Reajuste médio está menor que ano passado em 255 operadoras, enquanto índice é maior em 189 operadoras de planos de saúde, de acordo com ANS
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) divulgou, nesta segunda-feira (1), os índices de reajustes aplicados a planos de saúde coletivos aplicados até agosto de 2025. Até o momento, o reajuste médio do setor foi de 11,15%, índice semelhante ao praticado em 2022 e menor que nos dois últimos anos.
A atualização do Painel de Reajuste Coletivo ocorre desde 2019, mas esta é a primeira vez que a agência realiza a divulgação por meio de webinário. Ele é atualizado semestralmente, com dados enviados pelas operadoras a cada três meses. O maior índice da série histórica ocorreu em 2016, quando foi aplicado um reajuste médio de 15,74%.
“189 operadoras aumentaram o reajuste médio do ano passado para esse ano e 255 reduziram o reajuste médio. Observamos que, além do número geral, há mais operadoras reduzindo o reajuste médio que aumentando, mas não são todas”, explicou Claudia Akemi Ramos Tanaka, coordenadora de Monitoramento Econômico-Financeiro dos Produtos da ANS, durante apresentação.
Entre as maiores operadoras em número de vidas, a Hapvida teve reajuste médio em contratos coletivos de 12,5%, considerando apenas o código de registro da mesma na ANS. A Notre Dame Intermédica, que pertence à Hapvida, teve um índice médio de 11,1%. A Amil tem um índice médio em 2025 de 17%, o mais alto entre as maiores operadoras do setor. Já SulAmérica e Bradesco, respectivamente, tiveram média de 14% e 12,4%.
“O reajuste médio dos planos coletivos por adesão é maior que dos planos empresariais, que é maior que os planos individuais, que o teto é calculado e autorizado pela ANS”, explicou Daniele Rodrigo Campos, gerente econômico-financeira e atuarial de Produtos da ANS. Ela afirma que o IPCA não deve ser utilizado como referência na hora de avaliar o reajuste.
De acordo com a ANS, apenas 3,9% de reajustes foram considerados atípicos em 2025, estando a maior parte dentro dos índices esperados pela agência, com base nas informações das operadoras. Campos reforçou que a grande maioria dos beneficiários tiveram um reajuste dentro da normalidade.
A divulgação serviu para a ANS reforçar a defesa da ampliação do chamado pool de risco, que estabelece um reajuste único para todos os contratos de até 30 vidas dentro de uma mesma operadora. Atualmente, a agência discute a ampliação desse pool para 400 vidas. O tema já passou por consulta pública e deve ter uma versão final em breve.
“A diluição de risco, de contratos até 30 vidas, não está mais surtindo o efeito desejado. Esse é um dos motivos de termos feito a análise de resultado regulatório e sugerido alteração do tamanho do agrupamento para fins de reajuste único”, explica Daniele, que aponta que houve um distanciamento da diferença entre os reajustes a partir de 2016, se exacerbando em 2021.
Até o momento, o reajuste médio em 2025 é de 14,81% no pool de risco, enquanto contratos acima de 30 vidas têm índice médio de 9,95%. Também houve um aumento no número de vidas nesses contratos de até 30 vidas. Cerca de 14% dos beneficiários estavam em contratos coletivos de até 29 vidas em 2014, número que chega a 24% em 2025. No início da série histórica, havia 4,7% de contratos de até 5 vidas, número que saltou para 15% neste ano.