Na última segunda-feira (31), a secretária municipal de Fazenda e Orçamento de Paranaguá, Verônica Marodim Marques, apresentou o balanço financeiro de 2024 do Município, durante sessão ordinária na Câmara da cidade. Mas, como os números ainda se referem ao último ano de gestão do ex-prefeito Marcelo Roque (PSD), a servidora que integra a atual gestão passou a incumbência de esclarecer às dúvidas dos vereadores à Ariane Ziesemer, atual superintendente de Orçamento da Prefeitura de Paranaguá.
“Confesso que não me sinto muito confortável porque foi um Exercício que não é a nossa gestão, que eu não tive influência no resultado“, afirmou a secretária, na ocasião.
Mas, ainda assim, a secretária esclareceu alguns pontos, como os indagados pelo vereador Eduardo Oliveira (Pode), em relação à saúde das contas de 2024 e a capacidade do endividamento da cidade.
“A gente não ficou numa situação muito boa, pois a gestão anterior deixou professores e rescisões sem pagar, contratos acima do limite, muitas coisas sem empenhar, fornecedores vindo atrás de mim. A gente está tentando se acertar“, disse Verônica.
“Pelo limite federal nós temos 120%, mas estamos bem em relação à capacidade de endividamento e estamos em cerca de 17%, e isso está bem. Vou fazer uma limpa nessa dívida ativa e acho que esse valor não é o real, vou organizar muita coisa“, completou a secretária, sobre a capacidade de endividamento do Município.

Os parlamentares também questionaram o comentário feito pela secretária em relação ao limite prudencial de gastos com pessoal, de que a despesa com a folha de pagamento teria acendido um “alerta” em 2024.
Embora a servidora tenha afirmado que o limite de gastos seja de 51,3%, entre as normas criadas pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF – Lei Complementar 101, de 2000), está o limite de gastos com pessoal. A LRF estabelece que a União só pode gastar até 50% da receita corrente líquida. Estados, municípios e Distrito Federal, 60%.
Outro ponto levantado foi o empréstimo de R$ 80 milhões que o Município pegou do Banco do Brasil para a realização da obra de requalificação da Avenida Atílio Fontana.
“Foi efetivado esse empréstimo? Lembro que esse empréstimo veio à Casa, foi aprovado em 2023. Esses R$ 80 milhões entraram nos cofres? Além dele, foi tentado outro? Quanto desse dinheiro foi utilizado, e em quê?”, perguntou Irineu Cruz (União).
Segundo a superintendente de Orçamento, a verba entrou na conta da Prefeitura e teve a destinação correta.
“Entrou esse empréstimo e foi quase todo empenhado, restando entre R$ 2 e 4 milhões. Foram destinados a investimentos na cidade, que era a finalidade. Parte foi para a Atílio Fontana, equipamentos para as secretarias e outros investimentos. São dois empréstimos ofertados, de R$ 80 milhões cada. O primeiro foi efetivado e o segundo chegou a ser feito uma lei, mas não foi efetivado”, explicou Ariane Ziesemer.
DEBATE NO CARIJÓ E NAS REDES
Mas a questão dos empréstimos já vinha sendo motivo de farpas trocadas entre Irineu Cruz e o ex-prefeito Marcelo Roque (PSD), nas redes sociais. Em 25 de março o parlamentar fez menção aos dois empréstimos, cujas leis foram aprovadas pela Câmara, um em 2020 e outro em 2022.
“Foi aprovado [o segundo empréstimo no mesmo valor do primeiro, de R$ 80 milhões], com a palavra de seu líder de governo que a Atílio iria ser entregue. Depois, o senhor assumiu a obra da mão do Consórcio Alexandra e não terminou”, disse Cruz, em postagem direcionada a Roque.
Por sua vez, o ex-prefeito rebateu e disse o mesmo que a atual superintendente de Orçamento afirmou durante a apresentação no Palácio Carijó: apenas um dos dois empréstimos aprovados pela Câmara foi efetivado pela Prefeitura.
“O empréstimo mencionado não foi concretizado, inclusive o Banco do Brasil já procurou a atual gestão para tentar refazer o empréstimo. Utilizamos recursos do empréstimo que fizemos em 2021 e, com isso, realizamos diversas melhorias, como a pavimentação de asfalto, a construção da escola Tiradentes e a reforma da Praça Mário Roque. Além disso, deixamos mais R$ 2 milhões para concluir quase 1 km adicional de asfalto na própria Avenida Atílio Fontana”, defendeu Roque.
-


1/2
O ex-prefeito Marcelo Roque rebateu as informações postadas pelo vereador Irineu Cruz e que voltaram a ser mencionadas em plenário. Foto: Arquivo/Prefeitura de Paranaguá -


2/2
O ex-prefeito Marcelo Roque rebateu as informações postadas pelo vereador Irineu Cruz e que voltaram a ser mencionadas em plenário. Foto: Reprodução
“Era só ter dado continuidade com os servidores da Prefeitura, como estávamos fazendo. Pastor, faça seu trabalho de vereador, fiscalizando de forma responsável, sem espalhar mentiras”, completou.
O empréstimo contraído pela Prefeitura de Paranaguá trata-se da Lei 3.879/2020, cujos recursos só poderiam ser aplicados em:
- Elaboração e Execução de Projetos de Engenharia; Construção de Centro Municipal de Educação Infantil; Construção de Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental; Construção/Revitalização de Passarelas e Pontes; Execução de Obras de Macrodrenagem; Execução de Obras de Pavimentação e Calçadas; Aquisição de Veículos e Equipamentos; Aquisição de Equipamentos de monitoramento; Revitalização e Construção de Parques e Praças; Reforma e Construção de Terminais de Transporte Urbanos e Rodoviário; e Reforma e Construção de Edifícios Públicos.
O segundo empréstimo, aprovado por meio da Lei 4.247/2022, não chegou a ser finalizado.

