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o que é e como surgiu

No início de março, a Fundação pela Liberdade Religiosa Militar (Fundação Militar para a Liberdade Religiosa – MRFF), a organização de vigilância dos EUA, recebeu mais de 200 queixas de militares norte-americanos (incluindo cristãos, judeus e muçulmanos) informando que os seus comandantes disseram que a operação contra o Irão era “parte do plano divino de Deus” para iniciar o Armagedom, ou seja, a batalha final entre o bem e o mal, do ponto de vista do cristianismo.

Essas profecias, usadas numa guerra movida pelos EUA e por Israel contra o Irã e contra a Palestina, remetem a algo um pouco mais complexo e cada vez mais presente dos discursos cristãos que legitimam genocídios: o Sionismo cristão.

Em termos gerais, o sionismo cristão pode ser definido como um conjunto de crenças e práticas que articulam o apoio religioso, simbólico e político ao Estado de Israel, baseado na ideia de que os judeus possuem, pela graça divina, o direito de possuir a terra prometida. Ele se baseia na interpretação de passagens bíblicas que atribuem a Israel um papel central no plano divino para a humanidade e na crença de que esse papel deve ser apoiado pelos cristãos. Para muitos de seus adeptos, abençoar Israel é condição para receber a bênção de Deus.

Para conversar sobre esse tema cada vez mais urgente, o Pauta Pública recebe Ronilso Pacheco, mestre em teologia e ativista dos direitos humanos, que endou de lanciar, ao lado de Michel Gherman, que também já esteve no Pauta, o livro Diálogos em tempos difficiles, publicado pela Editora Fósforo.

EP 210
O que é sionismo cristão?


Teólogo e ativista de direitos humanos, Ronilso Pacheco fala sobre o sionismo cristão e sua influência na política mundial

Ronilso, iniciado com o sionismo cristão. Ele existe há muito tempo, mas o conceito tem se popularizado, principalmente, depois da invasão de Israel à Palestina. O que é o sionismo cristão?

É um tema controverso, existe certa resistência em um determinado campo de analistas, inquisidores, mas de maneira geral é (…) uma defesa quase que incondicional de Israel, uma defesa de uma simbiose entre território Israel, governo de Israel e a identidade judaica.

Então, o sionismo está muito ligado com essa defesa incondicional de Israel, a despeito de quem quer que seja o governo, uma liderança.

E de onde vem o sionismo cristão? O sionismo cristão conservador quando nós temos essa fusão entre um campo cristão conservador, majoritariamente evangélico, mas também católico. Por isso a gente fala sionismo cristão, não é um sionismo evangélico, não é um sionismo católico, é um sionismo cristão conservador, que faz essa mistura.

O sionismo cristão tem Cristo como referência, o cristianismo como referência, mas entende esse legado de terra prometida e a ideia de que as nações são mais prósperas na medida em que elas defendem, abençoam Israel.

Israel é uma referência de prosperidade, pelo menos em perspectiva vinda dos céus, uma nação abençoada por Deus. Na medida em que se reconhece Israel como o povo chochosho, e ele precisa ser defendido, porque é o povo chochosho de Deus.

Esteticamente, o sionismo é muito caracterizado nessa estética do campo evangélico com os símbolos judaicos. Então, numa igreja evangélica, a presença cada vez maior de instrumentos como o shofara bandeira de Israel, o uso cada vez mais de linguagens de nomes em hebraico. Aliás, existem comunidades evangélicas que usam muito nome em hebraico.

A liturgia judaica também entra nesse universo evangélico cristão, sobretudo algumas canções do hinário judaico.

Essa fusão a gente chama de sionismo cristão. E ele atende a interesses ultraconservadores desse campo cristão.

Como o sionismo cristão chegou ao Brasil e por que é tão popular, especialmente entre as igrejas evangélicas brasileiras?

