O Oeste de Santa Catarina precisa movimentar milhões de toneladas de grãos todos os anos para manter de pé uma das principais cadeias agroindustriais do Estado, mas enfrenta uma logística fortemente dependente das rodovias. Para mudar esse cenário, o setor produtivo defende a ampliação da malha ferroviária e a criação de novos corredores para conectar a região às áreas produtoras de grãos e aos portos.
Entre as propostas está uma ligação ferroviária com o Centro-Oeste brasileiro, além da expansão dos trilhos dentro de Santa Catarina. A estratégia busca facilitar a chegada de milho para a produção de ração e o escoamento de carnes suína, de frango e bovina para outros mercados.
Ferrovia pode ampliar chegada de grãos ao Oeste
Uma das propostas defendidas pelo setor é a construção de uma ferrovia que conecte o Centro-Oeste brasileiro ao Oeste catarinense. A estimativa apresentada é de que o corredor tenha capacidade para transportar até 20 milhões de toneladas de grãos destinadas ao abastecimento das três regiões envolvidas.
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Somente o Oeste de Santa Catarina consome, atualmente, cerca de 8 milhões de toneladas de milho para a fabricação de ração. A produção estadual, porém, não alcança 2 milhões de toneladas.
A diferença entre o que é produzido e o que é necessário faz com que Santa Catarina dependa da entrada de milho de outras regiões para manter a produção de aves, suínos e leite.
Somente o Oeste de Santa Catarina consome, atualmente, cerca de 8 milhões de toneladas de milho para a fabricação de ração.Foto: Magnific/wirestock/ND MaisRamal entre Chapecó e a Malha Sul está entre as propostas
Outra demanda envolve a ampliação dos trilhos dentro de Santa Catarina, com a ligação de Chapecó à Malha Sul já existente.
A proposta apresentada pelo setor prevê também a conexão com a região de Cascavel, no Paraná, e posteriormente com Passo Fundo, no Rio Grande do Sul. A intenção é integrar diferentes trechos ferroviários e criar alternativas para o transporte de cargas produzidas no Oeste.
O projeto também poderia ser conectado à ferrovia estudada pelo governo de Santa Catarina entre o Oeste e Correia Pinto, na Serra. Nesse ponto, a intenção seria alcançar a antiga ferrovia São Paulo–Rio Grande, que possui trechos desativados na região Sul.
Ligação com portos também aparece como demanda
Além do transporte de grãos, o setor defende uma conexão ferroviária entre o Oeste catarinense e os portos utilizados para escoar a produção de proteína animal.
A região possui forte participação na produção de carnes, que abastece tanto o mercado brasileiro quanto compradores internacionais. Para representantes do agronegócio, a ampliação das ferrovias poderia criar uma alternativa ao transporte exclusivamente pelas rodovias.
A proposta é que a estrutura permita movimentar grandes volumes de cargas com maior integração entre as áreas produtoras, os centros de abastecimento e os portos.
Nova Ferroeste enfrenta discussão ambiental
Entre os projetos citados está a Nova Ferroeste, que prevê, entre outros trechos, um ramal entre Cascavel e Chapecó. O empreendimento enfrenta uma discussão judicial relacionada ao licenciamento ambiental.
Uma decisão da Justiça Federal impede a concessão de licença prévia pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). Também foram determinadas novas audiências públicas para discutir os impactos ambientais do projeto.
Projeto de ferrovia entre Cascavel e Chapecó é citado entre as alternativas para melhorar a logística regional.Foto: NDTV Record/Reprodução/ND MaisFerrovia da Integração avança na elaboração do projeto
Outro empreendimento citado é a Ferrovia da Integração, que está na fase de elaboração do projeto básico de engenharia.
Segundo as informações apresentadas pelo setor, mais de 80% da parte documental do projeto já foi concluída. A obra é apontada como uma das alternativas para ampliar a integração ferroviária de Santa Catarina.
As duas ferrovias aparecem no Plano Nacional de Logística 2050, do governo federal. Atualmente, porém, são tratadas no planejamento como possibilidades alternativas de eixo de transporte que ainda dependem de estudos futuros.
Setor alerta para dependência das rodovias
Enquanto os projetos ferroviários avançam em diferentes etapas, o transporte de cargas do Oeste continua fortemente dependente das rodovias.
Além do custo operacional, representantes do setor citam a falta de segurança e a dificuldade de encontrar motoristas como fatores de preocupação. A avaliação é de que a situação pode comprometer a logística necessária para manter a atividade agroindustrial.
Segundo os dados apresentados na reportagem, a idade média dos motoristas já ultrapassa 52 anos. Também houve uma redução de 20% na emissão de habilitações profissionais nos últimos dez anos.
Para o setor, a dificuldade de manter profissionais dispostos a realizar longas viagens aumenta a pressão sobre um sistema que já enfrenta custos elevados e estradas consideradas perigosas.
Transporte ferroviário é defendido como alternativa para o escoamento da produção agroindustrial catarinense.Foto: NDTV Record/Reprodução/ND MaisLogística é apontada como desafio para o agronegócio
A ampliação da infraestrutura ferroviária é defendida pelo setor produtivo como uma forma de criar novas alternativas para o transporte de cargas e reduzir a dependência do modal rodoviário.
A avaliação apresentada é de que os investimentos são necessários para preservar a competitividade da agroindústria catarinense, especialmente diante do volume de grãos que precisa chegar ao estado e da produção de carnes destinada aos mercados nacional e internacional.