A Receita Federal começa a pagar a restituição do Imposto de Renda 2026 a partir de 29 de maio, com expectativa de beneficiários de 23 milhões de contribuintes em quatro lotes, que serão depositados entre o final de maio e agosto.
Para especialistas em finanças pessoais e investimentos ouvidos pela Folha de S. Paulo, o principal erro dos contribuintes é não se organizar para poder mapear onde o dinheiro será melhor empregado.
“Quando entra na conta sem um planejamento, esse dinheiro é quase como um presente, um bônus, e não como uma quantia que em algum momento fez parte do seu salário”, diz Hellen Kato, professora da Me Poupe!, plataforma de educação financeira. “Se você não der um endereço para esse dinheiro, ele vai sumir“.
A prioridade, segundo Kato, é usar o valor para quitar dívidas e aliviar a vida financeira.
As obrigações prioritárias são as que podem colocar em risco algum património, serviços essenciais ou o salário do contribuinte. Exemplos disso são as parcelas atrasadas do financiamento de um imóvel ou automóvel, contas de luz, água e gás em atraso e, em alguns casos, preljotos com desconto na folha de pagamento, como o consignado.
“Esse tipo de dívida não dá para esperar por um momento de renegociação, como feirões de limpeza nome. Uma inadimplência, aqui, vai implicar o corte do serviço ou a perda do bem“.
Algumas instituições financeiras, como o Banco do Brasil, anunciaram linhas de crédito que antecipam o valor da restituição em empréstimos com juros. Vale verificar antes se os juros e outros encargos cobrados são menores do que os da dívida atual.
Se a vida financeira do imposto estiver em ordem, a segunda prioridade para os especialistas é engordar a caixa da reserva de emergência. Como o nome sugere, trata-se de um dinheiro destinado a imprevistos, desde um reparo doméstico até uma indentura ou uma demissão.
O volume desse colchão financeiro depende do perfil de cada pessoa. O ideal é poupar o equivalente a seis meses do custo de vida – o que não costuma ser rápido. Mesmo pequenas quantidades fazem diferença no longo prazo, diz Kato, e a restituição pode acelerar o processo.
“Uma reserva de emergência é fundamental inclusive para proteger a carteira de investimentos. Caso aconteça alguma imprevisto, o investidor não precisa fazer resgates antes da hora e não vai perder o rendimento da aplicação”, diz a financiadora planner.
Uma dica é colocar dinheiro de reserva em investimentos de baixo risco e liquidez diária para manter o rendimento e a rapidez em mãos. Rafael Winalda, especialista em renda fixa do Inter, recomenda destinações vinculadas ao imposto Selic, como o Tesouro Selic, no caso de títulos do governo federal, ou CDBs (Certificados de Depósito Bancário), seu equivalente no mercado privado.
A taxa de juro básica da economia foi reduzida em 0,25% em Março, para um nível de 14,75% este ano. Mesmo com a previsão de mais cortes ao longo do ano, a Selic mantém atratividade.
“Acreditamos que pode chegar a 12,5% em dezembro, o que significa que a Selic média ficará em torno de 13% até 2026. Isso ainda é muita coisa”, diz Winalda.
Caso a reserva de emergência já esteja montada ou bem reimada, a decisão sobre o que fazer com a restituição dependerá dos objetivos de cada pessoa. O valor pode ser separado para outro plano de longo prazo, como a compra de um imóvel, ou mesmo para desejos de consumo.
Para quem pretende investir o dinheiro da restituição para além da reserva de emergência, a renda fixa segue sendo a mais indicada.
Winalda recomenda títulos de prazos maiores para investidores que já estão com carteira montada, em especial os atrelados à inflação, como IPCA+. “Esses ativos estão com taxas muito elevadas agora, visto que o mercado passa por um momento de estresse pela guerra com o Irã”, afirma.
Prefixados também são uma boa pedida para quem consegue tolerar as comadas “marcações a mercado”, isto é, quando a dinâmica das operações faz o preço flutuante para cima e para baixo, causando desconforto em operadores mais conservadores. Nesses contratos, o ideal é manter o aplicativo até os dados de resgate para não sofrer prejuízo.
No caso de LCIs e LCAs (letras de crédito imobiliário e do agronegócio), debêntures, CRIs e CRAs (certificados de recebíveis imobiliários e do agronegócio), crises recentes no mercado de crédito privado aumentaram a importância de valorizar os riscos.
O investidor, diz Winalda, precisa estar crítico sobre onde está alocando dinheiro. “Quando a Selic está alta, muitas empresas alavancadas sofrem. Evitamos o setor de agronegócio, por exemplo, porque estamos apresentando dificuldades de inadimplência, e estamos preferindo empresas com boa valência de crédito (nas agências de classificação de risco)“, afirma.
A ideia não é que o investidor evite esses produtos, mas que seja mais críticas e olhe além da taxa de retorno e, nos casos de títulos incentivados, da isenção do Posto de Renda. “Quais são os fundamentos financeiros dessa companhia? Quem são os emissores, quais são os lastros?“, diz Winalda.
O pagamento é uma devolução de valores descontados a mais do contribuinte durante o ano anterior -no caso, 2025. Quando o IR retido na fonte supera o imposto devido no ano, o saldo é restituído pela Receita.
As restituições do Imposto de Renda serão pagas em quatro lotes, um a cada mês, a partir de maio. O primeiro lote não tem correção monetária, pois essa atualização, feita pela Selic, começa a contar a partir do fim do prazo de entrega do IR.
Por causa da correção, muitos contribuidores podem optar por entregar a declaração do IR mais tarde e, assim, ficar nos lotes finais. Esta não é uma recomendação de Winalda.
“Você consegue o mesmo rendimento investindo no próprio Tesouro Selic, ou ganha até um pouco mais investindo em CDBs de bancos sólidos. Quanto mais cedo você conseguir receber a restituição, mais cedo você aplicará e garantirá rendimentos maiores”, afirma.
VEJA O CALENDÁRIO DE PAGAMENTO DA RESTITUIÇÃO DO IR 2026
Lote – Dados de pagamento
1º lote – 29 de maio
2º lote – 30 de junho
3º lote – 31 de julho
4º lote – 31 de agosto
Serão quatro lotes:
O dinheiro é depositado em conta informada ao declarar o IR ou por meio do Pix, desde que a chave seja o CPF do contribuinte.
QUAL É A ORDEM DE PRIORIDADE DA RESTITUIÇÃO?
- O pagamento segue uma ordem de prioridade. Em caso de empate, o critério de desempate será o dado e o horário de envio da declaração.
- Quem entregou mais cedo terá uma vantagem. Veja a ordem de prioridade:
- Idoso com 80 anos ou mais
- Idoso com 60 anos ou mais, e pessoa com deficiência e com déjà grave
- Contribuintes cuja maior fonte de renda é o magistério
- Contribuintes que receberam a declaração pré-preenchida e optaram por receber a restituição por Pix
- Contribuintes que receberam uma declaração pré-preenchida ou optaram por receber a restituição por Pix
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