Sistemáticas irregularidades que envolvem a atuação da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) voltaram a entrar no radar da Câmara Municipal de Guarulhos. Ao longo da sessão ordinária de segunda-feira (2), diversos parlamentares, da situação e da oposição, trocaram argumentos para emplacar duas comissões de autorias distintas, mas que versam sobre o mesmo tema. Em comum, ambas querem saber se as intervenções realizadas em toda a cidade contribuíram para o aumento das enchentes, em especial desde dezembro passado, época de maior volume de chuvas.
No final de fevereiro, a vereadora Fernanda Curti (PT) apresentou um pedido de criação de Comissão Especial de Inquérito (CEI) para questionar se as obras realizadas pela Sabesp ao longo de 2025 causaram aumento no volume de água nas vias da cidade nos primeiros meses do ano. Apesar de frisar que Guarulhos historicamente sempre enfrentou situações do gênero, a integrante da oposição apontou aumento no relato de moradores para ensejar a instalação de mais uma comissão.
Do outro lado, Danilo Gomes (Republicanos), integrante da base do prefeito Lucas Sanches (PL) argumentou na tribuna que o pedido de sua autoria tem “plena responsabilidade” ao não querer isentar as empresas de possíveis penalidades. Todavia, diferente do pedido da colega, o seu quer analisar as obras feitas antes de 2025, sem especificar um limite. Também enfatizou o compromisso do Executivo em cobrar a companhia de eventuais problemas.
Líder do governo, Geraldo Celestino (Mobiliza), rebateu os argumentos de Fernanda Curti ao relembrar que, durante o período em que Guarulhos foi governada por prefeitos de seu partido, a cidade mostrou pouco avanço para solucionar a questão do abastecimento de água, inclusive deixando de repassar recursos da Sabesp para o governo paulista. Ainda segundo Geraldo, o cenário hoje é diferente, pois a empresa, que atua no município desde 2018, já investiu em torno de R$ 5 bilhões para melhorar o tratamento de água e esgoto.