Com uma bancada composta por dez deputados federais, o Piauí vê seu poder legislativo em Brasília pendendo para as mãos do governador Rafael Fonteles (PT). O alinhamento estratégico de nomes tradicionais no Partido dos Trabalhadores (PT) e de aliados consolida a influência do Palácio de Karnak nos rumos da política nacional.
A bancada federal terá uma alteração drástica nas Eleições de 2026. O deputado Júlio César (PSD), o nome mais votado no Piauí para a Câmara dos Deputados, com 134.863 votos nas Eleições de 2022, confirmou sua ida para a disputa majoritária, compondo com Marcelo Castro (MDB) a chapa que tentará garantir as duas vagas do Piauí no Senado. O objetivo do grupo é consolidar uma base governista ainda mais forte em Brasília para sustentar os planos de reeleição de Rafael Fonteles e do presidente Lula.
Oposição clara à gestão petista, o Progressistas mantém a mesma postura em Brasília. Na Câmara, a bancada do PP é formada por Júlio Arcoverde e Átila Lira, que atuam contra a agenda governista em pautas ideológicas, mas mantém a praticidade na liberação de emendas. Enquanto Arcoverde ganha projeção nacional na articulação partidária, Átila Lira aposta na manutenção de seu eleitorado tradicional no interior para resistir ao avanço da gestão estadual.
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Atualmente, a bancada do Piauí na Câmara dos Deputados é composta por Átila Lira (PP), Castro Neto (PSD), Dr. Francisco (PT), Flávio Nogueira (PT), Florentino Neto (PT), Jadyel Alencar (Republicanos), Júlio Arcoverde (PP), Júlio César (PSD), Marcos Aurélio Sampaio (MDB) e Merlong Solano (PT).
No Senado Federal, a base conta hoje com Marcelo Castro (MDB), que é pré-candidato à reeleição, e Jussara Lima (PSD), que ocupa a cadeira de Wellington Dias (PT), atual ministro do governo Lula. Na oposição está Ciro Nogueira (PP), presidente nacional da sigla e principal força de enfrentamento ao governo estadual.
Quem ganha protagonismo e projeção?
Nomes que já exercem cargos na Câmara e no Senado permanecem com grande destaque no período de pré-campanha de 2026. Um deles é o deputado federal Júlio César (PSD), que busca mudança de casa dentro da Praça dos Três Poderes, se movendo em direção ao Senado para sentar em uma das cadeiras que estão vagas. Apoiado por Rafael Fonteles, o parlamentar aparece em segundo lugar nas pesquisas, atrás apenas de Marcelo Castro (MDB), com quem compõe a chapa majoritária da base governista no Piauí.
Senador Marcelo Castro (MDB) e Deputado Federal Júlio César.Foto: Montagem/Divulgação/ ND MaisAs articulações de Marcelo Castro para sua pré-campanha também estão causando movimentações nos bastidores. Além do apoio do governador do estado, o pré-candidato à reeleição recebeu o apoio do prefeito de Teresina, Sílvio Mendes (União Brasil), liderança com enorme influência na capital e que faz historicamente parte da oposição ao PT no estado. O prefeito declarou Castro como seu segundo voto para o Senado, já tendo consolidado o apoio a Ciro Nogueira (PP), seu principal aliado político.
A força e a disputa interna na chapa proporcional do PT
O Partido dos Trabalhadores possui quatro nomes que buscam a reeleição na Câmara. No entanto, devido às estratégias do grupo político governista, quadros históricos como Merlong Solano (PT) e lideranças consolidadas no MDB, como Marcos Aurélio Sampaio, podem enfrentar uma grande concorrência interna com candidatos que possuem forte aliança e presença nas prefeituras do interior do Piauí.
Já deputados como Dr. Francisco (PT) e Florentino Neto (PT) se apoiam na atuação voltada para áreas estratégicas, como a saúde pública. Essa inserção proporciona a esses parlamentares uma base sólida na busca da renovação do mandato em 2026, reduzindo a dependência exclusiva das articulações da gestão estadual.
O quarto nome petista na Câmara dos Deputados é Flávio Nogueira, que também busca a reeleição no pleito de 2026. O político conta com sua trajetória na área da saúde e com o apoio de seu filho, o deputado estadual Flávio Nogueira Júnior (PT), que preserva as conexões do pai e busca ampliar as suas próprias relações nos bastidores da política piauiense, isso garante ao parlamentar base para expandir sua campanha no período eleitoral.
