O norovírus é uma das principais causas de vômitos e diarreias no mundo. Também conhecido como “gripe estomacal”, a gastroenterite viral provocada pelo norovírus não tem nenhuma relação com o vírus da gripe.
Estima-se que 1 a cada 5 casos de gastroenterite aguda e diarreia infecciosa no mundo seja causada por esse vírus.
Neste ano, foram confirmados surtos do vírus no litoral paulista e em Pelotas, no Rio Grande do Sul. Também são comuns surtos do vírus em escolas, cruzeiros marítimos e praias com alta concentração de pessoas.
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O norovírus é transmitido por via oral-fecal, por meio da água ou alimentos contaminados, ou ainda pelo contato com pessoas infectadas. O vírus é extremamente contagioso e capaz de permanecer em superfícies, o que facilita a transmissão.
Além disso, as pessoas podem continuar transmitindo o vírus por vários dias depois da melhora do quadro.
O que é o norovírus?
O norovírus é um vírus que causa gastroenterite, com sintomas como dor abdominal, náuseas, vômitos e diarreia.
Ele se espalha com muita facilidade, em especial em locais com alta concentração de pessoas.
Transmissão
A transmissão se dá pela via oral-fecal, ao consumir alimentos e bebidas contaminadas, e também ao entrar em contato com alguém com o vírus.
É possível contrair o vírus várias vezes durante a vida, pois há muitos tipos de norovírus (cerca de 48).
Qualquer pessoa pode se contaminar com o vírus, em especial durante os surtos da doença. No entanto, quem consome alimentos crus, ostras e outros animais filtradores têm mais risco. Crianças com menos de 5 anos, idosos e pessoas com sistema imunológico comprometido estão mais sujeitos a desenvolver infecções graves.
É possível contrair o vírus:
- Por meio do contato direto com uma pessoa com a infecção ou com utensílios contaminados com o vírus;
- Consumir alimentos ou bebidas contaminados com o norovírus;
- Colocar a mão na boca depois de tocar em objetos ou superfícies com o vírus.
Sintomas do norovírus
Os sintomas em geral aparecem cerca de 12 a 48 horas após a exposição, e incluem:
- Mais comuns: diarreia, náuseas, vômitos e dor de estômago.
- Menos frequentes: febre, dor de cabeça e no corpo.
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Desidratação é o maior risco
A desidratação é a principal complicação da gastroenterite viral, graças aos vômitos e diarreia constantes. Adultos jovens, idosos e pessoas com comorbidades são mais suscetíveis à desidratação, cujos sintomas costuma ser:
- diminuição da produção de urina;
- boca e garganta secas;
- tontura ao se levantar;
- agitação;
- choro com poucas lágrimas.
Para evitá-la, em caso de diarreia e vômitos:
- tome bastante líquido (cerca de 2 a 3 litros por dia). Dê preferência ao soro caseiro ou a bebidas que contenham sódio e potássio, como água de coco. É importante ingerir de 50 a 100 mL (meio copo americano) de líquido depois de cada ida ao banheiro;
- atenção: pessoas com pressão alta, doenças renais ou cardíacas, glaucoma, entre outras, não podem ingerir sódio em grandes quantidades. Assim, se você tem alguma doença crônica e apresentar diarreia, consulte seu médico;
- caso o paciente ainda seja lactente, mantenha o aleitamento materno. Pessoas de outras faixas etárias devem manter a alimentação, mas evitar alimentos gordurosos e com resíduos, como bagaço de frutas e salada;
- lave bem as mãos depois de usar o banheiro e antes das refeições;
- preste atenção às crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas, pois eles desidratam mais depressa, às vezes em um só dia.
Como evitar?
É importante lembrar que é possível passar o vírus até duas semanas depois do fim dos sintomas.
Para evitar a contaminação:
- lave as roupas de pessoas contaminadas com água quente.
- não entre na água da praia se ela estiver classificada como imprópria pela Cetesb e evite banhos de mar 24 horas após as chuvas;
- lave sempre as mãos com sabão e água limpa, principalmente antes de preparar ou ingerir alimentos, após ir ao banheiro, depois de utilizar transporte público ou tocar superfícies que possam estar sujas, sempre que voltar da rua, antes e depois de amamentar e trocar fraldas;
- lave e desinfete as superfícies, os utensílios e equipamentos usados na preparação de alimentos;
- trate a água para consumo (após filtrar, ferver ou colocar duas gotas de solução de hipoclorito de sódio a 2,5% para cada litro de água, aguardar por 30 minutos antes de usar);
- guarde a água tratada em vasilhas limpas e com tampa, sendo a “boca” estreita para evitar a recontaminação;
- evite o consumo de alimentos crus ou malcozidos (principalmente carnes, pescados e mariscos) e alimentos cujas condições higiênicas, de preparo e acondicionamento sejam precárias.
Tratamento
A maioria das pessoas melhora espontaneamente depois de um a três dias. O tratamento é de suporte, para melhorar os sintomas, pois não há um medicamento específico para tratar a infecção.
Se houver suspeita de norovíus:
- observe sinais de desidratatação;
- tome bastante líquido, como isotônicos e outras bebidas sem cafeína e álcool, que pioram a desidratação;
- se houver desidratação, procure um serviço médico, pois a desidratação severa pode exigir a reposição de líquidos por via endovenosa.