O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou nesta quarta-feira (22) que o Brasil pode adotar a reciprocidade contra os Estados Unidos em resposta à tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, mas que a medida será aplicada com cautela e “quando for necessário”. A declaração foi dada em entrevista à Rádio Bandeirantes.
“Gosto de dizer que se você for adotar a reciprocidade, você precisa ferir o adversário, não apenas irritá-lo, porque senão você perde o controle, o domínio da negociação. O Brasil tem esse instrumento, vai usar esse instrumento, mas quando for adequado, quando for necessário”, afirmou o secretário-executivo.
A Lei de Reciprocidade, aprovada pelo Congresso e sancionada no início de 2025, prevê medidas como a imposição de tarifas sobre produtos americanos, a retirada de benefícios comerciais e a suspensão de direitos de patentes ou propriedade intelectual.
Impacto das tarifas e negociações
A nova tarifa, imposta pelo governo de Donald Trump, entrou em vigor nesta quarta-feira (22) e afeta US$ 7,2 bilhões das exportações brasileiras para os EUA — o equivalente a 18,9% do total de US$ 38 bilhões exportados.
O secretário-executivo destacou que houve mais de 30 reuniões ao longo de 30 dias para debater os termos que levaram à aplicação da tarifa, mas que os EUA tomaram uma decisão que “não corresponde à realidade”.
“O Brasil negociou, foram mais de 30 reuniões. Em todas, alguma proposta e alguma discussão. Mas é difícil demover quando a outra parte tem dificuldade para se conectar com a realidade”, frisou.