Merisio rebate João Rodrigues e cobra projeto de Estado para infraestrutura de SC

João Rodrigues e Gelson Merísio, em entrevistas ao Grupo ND.Foto: Alan Pedro/ND

João Rodrigues (PSD) e Gelson Merisio (PT), candidatos ao Governo de Santa Catarina, debateram nesta terça-feira (29) sobre a infraestrutura e o futuro do estado, abordando a situação das rodovias, a perda de incentivos com a Reforma Tributária e a relação entre o governo estadual e o Governo Federal.

João Rodrigues abriu o tema cobrando melhorias na malha viária para garantir a competitividade catarinense. “Para você atrair qualquer indústria de grande porte para o Estado, você tem que dar acessibilidade, rodovias com qualidade, para que a gente possa ter o escoamento da produção”, afirmou.

Em resposta, Merisio, aliado de Lula em SC, concordou com a urgência do tema e rebateu o discurso do atual governo sobre o desempenho econômico catarinense.

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Segundo ele, o sucesso do Estado não é mérito de uma única gestão. “Essa competitividade foi possível ao longo do tempo, não por esse ou um governo, [ou pelo] governo passado. Ela foi construída pelos catarinenses, pelos empresários do nosso Estado, com muito trabalho e criatividade”, declarou.

Durante o debate do Grupo ND, no dia 26, perspectivas de João Rodrigues para infraestrutura de SC foi confrontada por Ralf Zimmer (PRD), também candidato ao Governo catarinense.

Relação com o Governo Federal e Reforma Tributária

Merisio criticou a falta de articulação do atual governador, Jorginho Mello (PL), com Brasília. Segundo o candidato, o Estado deixou de receber cerca de R$ 24 bilhões em investimentos após a retirada de rodovias estaduais de um projeto de concessão federal.

Ele defendeu ainda a qualificação do setor portuário, investimentos no polo tecnológico e preparação para o fim da guerra fiscal em 2030, com a Reforma Tributária.

“O que o Estado está deixando de investir hoje em mobilidade efetiva, nós vamos pagar a conta quando perdermos competitividade comparados com o Paraná, por exemplo, que tem um projeto de Estado de desenvolvimento e infraestrutura”, alertou Merisio.

João Rodrigues reforçou a preocupação com os impactos da Reforma Tributária e o risco de fuga de empresas por falhas logísticas. Ele criticou a ausência de propostas imediatas do governo estadual ao Governo Federal para resolver os gargalos da BR-101 Norte e dos portos.

“Nós vamos perder o direito, até 2030, de oferecer qualquer tipo de [incentivo] fiscal a qualquer empresa. E temos o risco de perder grandes empresas devido à mobilidade”, disse.

“Se continuar como está, os portos são impraticáveis na chegada de carga e descarga, a dificuldade é do escoamento de produção do Oeste para a capital. Eu diria que o futuro não é muito bom para o nosso Estado se não tiver uma gestão pública com projeto”, completou.

Crítica à falta de planejamento

Na conclusão do bloco, Merisio voltou a comparar Santa Catarina com o Paraná e afirmou que o Estado vive de improviso na infraestrutura.

“O que está faltando para Santa Catarina é isso: gestão de governo. Enquanto o Paraná tem um projeto claro de infraestrutura, de desenvolvimento, nós temos um improviso. Nos últimos oito anos, não tivemos nenhuma [rodovia] estadual pavimentada e duplicada. Nenhum quilômetro pavimentado, duplicado. Nós temos manutenção de zeladoria”, criticou.

Para reverter o cenário, Merisio defendeu um planejamento de longo prazo construído com o setor produtivo e diálogo institucional com Brasília. “É isso que nós temos que fazer: projeto de Estado, que tenha começo, meio e fim, e tenha a participação da sociedade, que se ouça os empresários e que tenha uma relação com o Governo Federal republicana, independente do partido do governador”, afirmou.

Segundo o candidato, o isolamento político e a falta de gestão já causam perdas econômicas severas. “Nós já temos, há oito anos, um imenso prejuízo às nossas cidades, ao nosso Estado e, especialmente, à nossa produtividade. O que falta é maturidade política, que infelizmente o atual governo [não] está tendo”, concluiu.

O confronto ocorreu em debate promovido pela NSC TV.

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