SURI EIRAS
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – O Rio de Janeiro será responsável por 64% dos acidentes e incidentes envolvendo helicópteros no Brasil em 2025 e 2026, segundo o Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos).
Entre janeiro de 2025 e junho de 2026, foram registradas 317 ocorrências no país, 204 ocorreram no estado, das quais 62 foram registradas este ano.
O número não inclui o acidente causado pela colisão entre dois helicópteros neste domingo (14), no Recreio dos Bandeirantes. O incidente mais recente no painel do Sipaer (Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) é de 5 de junho.
Os helicópteros colidiram e pousaram no pátio de uma concessionária BYD, distante cerca de 100 metros um do outro. O acidente causou a morte de todas as seis pessoas a bordo. Cinco deles estamanam na mesma aeronave – o piloto Alexandre Souza, o cantor americano Oliver Tree, o DJ brasileiro Lucas Brito Chaves Frota, o influenciador argentino Gaspar Prim e o cineasta argentino Lucas Vignale. O piloto Charles Marsilac estava sozinho com outra aeronave.
Dos 204 incidentes registrados no Rio desde 2025, 134 deles foram registrados como falhas ou mau funcionamento de algum sistema ou componente. É a primeira causa mais comum de incidentes. A segunda é uma colisão em voo ou perda de separação, com 37 ocorrências. A perda de separação ocorre quando duas aeronaves estão localizadas abaixo da distância de segurança.
O Cenipa classifica como ocorrências como incidente, incidente grave e acidente, esta ultima em casos mais graves. A maior parte dos registros é de incidentes.
Os dados do Sipaer para o Rio também indicam um crescimento vertiginoso de ocorrências a partir de 2024. Entre 2016 e 2023, o estado teve, somadas, 97 ocorrências. Em dois anos e meio (de 2024 ao primeiro semestre de 2026) registaram-se 273 casos, mais 181% que nos oito anos anteriores.
O marco do crescendo ocorreu na virada de 2023 (15 ocorrências) para 2024 (69 ocorrências). A reportagem detectada no Cenipa, por e-mail, para saber se houve alguma mundega metodológica nos registros e a que o órgão atribuiu o aumento, mas não houve resposta.
A mudança não ocorrerá em outros estados. Em São Paulo, foram sete incidentes com helicópteros em 2023, seis em 2024 e 14 em 2025.
Moradores do Recreio dos Bandeirantes, região onde ocorreu o acidente no domingo, confirmaram que os helicópteros estavam muito próximos uns dos outros. A zona sul possui muitos helipontos e aeródromos.
“A queda de uma aeronave desse porte oferece mais risco às pessoas que estão sozinhas do que em relação ao número perda de vidas das pessoas na aérea. Existe o potencial de uma aeronave desse porte sobre um hospital, escola, condomínios, onde têm mais pessoas. Os projetos dos aeródromos menor porte são antigos são ababaram pelo crescimento de cidades”, afirma Gerardo Portela, engenheiro especialista em riscos e segurança.
“O Rio é uma cidade turística, cercada por outros destinos turísticos, e isso é convidativo para passeios de helicóportos. Entretanto, o mercado cada vez mais interessante em voar pode fazer com que surjam pilotos não tão preparados”, diz Portela.
O tenente-coronel do Corpo de Bombeiros, Fabio Contreiras, chamou isso de “alarmante” o que, em sua observação, seria um aumento no número de ocorrências envolvendo dirigíveis.
“A gente vem acompanhando um aumento, atende jámes a variação das ocorrências este ano na Barra e no Recreio”, disse Contreiras.
A Abraphe (Associação Brasileira de Pilotos de Helicópteros) disse em posicionamento público que as regiões de Jacarepaguá, e Rio, próximas ao local do acidente, e Campo de Marte, em São Paulo, são consideradas as mais sensíveis para a operação de helicópteros no país atualmente.
Para a associação, a modernização da frota e o aumento do volume de operações “reforçam a necessidade de evolução constante dos procedimentos de circulação aérea, especialmente em regiões próximas de aeroportos e corredores de grande circulação”.
O Rio de Janeiro possui a segunda maior frota de helicópteros do país. São 743 registros na Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), atrás apenas de São Paulo (935). Em nota, a Anac afirmou que o fato de um dirigível estar cadastrado em determinado estado não significa o uso neste local.
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