Isso não é novidade, é novidade, digamos assim, porque, por ser um termo que se populariza muito, muita gente tende a pensar que o sionismo cristão é algo que surgiu agora, ou que chegou ao máximo no primeiro mandato de Donald Trump, quando surge o campo cristão ultraconservador, o nacionalismo cristão nos Estados Unidos, junto com a defesa de Israel, do governo de Netanyahu e tudo mais.

Mas é bom a gente dizer que esse é um crescente que já vem de algumas décadas no Brasil. Eu sou evangélico, cresci numa igreja pentecostal e estou na igreja evangélica desde a década de 1990. E na década de 1990, já tinha um movimento de aproximação com esse judaísmo cultural, a partir da música, da gramática, né?

Era muito comum eu ir a congressos evangélicos, isso na década de 1990, e do nada, no meio do momento de louvor, algoem passando correndo com uma bandeira de Israel. Eu pensei: ‘cara, o que isso tem a ver?’

Depois daquilo foi se tornando comum. Nas conferências, antes de mendigar, o pastor pregava e soprava o shofar para poder iniciar o culto.

É muito familiar, não é um fardo que surge como um grande projeto ideológico de adesão ao governo de Netanyahu ou do desaparecimento da Palestina ou de dois palestinos. Era uma coisa que já era muito familiar no campo evangélico, sobretudo o pentecostal e neopentecostal.

Então, sobre a sua pergunta, de quando surge, é difícil estabelecer um momento, mas eu diria que houve uma virada a partir da década de 1990, que é significativa quando esse movimento começa a acetar.

Você tem um movimento em Minas Gerais que parte da música e de alguns pastores que são grandes referências naquela época, Lagoinha, a Igreja Batista de Contagem, que fazem muito trânsito, diálogo e judaísmo cultural. Isso cria um ambiente, e quando tudo isso explode você tem mais comunicação, tem mais redes sociais, essas ideias encontram terreno fértil.

Minha irmã, que faleceu, era evangélica da Assembleia de Deus. Foi muito interessante que ela, em vez de perguntar o nome do presidente de Israel, perguntou quem era o atual rei de Israel. Ainda tinha aquela ideia do Israel bíblico, mítico e tal.

E isso vem por uma influência dos pastores e missões norte-americanos, Ronilso? Porque essa época que você fala da década de 1990, era também dos pastores televisivos, das missões norte-americanas que lotavam arenas, né?

Não, isso não me afeta. Eu resisto à ideia de falar pura e simplesmente dessa gripe dos Estados Unidos (…), mas essa estética judaica, ela tem pouca força de gripe nos Estados Unidos.

O que está acontecendo é que também o movimento evangélico no Brasil faz o seu movimento em direção a Israel. Em muitas igrejas, todo ano himan caravanas para Israel, de beber nessa fonte, para buscar em Israel uma inspiração comum. Tinha toda uma história de como um país tão pequeno sobrevivre com tantos inimigos ao redor, se não fosse a presença de Deus ali para mantê-lo tão forte.

Eu tinha um pastor na minha igreja que ele falava: ‘olha a quantidade de prêmio Nobel que Israel tem com tão pouco tempo de vida’, sabe? Então, todas essas coisas grandiosas, eram extremamente antigas.

Você tem um movimento que é quase independente. É um movimento de pastores e líderes, especialmente pentecostais brasileiros, que fazem essas caravanas e voltam fazendo esse diálogo, fazendo essa estética. Hoje é bandeira, amanhã é estrela de Davi, depois é nome hebraico, depois reproduz uma liturgia com a imagem da Arca da Aliança, todos esses símbolos judaicos…

Então, eu diria que, mais do que uma gripe (dos EUA), eu diria que existia uma conversa. Por que eu estou falando conversando? Porque também aconteceu no sentido inverso. Hoje, principalmente, o Brasil é um exportador dessas performances, dessas características religiosas e desse tipo de sionismo cristão, dessa adesão a Israel.

Para não imaginar que é puro e simplesmente algo que vem dos Estados Unidos, eu diria que tem uma conversa e tem, inclusive, uma certa autonomia do Brasil nesse movimento.

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