Equipes de resgate do Nepal e da China trabalham contra o tempo para localizar centenas de desaparecidos após as enchentes devastadoras que atingiram a região fronteiriça entre os dois países na quarta-feira (26). O desastre, provocado por uma avalanche de lama e rochas no Himalaia, deixou um rastro de destruição em vilas inteiras, com pontes, estradas e usinas hidrelétricas arrastadas pela correnteza.
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O balanço mais recente aponta ao menos 160 mortos — 157 no Nepal e 3 no lado chinês do Tibete — e mais de 800 desaparecidos. As autoridades temem que o número de vítimas aumente à medida que as buscas avançam.
O desastre
A enchente foi desencadeada por uma avalanche de lama e rochas que desceu o vale do rio Bhote Koshi, na fronteira entre o Nepal e o Tibete. O distrito montanhoso de Rasuwa, no norte do Nepal, foi um dos mais atingidos. As águas arrastaram pontes, casas e veículos, além de destruir parte da infraestrutura hidrelétrica da região.
Um vídeo de câmeras de segurança mostrou um prédio de vários andares sendo levado por uma enxurrada de lama, enquanto moradores tentavam fugir do lado chinês da fronteira. Suman Chalise, um professor de 34 anos na localidade nepalesa de Nuwakot, descreveu a cena: “Vi como as águas levaram pela frente oito ou nove caminhões, além de casas e pessoas. Foi absolutamente desolador. Fui testemunha de uma devastação de magnitude que nunca vi igual”.
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Desaparecidos
As autoridades nepalesas informaram que cerca de 403 turistas, sendo 341 estrangeiros, seguem desaparecidos. Entre eles estão cidadãos da Índia (142), além de visitantes dos Estados Unidos, Austrália, Reino Unido, Malásia, Países Baixos, Portugal, África do Sul e Coreia do Sul. Oito sul-coreanos que trabalhavam em uma usina hidrelétrica na região estão desaparecidos, e outros 10 ficaram ilhados. A Coreia do Sul criou uma força-tarefa e planeja enviar uma equipe de resposta rápida ao Nepal.
O Itamaraty informou que não há relatos de vítimas brasileiras até o momento.
Resgate e ajuda internacional
O Exército nepalês realiza buscas aéreas e já resgatou dezenas de pessoas no distrito de Rasuwa, embora o terreno montanhoso e de difícil acesso dificulte as operações. “Dado que ainda há um bloqueio na parte alta do rio fronteiriço entre o Nepal e a China, as autoridades advertem que poderá ocorrer uma segunda enchente”, alertou uma fonte à agência AFP.
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O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, pediu união e paciência à população. “Quero assegurar-lhes que não estão sozinhos nestes momentos difíceis: o Estado está com vocês com todos os seus meios e recursos”, afirmou em comunicado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou solidariedade às vítimas em uma rede social: “As imagens causam espanto e nos comovem a todos”.
A Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho está enviando suprimentos de emergência, incluindo cobertores, kits de primeiros socorros, macas e sacos para cadáveres.
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