A UEFA anunciou uma punição ao atacante argentino Gianluca Prestianni, do Benfica, após um episódio envolvendo o jogador brasileiro durante a partida contra o Real Madrid, pela Liga dos Campeões. O atleta foi suspenso por seis jogos por “possível conduta discriminatória”, segundo comunicado oficial da entidade.
De acordo com o Comitê de Controle, Ética e Disciplina da UEFA, a organização também solicitou que a FIFA amplie a punição para todas as competições oficiais em nível mundial, o que incluiria até mesmo futuras convocações para a Copa do Mundo.
A decisão estabelece que, dos seis jogos de suspensão, três terão caráter suspenso por um período probatório de dois anos. Isso significa que essas partidas só serão aplicadas caso o jogador volte a cometer infrações semelhantes dentro desse prazo. Um dos jogos de suspensão já foi cumprido em 25 de fevereiro, durante a fase eliminatória da Champions League 2025/26 entre Benfica e Real Madrid.
O comunicado oficial detalha a decisão:
“Suspender o jogador do SL Benfica, Gianluca Prestianni, por um total de seis (6) partidas oficiais de clubes e/ou seleções nacionais da UEFA para as quais ele seria elegível, por conduta discriminatória (ou seja, homofóbica). A suspensão de três (3) dessas partidas está sujeita a um período de prova de dois (2) anos a partir da data desta decisão”.
E acrescenta:
“Esta decisão inclui a suspensão provisória de uma partida já cumprida pelo jogador durante o confronto da UEFA Champions League 2025/26 disputado em 25 de fevereiro de 2026 entre Real Madrid CF e SL Benfica”.
A investigação foi conduzida por um inspetor de Ética e Disciplina da UEFA, que analisou denúncias de possível conduta discriminatória. A punição abrange jogos oficiais de clubes e seleções, caso o atleta esteja elegível.
O caso teve origem em acusações feitas pelo atacante Vinícius Júnior, do Real Madrid, que relatou ter sofrido insultos racistas durante a partida. Segundo informações divulgadas pela ESPN, o jogador argentino afirmou em depoimento que teria usado o termo “maricón” contra o brasileiro, e não “mono”, como inicialmente apontado nas denúncias.
Antes da decisão final, a UEFA já havia aplicado uma suspensão provisória de um jogo ao atleta, que o impediu de atuar no segundo confronto da eliminatória contra o Real Madrid, com base em uma “violação prima facie do artigo 14 do Regulamento Disciplinar”, relacionado a conduta discriminatória.
O Benfica saiu em defesa do jogador desde o início do caso. O presidente do clube, Rui Costa, afirmou que confia no atleta e negou qualquer prática racista.
“Prestianni é tudo, menos racista. Defendemos o jogador”, declarou.
O dirigente também reforçou o apoio ao atacante:
“Creio na palavra do nosso jogador. O Benfica está protegendo o seu atleta. Não há nada provado”.
O técnico José Mourinho também teria manifestado apoio ao jogador durante o processo.
Em entrevista à TV argentina, Prestianni negou as acusações e disse que se sentiu injustiçado:
“Me doeu ser tratado por algo que nunca fiz. Estou tranquilo porque quem me conhece sabe quem eu sou”.
Ele também relatou o impacto do episódio na família:
“Meu pai estava lá e ficou muito mal com tudo o que ouviu. Eu pedi para ele não reagir, porque tudo cresce muito rápido”.
Apesar das defesas do clube e do jogador, a UEFA concluiu o processo disciplinar e aplicou a suspensão de seis partidas, além de solicitar que a punição tenha alcance global junto à FIFA.