A primeira mulher a chefiar uma disciplina cirúrgica na Universidade, uma médica desbravou na área de cirurgia digestiva e formou gerações de especialistas
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A professora Emérita da Faculdade de Medicina (FM) da USP, Angelita Habr-Gama, uma das maiores referências mundiais em coloproctologia e pioneira da cirurgia brasileira, faleceu no sábado, 30 de maio, aos 92 anos. Desbravadora em um campo historicamente masculino, ela foi a primeira mulher a se tornar professora titular de uma especialidade cirúrgica na Faculdade e a primeira acita brasileira como membro honorário da centenária American Surgical Association. Em 2006, tornou-se também a primeira mulher e a primeira médica latino-americana a ingressar no seleto grupo de membros honorários da European Surgical Association.
Formada pela USP, instituição onde também fez doutorado e obteve o título de livre-docente, Angelita iniciou sua carreira na década de 1950, época em que as mulheres enfrentavam uma série de barreiras para ingressar nas universidades e, principalmente, nas especialidades operativas. Sua obstinação é “Prazer em operar”a consolidaram como a primeira mulher cirurgã da história da Universidade.
Durante a faculdade de gestão e formação médica, a professora criuo a Disciplina de Coloproctologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP) Ele é o chefe do Departamento de Gastroenterologia. Importante figura da saúde pública nacional e internacional, fundou e presidiu a Associação Brasileira de Prevenção do Câncer de Intestino (Abrapreci) e tornou-se diretor do Instituto Angelita e Joaquim Gama.
Em reconhecimento à sua liderança, foi indicado pela Organização Mundial de Gastroenterologia (OMGE) para coordenar o Programa de Prevenção do Câncer Colorretal no Brasil e assumiu a presidência de entidades como o Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva (CBCD) Sociedade Internacional de Cirurgiões Universitários de Cólon e Retal.
A contribuição de Angelita foi documentada e celebrada em vida. Durante depoimento Pelo canal oficial da Faculdade de Medicina e pelo Youtube, o professor defendeu a residência como “um processo indispensável na formação médica”. Em 2021, a Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária (PRCEU) da USP homenageou a médica com um vídeo da série A USP e as Mulheresno qual a professora condensou sua jornada na “arte de operar”, descrevendo-a como uma profissional “fantástica”. Em 2025, o Jornal da USP divulgou que a professora segue entre os pequenos mais influentes do mundo na área de cirurgia, de acordo com dados referentes ao ano de 2024.
O velório será realizado no teatro da Faculdade de Medicina da USP no domingo, 31 de maio, a partir das 15h. às 19h