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O diretor de Sustentabilidade de Operações Mundiais na Amazon, o norte-americano Chris Atkins, desembarcou no Brasil nesta semana, vindo do México. Esta é sua primeira visita ao país e a data foi escolhida a dedo: às vésperas da abertura da 30ª Conferência das Partes (COP30), que começa na segunda-feira (10), em Belém. Formado em ciências políticas e engenharia ambiental na Academia Militar de West Point, faltam poucos meses para que Atkins complete 15 anos na multinacional de tecnologia criada por Jeff Bezos, empresa que faturou no ano passado US$ 638 bilhões. Para a Amazon, o Brasil é um mercado imprescindível em duas dimensões: a econômica e a ambiental.
“O país representa uma economia vibrante, com grande potencial de crescimento, mas também com uma responsabilidade global pela importância da Floresta Amazônica”, afirmou Atkins, em entrevista exclusiva à Forbes.
O executivo esteve no Brasil para acompanhar os projetos ligados à eletrificação da frota de entregas de mercadorias e à ampliação de parcerias logísticas por aqui. A Amazon anunciou na conversa com a Forbes Brasil que dobrou essa capacidade de entregas em um ano, ampliando sua rede de transporte com emissão zero para mais de 180 cidades nos estados de São Paulo e Minas Gerais.
A operação saiu de 14 para 29 estações de entrega, e as parcerias se alinham à estratégia da companhia de buscar soluções locais que promovam a eletromobilidade, abrangendo de vans e scooters a soluções de micromobilidade.
No país, a parceria principal é com a empresa To Do Green, que atua com transporte urbano de zero emissão. “A To Do Green está crescendo com foco em veículos elétricos e soluções de micromobilidade”, diz Atkins. “Por isso acabamos de expandir as operações de negócios com eles.”
O modelo faz parte da meta global da Amazon de eliminar emissões líquidas até 2040, compromisso firmado no Climate Pledge, pacto climático cofundado pela companhia em 2019. Até o momento, mais de 600 empresas assinaram o acordo.
“O compromisso é o de estar dez anos à frente do Acordo de Paris, de atingir nossa meta de zero emissões”, diz Atkins.
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Veículo elétrico em operação
A Amazon já colocou 35 mil veículos elétricos em operação no mundo, número que deve chegar a 100 mil até 2030, em parceria com a fabricante americana Rivian. No Brasil, o avanço da eletrificação passa pela criação de infraestrutura local e por novos modelos de colaboração com parceiros regionais.
“Trabalhar com empresas brasileiras é uma forma de gerar empregos, inovar e crescer de forma sustentável. Estamos em um ponto de inflexão global, e o Brasil tem um papel fundamental nisso”, afirma Atkins.
Energia e combustíveis de baixo carbono
Além da eletrificação, a Amazon investe globalmente em soluções de energia limpa e combustíveis renováveis. Um dos marcos recentes foi a assinatura de um Memorando de Entendimento (MOU) com a Petrobras para o desenvolvimento de combustíveis de baixo carbono. O objetivo é criar alternativas para o transporte marítimo e de longa distância sem impacto sobre o uso da terra.
Entre os projetos em andamento estão o uso de diesel renovável, combustível de aviação sustentável (SAF) e metanol verde. Segundo Atkins, a empresa prioriza matérias-primas residuais, como os agrícolas e industriais. “Estamos comprometidos em encontrar soluções que não dependam de recursos agrícolas (primários) e que possam ser escaladas de forma segura e regenerativa”, afirma ele.
Para a estratégia de sustentabilidade da Amazon, a mensuração e a transparência de dados são pilares. Por isso, a tecnologia da AWS AI, plataforma de inteligência artificial da empresa, é usada para medir e otimizar emissões em tempo real. Atkins conta que a empresa aplica machine learning para identificar rotas logísticas mais eficientes, reduzir deslocamentos e otimizar energia em centros de distribuição. “Quando medimos com precisão, encontramos oportunidades de eficiência que reduzem custos e emissões simultaneamente”, diz Atkins.
No Brasil, a AWS já utiliza inteligência artificial para identificar ineficiências no consumo de água em São Paulo e apoiar programas de gestão hídrica em parceria com governos locais. Outro foco da operação global é a infraestrutura de baixo carbono.
A empresa testa novos modelos construtivos que combinam eficiência energética e redução de carbono incorporado. O projeto-piloto em Elkhart, Indiana (EUA) reuniu 35 inovações sustentáveis, incluindo o uso de madeira laminada cruzada (CLT) em substituição parcial ao concreto, captação e reuso de água e painéis solares integrados.
Segundo Atkins, a meta é replicar o modelo em novos centros de distribuição ao redor do mundo, inclusive na América Latina. “Estamos transformando nossos prédios em estruturas regenerativas, que devolvem mais do que consomem em energia e recursos”, disse.
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Empresa de tecnologia tem plano global de emissões e olhar no Brasil
A Amazon também vem estendendo suas metas de descarbonização à cadeia de fornecedores. A empresa exige que parceiros estratégicos reportem emissões e estabeleçam metas próprias de redução. O objetivo é criar uma cadeia de fornecimento carbono neutra.
Para isso, segundo o executivo, a Amazon atua como facilitadora para fornecedores locais, ajudando-os a medir emissões e a adotar práticas sustentáveis. “Quando os fornecedores entendem suas emissões, identificam oportunidades de eficiência e reduzem custos”, disse ele. No Brasil, essa política começa a se refletir nas operações de entrega, armazenamento e tecnologia da informação. “Queremos uma rede de parceiros que compartilhem a mesma visão de longo prazo. Sustentabilidade é um compromisso de todos.”