As pequenas e médias empresas (PMEs) brasileiras chegam a 2026 dispostas a movimentar o mercado de trabalho. Segundo levantamento inédito da Sólides, HR Tech voltada à gestão de pessoas no segmento, 83,7% dos pequenos e médios negócios pretendem abrir vagas ao longo do ano. Apenas 2,9% descartam a hipótese de contratar, enquanto 13,3% ainda avaliam o cenário antes de definir o passo seguinte.
A pesquisa ouviu 953 empresas, com média de 126 funcionários, de diferentes setores e estados, entre 7 de janeiro e 9 de fevereiro deste ano.
Contratações distribuídas ao longo do ano
Outro recorte do estudo aponta que o ritmo de admissões deve ser constante. Para 63,3% das empresas ouvidas, as contratações ocorrerão ao longo de todos os meses de 2026. Já 14% concentram a expectativa no primeiro trimestre, e 6,1% citam vagas de caráter sazonal.
Com isso, o segmento mostra menos dependência de picos pontuais e desenha um movimento sustentado de geração de postos de trabalho.
Expansão supera reposição entre as PMEs
Quando questionadas sobre o motivo para abrir vagas, 40,7% das empresas citam o crescimento de demanda ou receita como razão principal. A reposição de turnover aparece em seguida, com 32,3%, e a abertura de novas áreas ou produtos responde por 14,1% das respostas.
“O dado mais relevante é que a maior parte das empresas está contratando por expansão de demanda e não apenas por reposição. Isso mostra um ambiente de negócios mais aquecido e PMEs mais confiantes em seus planos de crescimento”, afirma Ale Garcia, co-CEO e cofundador da Sólides.
Para o executivo, contudo, a saída de funcionários ainda pesa nos quadros: “A reposição de turnover ainda é significativa, o que reforça a importância de investir em gestão, engajamento e retenção de talentos.”
Pequenos negócios sustentam o emprego formal
Os números da Sólides convergem com indicadores do mercado formal. De janeiro a novembro de 2025, micro e pequenas empresas responderam por sete em cada dez empregos gerados no país, somando mais de 1,3 milhão de contratações com carteira assinada, conforme levantamento do Sebrae com base no Caged.
Na própria carteira da Sólides, o movimento já aparecia em 2025. A base de mais de 45 mil clientes ampliou o quadro de pessoal em 18,8%, com mais de 400 mil admissões no período.
Trabalho presencial segue padrão nas PMEs
A modalidade presencial continua dominante entre as vagas previstas. 81,3% dos respondentes indicam contratações no formato presencial, ante 14,3% que apostam no híbrido e 4,3% no remoto.
O vínculo formal também predomina. A CLT é o regime escolhido por 84,2% das empresas, seguida pelo modelo PJ, com 9,5%.
Serviços lidera e São Paulo concentra demanda
Por setor, Serviços puxa a amostra, com 23,6% das respostas, seguido por Comércio (18,6%) e Indústria (11,7%). No recorte geográfico, São Paulo concentra 31,3% dos participantes, à frente de Minas Gerais (17,9%) e Santa Catarina (7%).
Falta de qualificação trava avanço das PMEs
Apesar do cenário favorável, há entraves para ampliar quadros. A principal barreira apontada pelas empresas é a falta de candidatos qualificados, citada por 16,1% dos respondentes. Em seguida vêm rotatividade (4,9%), incerteza econômica (3,9%) e custo de contratação (3,7%).
“Existe uma combinação interessante: as empresas querem contratar e estão crescendo, mas enfrentam um gargalo claro de qualificação profissional. Isso reforça o papel da tecnologia e da inteligência de dados para apoiar processos seletivos mais assertivos e reduzir impactos de rotatividade”, conclui Garcia.