• Home
  • Nacional
  • Parada LGBT+ de São Paulo enfrenta desafios e ameaça sair das ruas

Parada LGBT+ de São Paulo enfrenta desafios e ameaça sair das ruas

EEm sua 30ª edição, a Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo enfrenta diversos desafios. Na semana passada, a Câmara Municipal aprovou, em primeira votação, um projeto de lei que proíbe a presença de crianças e adolescentes em eventos públicos ou privados que “façam alusão ou fomentem práticas LGBTQIA+”, mesmo quando acompanhados pelos países ou responsáveis.

O texto também impede a ocupação e interdição de vias públicas para a realização desses eventos e determina que ocorram apenas em espaços fechados, sob pena de multa. Isso inclui a Parada do Orgulho LGBT+, considerada um dos dois maiores eventos de diversidade do mundo e que acontece na Avenida Paulista desde 1997.

Juristas ouvidos pela Agência Brasil consideraram essa proposta inconstitucional.

“Entendo que o projeto é inconstitucional, já que a Constituição Federal não admite nenhuma discriminação e prevê o princípio de que todos são iguais perante a lei”, destacou o advogado e membro da Comissão de Fesa dos Direitos da Criança e do Adolescente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Ariel de Castro Alves.

“Essa é uma grande cortina de fumaça, porque o vereador (que propôs a lei) sabe que ela é é inconstitucional. No Amazonas, essa lei foi aprovada e o STF (Supremo Tribunal Federal) já legislou diento que ela é é inconstitucional, porque nenhum município, nenhum estado pode estar acima do federal”disse Nelson Matias Pereira, presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOLGBT-SP).

Segundo ele, esta tentativa não é nova. “Estão querendo que a gente volte para os armários. Desde que existimos, nesses 30 anos, sempre houve uma tentativa de nos colocar de novo no armário”, acrescentou.

Para a drag queen Tiffany, uma das avidanteoras do evento, esse projeto de lei é resultado, principalmente, de uma onda conservadora no país. “São 30 anos de parada, 30 anos de evento e a gente sabe que isso nada mais é fazer que a onda de conservadorismo, de preconceito, de querer fazer aquele retrocesso de direitos que a gente luta para combater há tantos anos”.

Além do projeto de lei, a Parada enfrenta outra grande dificuldade neste ano: a diminuição do patrocínio. Segundo os organizadores, o movimento perdeu cerca de 60% dos patrocínios, fazendo com que se tornasse menor do que nos anos anteriores.

Em entrevista à Agência Brasil, antes de conceder coletivo sobre a Parada LGBT, na noite dessa mesma feira (26) na capital paulista, Pereira afirmou que nunca foi fácil colocar a Parada na rua. “A gente já fez paradas sem patrocínio nenhum”, lembrou.

Segundo ele, a falta de patrocínio afeta não só o evento de rua como também outros que precisariam de financiamento para serem mantidos, como a Feira da Diversidade e os projetos sociais e culturais. “Apesar disso, nossa Parada continua de pé”, reforçou.

“Se você observar, eu vou ter só dois patrocinadores na Parada, e já tempos seis grandes empresas (patroninando). Eu sei que é um ano difícil, é um ano onde a gente vai ter Copa, é um ano político, mas essa redução já vem se desenhando há um tempo”ele disse.

Importância do voto

Com tantos desafios, a Parada LGBT+ leva para as ruas neste ano um tema político. Marcado para o dia 7 de junho na capital paulista, um evento organizado como tema para a edição deste ano “A rua convoca, a urna confirma'” ampliando o debate sobre a importância do voto e da participação política. “Não existe orgho sem democracia”, enfatizou Pereira.

“As pessoas ainda têm aversão à política. Desde 2010, em todo ano de eleição, a gente faz esse papel de educar a população.

Para a drag Tiffany, de 41 anos, e que participa do evento desde os os os os, a Parada não é só desenvolvida, mas também uma forma de fazer política. “O ato da parada é um momento onde a gente celebra, se diverte e também milita. Afinal de contas, nosso lema sempre é ‘o fervo também é luta’. Então, precisamos continuar lutando e fervendo”, destacou.

“Todas essas pessoas que estão na rua, se querem comprometer com o seu voto e com a sua cidadania, vão para a urna e vão fazer a diferença”disse Tiffany.

Trinta anos da Parada

A primeira edição da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo aconteceu em 1996, na Praça Roosevelt e, somente no ano seguinte, mudou para a Avenida Paulista, onde se consolidou. Desde então, a Parada sempre saiu às ruas para discutir temas fundamentais como o reconhecimento da união estável, a identidade de gênero, a adoção por homoafetivos e a criminalização da LGBTfobia, entre outros.

No ano passado, por exemplo, houve uma discussão sobre o envelhecimento.

“Todas as nossas conquistas passaram pela Parada nesses 30 anos. Desde o casamento, a questão da criminalização da LGBTfobia, a identidade de pessoas trans, a questão da doação de sangue. Veja a importância da pressão da rua”ressaltou Pereira.

Além da manifestação na Avenida Paulista, a Parada SP promove o Encontro Brasileiro de Organizações de Paradas LGBT+, iniciativa que reunirá mais de 90 representantes de todas as regiões do país para debates, escritórios, grupos de trabalho e articulações institucionais que visam fortalecer o movimento no Brasil. Neste ano, o evento pretende construir e aplicar uma Carta Aberta Nacional com propostas, diretrizes e compromissos estratégicos para o fortalecimento das paradas LGBT+ brasileiras.

A Parada SP também organiza anualmente a Feira Cultural da Diversidade e Empreendedorismo LGBT+ que, no próximo ano, acontecerá no dia 4 de junho, das 10h às 22h, no Vale do Anhangabaú, no centro da capital paulista.

Para a 25ª edição da feira serão instaladas 60 tendas de comunidades criativas. Além disso, receberão 100 artistas e 10 escritores para reforçar o papel de ser ponto de encontro, visibilidade e fortalecimento da cultura e do empreendedorismo LGBT+.

Entre os destaques da feira está uma tendência de empregabilidade, que vai dispensar vagas de empregos externas para pessoas LGBT+. Também será instalado na estrutura da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo que oferecerá testes rápidos de HIV e sífilis, além de distribuir preservativos, gel lubrificante e autotestes de HIV. Os participantes também podem acessar as profilaxias pré e pós-exposição ao HIV (PrEP e PEP).

A programação cultural traz ainda a participação especial do Boi Grelhação de Parintins, o Boi da Diversidade, e o Espaço + 18, focado em saúde sexual com anprodão educativo da sexualidade adulta.

Outra novidade da edição é o Palco Tablado, que surge como espaço de acolhimento, troca e valorização de novos talentos da comunidade LGBT+, promovendo encontros entre artistas que participam pela primeira vez da feira e nomes veteranos de outras edições, que estarão presentes para fortalecer, incentivar e acolher esta nova geração artística.

A entrada na feira é gratuita, mas é necessário reservar a entrada pelo Sympla.

Leia também: Senado aprova MP que fixa preço de R$ 5.130 para professores

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia

VEJA MAIS

Ministros discutem aplicação do filtro da relevância em encontro na FGV Justiça

​Ministros e representantes do Superior Tribunal de Justiça (STJ) participaram, nesta segunda-feira (31), em São…