No Senado e na Câmara: Como os parlamentares do PP articulam a resistência
Uma das frentes do Progressistas na Câmara dos Deputados é Júlio Arcoverde. O parlamentar dedica seus esforços na busca por projeção nacional e em articulações partidárias estratégicas, atuando firmemente contra as pautas ideológicas e fiscais do governo federal.
Deputado Federal Júlio Arcoverde (PP), Senador Ciro Nogueira (PP), e Átila Lira (PP).Foto: Montagem/Divulgação/ND MaisOutro nome que sustenta a força do PP no Congresso é Átila Lira. Personalidade muito presente na política do Piauí e com grande capacidade de movimentar os bastidores, o deputado amplia seu espaço em Brasília ao assumir a presidência da Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara, transformando o cargo em uma vitrine técnica para blindar suas bases no interior.
A principal barreira que contém o avanço do bloco governista no Piauí é o senador Ciro Nogueira (PP). Presidente nacional da sigla, ele atua em Brasília para garantir que os municípios geridos pela oposição continuem recebendo um fluxo considerável de recursos federais. A estratégia tem como objetivo blindar as prefeituras aliadas e reduzir a dependência financeira em relação ao Palácio de Karnak.
Baque regional: Progressistas encolhe e perde espaço na Alepi
O Progressistas resiste em Brasília, mas levou um grande baque regional. A sigla perdeu quatro deputados na Alepi (Assembleia Legislativa do Piauí), que mudaram de partido. Outros quatro nomes permanecem na sigla, mas desistiram da reeleição.
Deputada Estadual Bárbara Soares, Deputada Estadual Gracinha Mão Santa (MDB), Deputado Estadual Thales Coelho (PT), e Deputado Estadual Marden Menezes (PSD).Foto: Montagem/Divulgação/ND Mais- A deputada Gracinha Mão Santa saiu do Progressistas e se filiou ao MDB.
- Bárbara Soares mais conhecida como Bárbara do Firmino, teve sua relação com a sigla estremecida após se alinhar com Rafael Fonteles (PT), o que resultou em uma “desfiliação amigável”. Recentemente, ela anunciou que não concorrerá à reeleição e permanece sem partido.
- Thales Coelho, assim como Bárbara, teve sua relação com o partido abalada após se alinhar com a gestão de Rafael. Com carta de anuência, ele saiu do Progressistas e se filiou ao Partido dos Trabalhadores (PT).
- Marden Menezes foi expulso do Progressistas por infidelidade partidária após se alinhar com o governo de Rafael Fonteles. Diferente de Bárbara e Thales, Menezes não protocolou o pedido de carta de anuência e, portanto, acabou sendo expulso da sigla. Ele agora está filiado ao PSD.
Nomes que permanecem na sigla, mas não concorrem à reeleição nas Eleições de 2026:
- Aldo Gil
- Wilson Brandão
- Dógim Félix
- Bessah Filho
O pragmatismo das emendas: Prefeitos governistas declaram apoio à bancada federal do PP
Apesar do encolhimento na Assembleia Legislativa, o Progressistas mantém sua força política por meio de alianças no interior do estado. Nos bastidores, a bancada federal da sigla detém o apoio de prefeitos que, embora estejam formalmente filiados a partidos da base governista de Rafael Fonteles, mostram fidelidade e compromisso com Ciro Nogueira.
Muitos dos gestores municipais alegam que a gestão estadual não atende às demandas das cidades, que os repasses são insuficientes, e o que resta é recorrer às emendas parlamentares.
Além da polarização: As estratégias de Castro Neto e Jadyel Alencar
O deputado federal Castro Neto, em ano eleitoral, usou a janela partidária para sair do PSD e retornar ao seu antigo partido, o MDB. A mudança busca não apenas dar volume à sua pré-candidatura à Câmara dos Deputados, mas também contribuir com a pré-candidatura à reeleição de seu pai, Marcelo Castro, ao Senado.
Nos bastidores, Jadyel Alencar (Republicanos) busca conversar diretamente com o governador Rafael Fonteles, ajustando as estratégias políticas e proporcionais para as eleições de 2026. O parlamentar utiliza essa comunicação direta com o Palácio de Karnak para alinhar o destino de suas bases eleitorais e garantir um espaço competitivo no pleito.