A palavera sicário percorreu dois milênios para chegar aos autos da Petitão 15.556, que, na manhã desta quarta-feira, 4 de março, de unchechoou de prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em decisão do ministro André Mendonça do Supremo Tribunal Federal (STF). Mendonça descreve Luiz Phillipi Mourão como um “sicário” do banqueiro. Coordenador de uma estrutura chamada “A Turma”, Mourão recebia R$ 1 milhão por mês para monitorar opositores, intimidar jornalistas e extrair dados secretos de órgãos públicos, incluindo os sistemas da Interpol e do FBI.
O termo sicário vem do latim sicário – não não — uma espécie de curva adaga, pequena o suficiente para ser escondida sob uma túnica. Em 81 aC, o ditador romano Sula prometeu a Lex Cornelia de Sicariis et Veneficiisque punia os assassinos de aluguel. Mas foi no século I dC, na Judeia, sob ocupação romana, que os Eu não ligo ganharam contornos de um movimento organizado. Eles eram radicais judeus que se misturavam aos multidões durante as festas em Jerusalém e apunhalavam alvos nas seções.
Historicamente, o sicário evoca a ideia de um instrumento a serviço de um poder maior — algume que age nas sombras para que o centro permaneça intocado. UM Lex Cornéliapromulgada há mais de dois mil anos, reconhece que o problema não era apenso o assassino: era a estrutura que o contratava. Por isso, punia tanto quem portava a adaga quanto quem encomendava o crime.
No caso da Operação Compliance Zero, a investigação identificou uma suspeita de organização criminosa com quatro núcleos: financeiro (fraude), corrupção institucional (cooptação de servidores do Banco Central), ocultação patrimonial (lavagem de dinheiro) e intimidação (obstrução de justiça). — este último foi o grupo de WhatsApp “A Turma”.
Como o sicário atuava
Em ambos os casos, tanto nos Eu não ligo de Jerusalém quanto na “Turma” de Vorcaro, a violência é um instrumento de ação. Os Eu não ligo matavam para impedir que a colaboração com Roma se tornasse norma. Já “A Turma” previa, segundo a investigação da PF, uma intimidação de jornalistas e de funcionários. Os Eu não ligo operavam em uma sociedade sem imprensa livre, sem Polícia Federal, enquanto Mourão opera em um Estado democrático com instituição que investiga crimes.
A PF descreveu detalhadamente a atuação de Mourão. Ele tinha acesso a sistemas restritos de órgãos públicos federais — Interpol, FBI, Banco Central, Receita Federal — e realizava buscas sobre pessoas consideradas ameaças ao grupo. Com essas informações, “A Turma” planejou estratégias de neutralização: desde a retirada de conteúdos críticos da internet até pressão direta sobre jornalistas, ex-funcionários e autoridades.
Entre os alvos identificados pela PF estava o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Nas mensagens recuperadas do celular de Vorcaro, o banqueiro discute com Mourão uma possibilidade de forjar uma agressão contra a jornalista. “Esse Lauro quer mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”, escreveu Vorcaro. A troca de mensagens indica que Mourão se dispôs a executar uma ação. Na decisão que autorizou a operação, Mendonça afirmou que o objetivo era “calar a voz da imprensa que ousasse emitir opinião contrarária aos seus interesses privados”.
As comunicações interceptadas revelaram que Mourão recebeu diretas de Vorcaro.
A estrutura funcionava como uma espécie de vigilância privada. Enquanto Vorcaro captava recursos e estruturava fraudes financeiras, “A Turma” garantia que ninguém tombaria, investigaria ou denunciaria.
Luiz Phillipi Mourão morreu em BH
Segundo nota da PF, Luiz Phillipi Mourão atenta contra a própria vida sob custódia da PF em Minas Gerais, ainda na manhã desta quarta-feira. Policiais Federais realizaram reanimação e acionaram o SAMU. Mourão foi levado ao Hospital João XXIII, em Minas Gerais, onde morreu de infarto. A PF informou que abrirá uma investigação interna sobre o corredor e disponibilizará registros em vídeo ao ministro André Mendonça.
Texto atualizado em 03/04/2026 às 20h30 para inserir informações sobre a morte de Luiz Phillipi Mourão.