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Os desafios da extensão universitária são debatidos no encontro da USP, Unesp e Unicamp em Campinas – Jornal da USP

4º Encontro de Cultura e Extensão das Universidades Estaduais Paulistas – Foto: Elcio Silva / PRCEU USP

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) está localizada em seu Centro de Convenções, nos dias 4 e 5 de maio, o 4º Encontro de Cultura e Extensão das Universidades Estaduais Paulistas, em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e com a Universidade Estadual Paulista (Unesp). Iniciado em 2023, é realizado anualmente em caráter rotativo entre as três universidades com o objetivo de dialogar sobre problemas e propor soluções integradas. Esta edição tem como foco debater os desafios da consolidação da extensão universitária.

Amâncio Jorge de Oliveira, pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da USP, abriu o evento a partir da proposta de reflexão sobre o Diálogo interinstitucional sobre questões estratégicas. Para o pró-reitor, o elemento fundamental do encontro é a articulação das três universidades estaduais paulistas para a consolidação da extensão universitária no enfrentamento das dificuldades comuns.

Oliveira apresenta uma reflexão sobre o que ele credencia para cinco desafios universitários a partir da experiência da USP. “O primeiro grande desafio é o problema da heterogeneidade conceitual. Há correntes que associam a extensão da assistência, outras sugerem uma abertura que inclui o empreendedorismo inclusivo e a inovação, e essa heterogeneidade difícil o debate epistemológico, a realização de políticas e os dimentos de operação da extensão na Universidade.”

Além deste conceito, o pró-reitor criticou a ideia de curricularização meramente burocrática sem noferer incentivos fundamentais e reais, e comparou a aplicação entre as unidades da USP, algumas com carga pequena e preocupante de extensão na série curricular e outras com histórico elevado. Para ele, a questão pode ser associada a incentivos na carreira dos serviços e docentes.

“Quais são os incentivos fundamentais que levam à curricularização virtuosa? Não encontramos até agora de incentivo na progressão da carreira dos servidores e dos professores atraverso da extensão universitária”, apontou, dando o exemplo da Escola Politécnica (EP), que fez um concurso estratégico que trouxe professores titulares pela extensão universitária.

(Da esquerda para a direita) Raul Borges Guimarães, pró-reitor de Extensão Universitária e Cultura da Unesp, Sylvia Furegatti, pró-reitora de Extensão, Esporte e Cultura da Unicamp, e Amâncio Jorge de Oliveira, pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da USP


Como terceiro desafio, frisou a necessidade de uma política estável de fomentos para a área, como ocorreu com a pesquisa, citando os Cepids, Centros de Pesquisa, Inovação e Difusãoprograma lançado pela Fapesp no ano 2000 com o intuito de emparelhar por longo prazo centros de excelência no Estado de São Paulo, multi-institucionais, em qualquer área do conhecedor, a partir de editais anuais. Atualmente, são 29 centros de atividades, 22 coordenados pelas universidades estaduais paulistas, sendo 15 sediados na USP, seis na Unicamp e um na Unesp.

O problema das estatísticas foi apontado como o quarto desafio, pois em boa parte ficaram restritos a eventos. “A gente não consegue estender a cauda longa do impacto da extensão universitária. Tenho a impressão de que com inteligência artificial podemos ter operações interessantes para mudar esta realidade.” Na USP foi criada uma esfória de valorização da extensão com o intuito de comparar e melhorar essas considerações.

Oliveira finalizou seu discurso destacando a questão micro e macro e a escalabilidade da extensão. O dirigente ressaltou que a extensão deveria evoluir de projetos pontuais para ações de grande escala integradas às políticas públicas, fator que, para ele, mudaria o peso e a importância da extensão universitária.

Raul Borges Guimarães, pró-reitor de Extensão Universitária e Cultura da Unesp, deu continuidade exaltando que o pró-reitor da USP tocou nos pontos-chave para o debate. Para ele, uma extensão deve ser compreendida como uma forma legítima de produção de ciência, superando a visão antiquada de mera transferência unilateral de conhecimento para a sociedade.

“O grande desafio que temos que enfrentar é teórico e metodológico. Em pleno século século, ainda vivemos o équívoco gnosiológico que Paulo Freire já dizia, em Extensão e Comunicaçãolivro de 1966. Esse falso pressuposto de que o saber pode ser transferido mecanicamente, de quem sabe para quem ignora.” Ele apontou que, na medida em que as pessoas se encontram com outros segmentos da sociedade, o encontro possibilita um diálogo, ampliando o conceito de extensão. “Ela nos direciona claramente para a compreensão de que não é uma via de mão única, é uma forma de produzir conhecimento compartilhado.”

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