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Mostra Fullgás explora universo da cultura pop dos anos 1980

Por meio de 300 obras, a mostra Fullgás retrata um período marcado por um boom artístico e por uma cultura visual bastante característica, repleta de cores vibrantes, contrastes, texturas, relevos, narrativas urbanas, referências pop e rebeldia criativa.

Recebida pelo Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) de Brasília até sexta-feira (25), a exposição seguirá para São Paulo, com estreia marcada para o dia 28 de maio. A entrada é gratuita, mediante retirada de ingresso prévio pelo site: ccbb.com.br.

As obras estão distribuídas em duas galerias, organizadas em cinco áreas temáticas — cada uma com o nome de uma música marcante da época. Uma delas é a icônica “Que país é esse?”, composição de Renato Russo e um dos maiores sucessos da banda Legião Urbana.

A exposição abrange o período de 1978 a 1993, tendo como marcos o fim do Ato Institucional nº 5 e o ano seguinte ao impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello.

O momento político e social do Brasil é refletido nas artes da época: a crescente desigualdade social, a violência urbana e, principalmente, a busca por uma nova identidade nacional após o fim da ditadura militar.

“A gente vinha de um período do final da ditadura, início da redemocratização, então a cultura e a arte respiram muita política. Cada obra que você visitar vai trazer fotografias ou elementos que refletem esse final da ditadura e a esperança da redemocratização”, explica André Giancotti, gerente-geral do CCBB. “É uma exposição muito colorida, mas as cores não enganam sobre a realidade do momento histórico. Visitar uma mostra como essa é conhecer o passado e entender o caminho para o futuro.”

A redemocratização impulsionou a luta pela liberdade de expressão e pela crítica social. Não à toa, muitos movimentos sociais — como os da população LGBTQIAP+ e do movimento negro — ganharam força nesse período.

“Foi o momento do surgimento de movimentos sociais, como o MST [Movimento dos Trabalhadores Sem Terra], questões de saúde pública como o HIV, e a criação de novos estados brasileiros, como Mato Grosso do Sul, Rondônia e Roraima. As lutas pelos direitos LGBTQIA+ também se intensificaram — o que torna ainda mais interessante o fato de a exposição estar em Brasília, epicentro de muitas das discussões retratadas ali”, ressalta Raphael Fonseca, curador-chefe.

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