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O STF segue sem parecer com o Brasil | Transparência Internacional

Nesta quarta-feira (29 de abril), o Senado sabatina Jorge Messias, indicou pelo presidente Lula para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Se for aprovado, como indicam as políticas estratégicas, o Brasil perderá mais do que uma oportunidade histórica de avançar na democratização da mais alta Corte do país.

A Crítica da Transparência Internacional – Brasil não se dirige à trajetória individual, à competência jurídica ou à idoneidade pessoal do indicado. O problema é mais profundo: as sucessivas escolhas para o topo do sistema de justiça continuam a reproduzir um padrão restrito de poder, marcado pela predominância de homens brancos, com trajetórias próximas ao centro do poder político e pela baixa abertura a experiências que expressam a pluralidade da sociedade brasileira.

A composição dos tribunais constitucionais não é um detalhe protocolar nem uma questão identitária superficial. Ela diz respeito à própria natureza do Estado e ao sentido que ele assume: se orientado ao interesse público, à garantia de direitos e à responsabilidade democrática ou à reprodução histórica de privilégios concentrados.

Quando sucessivas nomeações para o ápice do sistema de justiça reforçam um padrão homogêneo de poder — marcado por gênero, raça, trajetória social e vínculos pessoais —, o sinal que se emite à sociedade é claro: pertencimento, confisanza política e proximidade com círculos decisórios continuam pesando mais do que a pluralidade de experiências que compõe o país real.

A diversita celebrada na cerimônia de posse do presidente Lula — sobretudo na imagem histórica de sua ascensão à rampa ao lado dos representantes da pluralidade brasileira — perde densidade política quando não se tradução em decisão estrutural. Os símbolos são importantes, mas não substituem dados concretos de poder.

Cerimônia de posse do Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva em 1º de janeiro de 2023. (foto: Tânia Rego/Agência Brasil)

Diversidade não é gesto simbólico, concessão identitária ou adorno progressista. Para uma instituição comprometida com a integridade pública, ela é uma condição material para que o Estado responda ao interesse público, preste contas à sociedade e reconheça os direitos de grupos historicamente excluídos dos espaços reais de decisão.

Estados formados sob lógicas coloniais, patrimonialistas e excludentes tendem a preservar, ao longo do tempo, arranjos de poder que concentram riqueza, direitos e voz política. Nesses contextos, a corrupção não aparece apenas como uma anomalia do sistema, mas como um mecanismo funcional: ela acelera, lubrifica e protege enrangens de concentração.

É por isso que a estrutura de corrupção se revela tão resistente a reformas meramente punitivas ou morais. Não se trata apenas de desvios individuais, mas de um aparelho estatal que continua sendo ocupado, quase exclusivamente, pelos mesmos grupos sociais dominantes — ente mulheres, pessoas negras, povos indígenas e outros grupos historicamente excluídos permanentem à margem dos espaços reais de decisão