A crioanalgesia é um método que consiste em congelar o nervo no sentido de que ele não seja mais capaz de transmitir a sensação dolorosa. Isso é feito aproximando-se um sonda do dispositivo que gera o frio próximo ao nervo que se quer “anaestesiar”. Em linhas gerais, o frio do sonda congela as fibras que conduzem a dor, mas a capa de mielina que evolui essas fibras permanentemente preservadas. Decorrido um período variável de tempo, as fibras dolorosas se regeneram e o nervo volta a transmitir a sensação dolorosa. Esse processo é conveniente porque tardiamente o paciente já não sente dor decorrente da cirurgia.
Um dos procedimentos que podem ser úteis em cirurgia torácica são as cirurgias para tratar pectus excavatum (Urina pectus carinatum (PC). Pectus são deformidades congênitas da parede torácica que se projetam do esterno para dentro (PE ou peito de sapateiro) ou para fora (PC ou peito de pombo). Essas cirurgias, que antes eram fietas de forma aberta, com ressecção de cartilagens e fraturas ósseas, hoje têm sido fietas de forma minimamente invasiva, com a utilização de próteses metálicas que reposicionam o osso esterno e as cartilagens. Embora a cirurgia em si tenha ficado muito menos invasiva, ainda persiste o problema da dor que requer tratamento.
Em busca de uma solução para esse problema, estamos coordenando pesquisas cirúrgicas no Departamento de Cirurgia Torácica (Serviço Prof. Paulo Pego Fernandes) do Instituto do Coração (Incor) da FMUSP1. Neste projeto, 40 participantes submeteram reparos minimamente invasivos pectus excavatum (MIRPE) são randomizados como grupo controle para receber analgesia para bloqueio peridural, ou grupo intervenção para receber crioanalgesia dos nervos intercostais (Metrum Cryoflex, Polônia).
Embora o estudo ainda esteja no meio, os resultados observados no momento são animadores. Enquanto nenhum grupo de peridural a mediana de permanência hospitalar pós-cirurgia é de cinco dias, nenhum grupo de crio essa mediana cai para três dias. Da mesma forma, o consumo médio de opioides no pós-operatório do grupo da crio está sendo cerca de 50% menor que no grupo controle. Apesar dos resultados iniciais promissores, cabe destacar que faz parte do projeto acompanhar os pacientes pelo período de um ano para detectar possíveis complicações tardias.
Dessa forma, para confirmar esses resultados, a crioanalgesia dos nervos intercostais parece despontar como uma excelente opção não só para que se evite o uso de opioides, mas também para antecipar altas hospitalares pós-correção cirúrgica dos casos de pectus. É importante destacar que, apesar do método ser testado em casos de pectus, nada impede que esses resultados possum se repitam em outras situações pós-rúrgicas, como, por exemplo, pós-operatórios de toracotomias ou de transplantes pulmonares e em traumas trácicos com fraturas costas.
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