na cidade.

Transparência:
A Prefeitura de Bertioga na gestão do prefeito Marcelo Vilares tem demonstrado total falta de transparência em sua gestão, um exemplo disso, ocorreu com o jornalista Nelson Camargo e com o próprio veículo de comunicação, que já apresentaram pedidos de informações, inclusive alguns protocolados no Poder Executivo, porém, não respondidos.

Sobre as solicitações que são encaminhadas à assessoria de imprensa, por meio de e-mails, quase todos são rejeitados pelo setor de comunicação do poder público.

A reportagem procurou a gestão e também pediu o contato da secretária Fabiana para se pronunciar, no entanto, até o fechamento desta edição, não houve retorno aos questionamentos do veículo de comunicação.

 

Crime da funcionária pode causar improbidade administrativa dela e do prefeito Marcelão
A atitude da médica Fabiana Paviani configura em crime e incide ao ato de improbidade administrativa, tanto para a secretária quanto para o prefeito Marcelo que a nomeou, devido à incompatibilidade de horários, violação do regime de dedicação e, principalmente, no que se refere à comprovação de crime de dolo (intenção) após a reforma de Lei de Dedicação.

 

 

A médica Fabiana Paviani e a prefeitura não responderam os questionamentos feito pela reportagem até o fechamento desta edição. Foto: Arquivo Pessoal
Conforme a advogada Andreia Rafael, o caso precisa ser analisado, principalmente os fundamentos jurídicos e os riscos que podem incluir no ato de improbidade como o Regime de Dedicação Exclusiva/Integral: secretários municipais, especialmente os de Saúde, são agentes políticos submetidos a regimes de tempo integral, o que geralmente impede o exercício de outra atividade laborativa, especialmente em outros municípios, devido à inegável incompatibilidade de horários.
A advogada ainda cita a lei sobre o conflito de Interesses e Dolo com base na alteração da legislação 14.230/2021, por improbidade e dolo (vontade livre e consciente de alcançar o resultado ilícito). “Se a secretária utiliza o cargo para se locupletar (receber sem trabalhar ou trabalhando menos) e o prefeito tem ciência, ambos podem responder”, observou a advogada. Andreia ainda comentou que o prefeito é responsável pela nomeação e supervisão de sua equipe. “Se ele tem conhecimento de que a secretária não cumpre a carga horária por atender em outra cidade e se omite, ele comete improbidade por conivência”, analisou.
A reportagem ainda levantou algumas ações jurídicas sobre o caso e conclui que existem inúmeras jurisprudências que apontam para crimes deste tipo. Os Tribunais (como TJSP, TJSC e STJ) têm diversos casos onde secretários médicos e prefeitos foram condenados a ressarcir o erário por acúmulo de cargo, resultando em perda da função e suspensão dos direitos políticos.

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