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Papa Leão XIV afirma que Igreja não aprova benção formal a casais homossexuais – Gazeta Brasil

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Durante o voo de retorno da Guiné Equatorial para Roma, o Papa Leão XIV participou de uma coletiva de imprensa com jornalistas e reafirmou a posição oficial da Igreja Católica sobre a bênção de casais do mesmo sexo. O pontífice, primeiro norte-americano a ocupar o cargo de Sumo Pontífice, explicou que, embora todas as pessoas possam receber bênçãos, a Santa Sede não prevê um ritual específico para formalizar esse tipo de união.

A declaração do Papa foi feita em resposta a perguntas sobre a recente decisão do cardeal alemão Reinhard Marx, arcebispo de Munique e Freising, que autorizou a bênção de casais homossexuais em sua diocese. Leão XIV destacou que a unidade ou divisão dentro da Igreja não depende exclusivamente de questões relacionadas à sexualidade.

“Tendemos a pensar que, quando a Igreja fala de moralidade, o único tema é o sexual”, analisou o pontífice. “Mas a unidade da Igreja envolve muitos outros aspectos: justiça, igualdade, liberdade de homens e mulheres, liberdade religiosa”, completou.

O Papa esclareceu que qualquer pessoa pode receber uma bênção ao final de uma missa, como parte do atendimento pastoral individual. No entanto, oficializar um ritual específico para casais do mesmo sexo ou para pessoas em situação irregular perante a doutrina católica pode gerar “mais desunião que unidade” dentro da instituição.

Guerra e paz: preocupação com vítimas inocentes

Além do tema das bênçãos, Leão XIV abordou questões de relevância internacional durante o diálogo com a imprensa. Ele manifestou preocupação com os conflitos armados que envolvem Israel, Estados Unidos e Irã, lamentando profundamente a quantidade de vítimas inocentes, especialmente crianças.

“Como Igreja e como pastor, não posso ser a favor da guerra”, afirmou o pontífice. “Precisamos desenvolver uma cultura de paz que substitua a lógica da violência.”

O Papa classificou a situação no Irã como “muito complexa” e destacou a dificuldade dos diálogos diplomáticos entre Teerã e Washington. Segundo ele, as posições dos governos variam de um dia para o outro, o que aumenta a incerteza e afeta especialmente a população civil, que sofre as consequências mais graves dos conflitos.

Para ilustrar o custo humano das guerras, Leão XIV evocou a imagem de um menino libanês que o havia recebido durante sua visita ao Líbano, em dezembro do ano passado, e que faleceu recentemente em um bombardeio. “Esse menino é um símbolo de todos os inocentes que pagam o preço mais alto nos conflitos”, disse o pontífice, enfatizando a importância de priorizar a proteção de quem não tem voz nem defesa.

Migração e relação entre países ricos e África

O viagem apostólica à África também serviu de pano de fundo para reflexões sobre a problemática migratória e as relações entre nações desenvolvidas e o continente africano. Leão XIV declarou que os Estados têm o direito legítimo de regular suas fronteiras, mas insistiu que todas as pessoas que chegam a um novo país devem ser tratadas com dignidade e respeito.

“Quem migra não é apenas um número ou um problema a ser resolvido. É um ser humano, com história, sonhos e direitos”, afirmou o Papa.

Além disso, o pontífice cobrou um maior compromisso dos países desenvolvidos com as nações mais pobres. Ele destacou que a África possui recursos naturais abundantes — como minerais, terras férteis e potencial energético — que muitas vezes são explorados por empresas estrangeiras sem gerar melhorias reais na qualidade de vida das populações locais.

“Precisamos de uma relação mais justa e solidária entre os países”, defendeu Leão XIV. “Não basta extrair riquezas; é necessário investir em educação, saúde, infraestrutura e oportunidades para que os próprios africanos possam construir seu futuro.”

Pena de morte é “inadmissível”, diz Papa

Por fim, o Papa Leão XIV reafirmou a posição da Igreja Católica contra a pena de morte. Para o pontífice, a dignidade humana permanece intacta mesmo após a prática de crimes graves, e o Estado não deve tirar a vida de ninguém, independentemente da gravidade do ato cometido.

“A pena de morte é inadmissível”, sustentou o Papa. “Defendemos o respeito absoluto à vida em qualquer circunstância. Isso não significa ignorar a justiça ou deixar de punir quem comete delitos, mas sim buscar formas de reparação que não eliminem a possibilidade de arrependimento e transformação.”

Leão XIV encerrou a coletiva reforçando o papel da Igreja como promotora de diálogo, reconciliação e esperança. “Nosso dever é caminhar juntos, ouvir uns aos outros e construir pontes, não muros”, disse. “A fé nos chama a servir, especialmente aos mais vulneráveis. É isso que tentamos fazer, todos os dias.”

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