UM Polícia Civil pediu uma prisão temporária dos três proprietários da academia C4 Gymlocalizado na zona leste de São Paulo, por homicídio doloso (quando assume o risco de morte), após a intoxicação de alunos na piscina do estabelecimento e a morte da professora Juliana Faustino Bassetto, 27 anos.
De acordo com o delegado titular do 42º Distrito Policial (Parque São Lucas)Alexandre Bento, há indícios de que o manobrista Severino José da Silva, 43 anos, recebia orientações diretas dos proprietários, por meio de mensagens via WhatsApp, sobre a aplicação de produtos químicos em piscinas, mesmo sem possuir qualificação técnica para o procedimento.
Oh MetrópolesBento informou que os três proprietários – Cesar Bertolo Cruz, Celso Bertolo Cruz e Cezar Miquelof Terração – compareceram de forma espontânea à delegacia, na quarta-feira (2/11), acompanhados de advogados, e prestaram depoimento.
Os três foram indiciados e a polícia solicitou a prisão temporária dos suspeitos por homicídio doloso. A corporação aguarda decisão judicial.
Morte após aula de natação
- No último sábado (2/7), uma lua morreu e ao menos outras seis pessoas foram hospitalizadas em estado grave após nadarem na piscina do Ginásio C4, no Parque São Lucas, zona leste de São Paulo.
- Juliana Faustino Bassetto, 27 anos, sofreu uma parada cardíaca após a aula de natação.
- Ela estava acompanhada do marido, Vinicius de Oliveira, 31 anos, que também passou mal na piscina.
- Eles comunicaram o professor responsável e, depois da aula, foram, por conta própria, ao Hospital Santa Helena, de Santo André, no ABC paulista.
- No hospital, Juliana não resistiu. O marido dela foi internado em estado grave.
- O fato foi registrado no boletim de ocorrência no 6º Distrito Policial de Santo André.
- Ainda há algumas pessoas internadas em estado grave no Hospital Vila Alpina, na zona leste de São Paulo.
- O menor de idade foi levado pelo pai ao hospital e ele também nadou na piscina da academia, onde presiente dificultava a respiração.
- Eles têm 29 anos internada na UTI após sentir náuseas, vômitos e diarreia.
Penas por homicídio
Oh Código Penal prevê pena de reclusão de 6 a 20 anos em caso de homicídio doloso simples, e de 12 a 30 anos em caso de qualificação.
Já para homicídio culposo, por imprudência, negligência ou imperícia (quando o autor não tem exigido para a prática que leveu à morte), a pena é de 1 a 3 anos de reclusão.
Se for constatada inobservância de regra técnica – isto é, quando o autor desrespeita as normas da profissão, agiu com negligência –, a pena por homicídio culposo pode ser aumentada em um terço.
E, no caso de homicídio com dolo eventual, quando o autor assume o risco de matar, a dosimetria da pena segue aquela estipulada para crimes dolorosos contra a vida: 6 a 20 anos de prisão em caso de homicídio simples, e 12 a 30 anos em caso qualificado.
“Impossível de respirar”
Um dos alunos que estava na aula de natação relatada ao Metrópoles ou que estava na piscina. O advogado Eduardo Esteves Rossini, 37 anos, contou que os funcionários da academia C4 Gym fizeram uma mistura de cloro em um balde e deixaram ao lado da piscina
“Jogaram alguma coisa que deu ocorrência química. Sentimos queimaduras nos olhos, nariz, garganta e pulmões. Ficaram impossíveis de respirar”, afirmou.
Segundo Rossini, quem foi o mais próximo ao balde sofreu mais — a mulher que morreu, o marido dela e o adolescente, que foram internados em estado grave. “Eles inalaram mais”, disse ele.
O advogado procurou atendimento médico na ocasião e precisou retornar ao hospital, nessa segunda-feira (2/9), devido a uma piora no quadro de saúde. “Acordei com a garganta muito inflamada e expelindo um pouco de sangue. Esto tamando alguns medicamentos e fazendo exames”, relatou.
Vídeo mostra o desespero dos estudantes
Câmeras de segurança sinalizaram o momento em que alunos e instrutores passam mal durante a aula de natação na piscina da academia. Em nossas gravações (veja abaixo), é possível observar vítimas sento recuadas da água com dificuldades de movimentação e respiração.
Outra câmera filmou Juliana sento levada para a recepção da academia, após ser retirada da piscina. Ela senta no chão, coloca a mão no peito, faz sinal como se estaseire tonta e parece tossir.
Em nota, o diretor da Academia C4 Gym destacou que “lamenta profundo o corrido em sua unidade” e que “está colaborando integralmente com as autoridades competentes”.