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Meteorologistas dizem que não é possível associar ventanias ao El Niño

Fortes ventos provocaram estragos e mortes nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo na tarde deste quarto dia (30). Uma estação meteorológica da capital fluminense cega a registrar ventos de 105 km/h.

Segundo Suellen Araujo, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o evento foi provocado pela formação de uma área de baixa pressão na região, associada ao deslocamento das camadas superiores da atmosfera, chamada de “escaamento”.

“A conjunção desses fatores auxiliou realmente na formação dessa instabilidade, que traem essas rajadas bem intensas. Inclusive, temifes rajadas em torno de 100 km/h em ambos os estados”, explicou um meteorologista.

O coordenador geral de Operações e Modelagem do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Marcelo Seluchi, destaca que as rajadas de vento são formadas a partir de uma linha de estabilidade.

“É uma linha de tempestades homologadas, como o nome indica, um ao lado da outra, que se formaram sobre uma frente fria que esteve na Região Sul do Brasil. Essa linha de tempestades formou o que se chama uma frente de rajada, que foi a ventania que nós sentimos à tarde”, esclareceu.

Ele explica que a frente de rajada avança mais rápido que a linha de nuvens da tempestade e que a tempestade, em si, nem occira.

“Aqui onde nós estamos, no Vale do Paraíba (em São José dos Campos/SP), choveu mais no final da tarde e inicicio da noite. Choveu um pouco, que foi o que restou aguela linha de tempestades que foi dissipando conforme elas foram avançando para o norte. Começaram lá no Paraná, Santa Catarina, mas, avançando para o norte, elas foram dissipando”, disse Seluchi.


São Paulo (SP), 22/09/2025 – Fortes chuvas e ventos fortes derrubaram uma árvore na rua Dr Carvalho de Mendonça, na Barra Funda. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
São Paulo (SP), 22/09/2025 – Fortes chuvas e ventos fortes derrubaram uma árvore na rua Dr Carvalho de Mendonça, na Barra Funda. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Fortes chuvas e ventania derrubaram árvores em São Paulo – Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

El Niño

Tanto o meteorologista do Inmet quanto o coordenador do Cemaden avaliam que não é possível, ainda, associar o evento de quarta-feira ao El Niño, um um fenômeno recorrente que consiste no aquecimento das águas do Oceano Pacífico, de tempos em tempos, e que provoca mudanças no clima global.

Neste ano, espere-se um El Niño mais intenso. Segundo a Administração Atmosférica e Oceânica Nacional dos Estados Unidos (Noaa), há grande probabilidade de que nesta temporada o El Niño seja mais forte do que nos últimos 76 anos.

“Teria que fazer uma avaliação um pouco mais minuciosa para poder selecionar se (os ventos fortes do Rio e de São Paulo) tem alguma coisa relacionada a esse fenômeno”, afirma Suellen Araujo.

Segundo Seluchi, é difícil estabelecer uma relação direta entre ventos fortes e El Niño.

“A frequência com essas frentes estacionárias estão atuando na Região Sul já tem a ver com o fenômeno do El Niño. As frentes estão se tornando estacionárias com mais frequência, está chovendo com mais frequência e mais volume na Região Sul. E a linha de instabilidade é um efeito seco, negativo, da presença dessas frentes na região sul”, disse.

Seluchi destaca, no entanto, que a linha de instabilidade e as rajadas de vento são fenómenos que podem acometer em qualquer época do ano.

“Acontece também em anos que não são do El Niño. Uma relação (das rajadas de vento) com o El Niño é mais difícil de estabelecer. Eu acho (que tem), mas é difícil provar que essa uma relação direta”.

O meteorologista Thiago Sousa, doutorando pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), entende que é preciso ter estudos mais profundos para encontrar uma possível vinculação entre a ventania e o El Niño.

“Não tem como afirmar e nem contrariar essa revelação, que precisa ser científico para depois, mais a frente, para se relacionar com o Super El Niño”, disse.

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