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Otoni de Paula já tenta afastar a Frente Evangélica de Bolsonaro

Apelidado de ‘neopetista’ devido à sua aproximação com o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o deputado Otoni de Paula (MDB-RJ), candidato para presidir a Frente Parlamentar Evangélica, respondeu a uma declaração do ex-presidente Jair Bolsonaro, que havia sugerido que a eleição de Otoni para o cargo seria um ato de “alta traição”.

Em sua resposta, Otoni afirmou que a Frente Evangélica não deve ser considerada como uma extensão dos interesses bolsonaristas. “A Frente Parlamentar Evangélica não é um puxadinho de Bolsonaro, nem dos interesses do bolsonarismo”, afirmou, buscando afastar a representação do segmento da imagem do ex-presidente.

Em seguida, o deputado declarou que não sofre de “dupla personalidade” em relação ao governo petista. “Tenho um profundo respeito pelo presidente Bolsonaro e por sua história de vida. Sempre fui um aliado do presidente Bolsonaro nas piores horas, e ele sabe disso”, disse Otoni.

Ele ainda ironizou a crítica de Bolsonaro, sugerindo que o ex-presidente poderia acompanhar suas redes sociais, onde defende o antigo aliado, mas também faz críticas ao governo atual.

Polêmicas

Otoni de Paula gerou controvérsia em outubro do ano passado, ao liderar uma bênção ao presidente Lula durante a assinatura da lei que instituiu o Dia da Música Gospel.

Durante o evento, o deputado fez elogios ao governo petista, que historicamente defende pautas contrárias aos valores cristãos, como a descriminalização das drogas, aborto e a promoção da agenda LGBT+.

“Nossas escolhas são pautadas em crenças e valores. Não temos um dono, senhor presidente. Somos um corpo plural em nossa visão de mundo, a partir do nosso entendimento das santas escrituras”, afirmou o deputado na ocasião.

A reação ao gesto foi negativa entre alguns aliados e membros da Igreja Evangélica. O pastor Silas Malafaia criticou duramente a atitude de Otoni, dizendo que a bancada evangélica não se aproximaria de Lula, e que o deputado estava tentando agradar a ambos os lados.

“Ele quer jogar para os dois lados. Ele quer dar uma de Bolsonaro, mas está queimado do lado de cá”, afirmou Malafaia. Após o evento, Otoni de Paula decidiu deixar o grupo de WhatsApp da bancada evangélica, indicando um afastamento das discussões internas do grupo.

“Neopetista”

Nas redes sociais, o analista e influenciador Leandro Ruschel, que possui mais de 1 milhão de seguidores apenas no “X” (antigo Twitter), apelidou o parlamentar Otoni de Paula de “neopetista”. A crítica foi feita em um comentário sobre a votação pela liderança da bancada evangélica no Congresso.

Na votação, Gilberto Nascimento obteve 117 votos, enquanto Otoni teve 61. Para Ruschel, mesmo que derrotado, é preocupante o fato de um parlamentar que agora se aproxima do governo Lula ainda ter conseguido obter votos expressivos para liderar a bancada de maior oposição à esquerda no Congresso.

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