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Otite de verão: o perigo escondido em piscina e mar que pode doer – e muito

Calor e água nos ouvidos viram a porta de entrada para infecções no verão, explica otorrinolaringologista

Reprodução/FreepikOtite

Com a chegada do verão, aumentam as idas à praia, às piscinas e os momentos de lazer em ambientes aquáticos. O que muita gente não percebe é que esse cenário também favorece o surgimento de um problema comum nesta época do ano: a otite externa, popularmente conhecida como “ouvido de nadador”.

Trata-se de uma inflamação do canal auditivo externo, frequentemente associada à combinação de calor,
umidade e água acumulada nos ouvidos.

Como a infecção se desenvolve

Após o banho de mar ou de piscina, é comum que pequenas quantidades de água fiquem retidas no ouvido. Embora pareça algo inofensivo, essa umidade cria um ambiente ideal para a proliferação de bactérias e fungos, favorecendo o desenvolvimento da infecção.

O risco aumenta ainda mais quando há microlesões no canal auditivo, muitas vezes causadas pelo uso inadequado de cotonetes, que removem a proteção natural da pele e facilitam a entrada de microrganismos. Crianças tendem a ser mais propensas a esse tipo de infecção, mas adultos também podem apresentar o problema.

Sintomas que merecem atenção

Os sinais da otite externa costumam surgir de forma progressiva e não devem ser ignorados. Dor no ouvido, coceira intensa, sensação de ouvido tampado, secreção e, em alguns casos, febre e sensação de pressão são sintomas de alerta.

Além do desconforto, a inflamação pode afetar temporariamente a audição e, se não tratada corretamente, evoluir para quadros mais graves. Ao primeiro sinal de dor persistente ou piora dos sintomas, é fundamental procurar um otorrinolaringologista para avaliação adequada.

Prevenção é simples e eficaz

A boa notícia é que a otite externa pode ser amplamente prevenida com cuidados simples no dia a dia. Manter os ouvidos secos e limpos é uma das principais medidas. Após o banho ou atividades aquáticas, o ideal é secar delicadamente a parte externa do ouvido com uma toalha, sem introduzir objetos no canal auditivo. O uso de cotonetes deve ser evitado, assim como receitas caseiras ou substâncias sem orientação médica. Em pessoas que nadam com frequência, protetores auriculares específicos podem ajudar a reduzir a entrada de água.

É importante reforçar que a automedicação pode aliviar sintomas de forma temporária, mas também pode
mascarar a infecção e atrasar o tratamento correto. O diagnóstico precoce e o acompanhamento especializado são essenciais para evitar complicações e garantir uma recuperação rápida e segura. Cuidar dos ouvidos faz parte do cuidado com a saúde como um todo – especialmente no verão, quando pequenos hábitos fazem toda a diferença.

Dr. Alexandre Cury Martins – CRM 5257306-5 | RQE 34412
Otorrinolaringologista
Professor de Otorrinolaringologia da Afya Centro Universitário Itaperuna

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