O cheiro de peixe defumado tomou conta da sede da Prefeitura de Pontal do Paraná nesta sexta-feira (18). Em meio à programação do Festival de Gastronomia Caiçara, o município celebrou o Dia Municipal da Cambira com uma degustação gratuita do prato típico, preparada pela chef Marinalva Inocêncio, referência na culinária caiçara do litoral paranaense.
Servidores, contribuintes e moradores que estavam no local para resolver questões administrativas foram surpreendidos pela ação. “Esse registro vai dar idicação geográfica ao prato. A Cambira vai pertencer oficialmente a Pontal do Paraná”, destacou Marinalva, que também integra a Associação Aprocampo, formada por produtores de Cambira. “Com isso, a visibilidade aumenta. O turista vem atrás daquilo que é nosso, que tem raiz. É orgulho e oportunidade juntos.”
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Marinalva Inocêncio aguarda o selo de Idicação Geográfica da Cambira em Pontal. Foto: Diogo Monteiro/ JB Litoral -
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Nathalia Franzói diretora de Turismo de Pontal do Paraná. Foto: Diogo Monteiro/ JB Litoral -
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Renato Hundsdorf experimentou pela primeira vez a cambira caiçara. Foto: Diogo Monteiro/JB Litoral
Para quem ainda não conhece, a Cambira é um prato feito com tainha defumada cozida com banana-da-terra, banana caturra e acompanhada de pirão. A combinação remete às tradições caiçaras e agora ganha destaque como símbolo do patrimônio local.
Valorização
“Julho é mês de fartura de tainha, e foi por isso que escolhemos esta data para o Dia da Cambira. Coincide com o festival e valoriza nosso título de capital estadual da Cambira”, explicou Nathalia Centurión Franzói, diretora de Turismo do município. Segundo ela, muitos moradores ainda não conheciam o prato, o que motivou a iniciativa de levá-lo para dentro da rotina da cidade.
“A gente leva a Cambira para eventos fora do estado, mas percebemos que aqui dentro ainda havia um desconhecimento. Então resolvemos trazer a experiência para dentro da própria prefeitura, para todos terem a chance de experimentar”, contou a diretora.
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Cambira é um prato feito com tainha defumada cozida com banana-da-terra, banana caturra e acompanhada de pirão. Foto: Diogo Monteiro/JB Litoral -
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Cambira é um prato feito com tainha defumada cozida com banana-da-terra, banana caturra e acompanhada de pirão. Foto: Diogo Monteiro/JB Litoral -
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Cambira é um prato feito com tainha defumada cozida com banana-da-terra, banana caturra e acompanhada de pirão. Foto: Diogo Monteiro/JB Litoral -
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Cambira é um prato feito com tainha defumada cozida com banana-da-terra, banana caturra e acompanhada de pirão. Foto: Diogo Monteiro/JB Litoral
Um desses curiosos foi Renato Hundsdorf, morador de Campo Largo e frequentador de Shangri-lá. Ele esteve na prefeitura para pagar um imposto e acabou conhecendo a Cambira. “Eu adoro frutos do mar, mas nunca tinha ouvido falar da Cambira. Quando senti o aroma, já sabia que ia ser bom e é melhor ainda. O peixe defumado com banana tem um sabor surpreendente. Aprovadíssimo.”
O reconhecimento oficial da Cambira como patrimônio gastronômico está cada vez mais próximo. O processo para obtenção do Selo de Indicação Geográfica (IG) está em andamento, com apoio da prefeitura e protagonismo dos produtores locais. “Esse prato carrega uma história, um modo de fazer que vem de gerações. É parte da nossa identidade e precisa ser valorizado. A Cambira não é só sabor, é a nossa cultura dentro da panela”, resume Marinalva.
Enquanto isso, o Festival de Gastronomia Caiçara segue até o fim do mês, com a participação de 38 restaurantes, sendo 15 deles concorrentes no concurso de pratos típicos.