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ONG lança campanha para proteger crianças e adolescentes das ameaças on-line

 

Crianças com smartphones (Foto: Canva pro)

Você sabe realmente quem está do outro lado da tela ou quem conversa com o seu filho(a) quando está conectado à internet? O ChildFund Brasil, organização que atua há quase 60 anos na promoção e defesa dos direitos de crianças, adolescentes e jovens, lançou a campanha “Os Monstros na Internet São Reais” em seis países da América Latina, sendo México, Guatemala, Honduras, Equador, Bolívia e Brasil. A proposta é conscientizar famílias, educadores e a sociedade sobre os riscos crescentes no ambiente digital, como aliciamento, exploração sexual, cyberbullying e manipulações disfarçadas de brincadeiras ou laços de amizade.

A campanha foi construída a partir de relatos reais de adolescentes atendidos pela organização. Situações como perfis falsos, ameaças, chantagens e tentativas de contato por meio de jogos virtuais têm se tornado cada vez mais comuns. Em uma pesquisa realizada pelo ChildFund Brasil, por exemplo, o Mapeamento dos Fatores de Vulnerabilidade de Adolescentes Brasileiros na Internet,  um dos participantes contou que foi abordado por um perfil falso que solicitou o envio de fotos. Mais tarde, descobriu que se tratava de um adulto se passando por adolescente. O relato também revela que ele passou a receber mensagens com ameaças de exposição caso não atendesse às exigências feitas.

“A internet é uma ferramenta poderosa, mas também é um dos ambientes mais arriscados para crianças e adolescentes quando estão sozinhos e sem acompanhamento. Esta campanha tem um objetivo claro: entender como podemos proteger nossas crianças de agressores on-line, que utilizam diversas estratégias digitais para entrar em contato, manipular e violar novas vítimas todos os dias”, afirma Cristina Barrera, diretora regional do ChildFund nas Américas.

Por meio da metáfora dos “monstros”, a campanha personifica os perigos invisíveis da internet. Com três vídeos impactantes, materiais educativos e recursos gratuitos, o ChildFund oferece apoio a mães, pais, cuidadores e também diretamente a crianças, adolescentes e jovens. Os conteúdos ajudam a reconhecer ameaças, identificar sinais de manipulação e reforçar a importância do acompanhamento adulto na vida digital das crianças.

10 incidentes por segundo

Segundo o relatório ChildLight 2024, cerca de 302 milhões de crianças e adolescentes foram vítimas, no último ano, de captura, divulgação ou exposição não autorizada de imagens e vídeos com conteúdo sexual — o que corresponde a uma em cada oito crianças no mundo. Além disso, esses jovens também enfrentaram pedidos sexuais indesejados por parte de adultos ou outros menores. Os casos ocorrem em uma frequência alarmante: cerca de 10 incidentes por segundo, configurando uma “pandemia invisível” que exige atenção e ação imediata.

A campanha também é direcionada a toda a América Latina, região onde, segundo o estudo Plataformas globais, proteções parciais 2022, da Fairplay, os marcos legais e as ferramentas de proteção digital são menos rigorosos e menos acessíveis do que nos Estados Unidos e na Europa.

Metade dos adolescentes brasileiros já sofreu violência sexual on-line

Mais de 8 mil adolescentes de 13 a 18 anos, de todas as regiões do país — especialmente do Nordeste e Sudeste — participaram do Mapeamento dos Fatores de Vulnerabilidade de Adolescentes Brasileiros na Internet, conduzido pela organização. O estudo revelou que, com o aumento da idade, cresce também o tempo de uso da internet e a variedade de aplicativos acessados, elevando em até 1,3 vezes o risco de exposição à violência on-line entre jovens de 17 e 18 anos em comparação aos de 15. Em média, os adolescentes passam quatro horas por dia conectados, na maior parte pelo celular e fora do ambiente escolar.

A pesquisa também destacou a predominância do ambiente digital na rotina dos jovens, sendo que 79% dos hobbies mencionados por eles são on-line, como jogos e redes sociais, enquanto apenas 21% envolvem atividades offline, como desenhar, passear ou praticar esportes. Além disso, o estudo mostrou que 54% dos adolescentes brasileiros já sofreram algum tipo de violência sexual na internet, o que representa 9,2 milhões de jovens, com ou sem a interação direta de um agressor.

“Buscamos promover campanhas que ampliem a consciência sobre a importância da proteção infantojuvenil. Nosso objetivo é estimular a reflexão da sociedade e mobilizar esforços coletivos para que toda infância seja respeitada e protegida”, comenta Mauricio Cunha, diretor de país do ChildFund Brasil.

O ChildFund Brasil convida escolas, empresas, meios de comunicação, autoridades e toda a sociedade a compartilhar essa mensagem e fazer parte ativa dessa rede de proteção. A campanha completa, com vídeos, orientações e formas de engajamento, está disponível em www.monstrosnainternetsaoreais.com.

Sobre o ChildFund Brasil

Fundado em 1966, o ChildFund Brasil é uma organização com sede em Belo Horizonte (MG) que integra a rede internacional do ChildFund International, presente em mais de 70 países e responsável por impactar positivamente a vida de mais de 24,3 milhões de crianças e suas famílias. No Brasil, a organização atua no desenvolvimento integral e na promoção dos direitos de crianças, adolescentes e jovens, especialmente em contextos de privação, exclusão e vulnerabilidade.

O trabalho é viabilizado com o apoio de pessoas físicas, por meio do apadrinhamento de crianças e campanhas como o Guardião da Infância, além de parcerias com empresas, institutos e fundações. Em reconhecimento à sua atuação, o ChildFund Brasil foi eleito uma das 25 melhores ONGs do país pela certificadora internacional The Dot Good em 2024 e já recebeu premiações como a de melhor ONG de assistência social do Brasil (2022) e melhor ONG para crianças e adolescentes em três edições do Prêmio Melhores ONGs (2018, 2019 e 2021). www.childfundbrasil.org.br.

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