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Maternidade do Hospital Regional pode sair em três meses

O Ministério Público do Paraná (MPPR) cobrou nesta quinta-feira (31) soluções concretas para os principais gargalos do Hospital Regional do Litoral (HRL), em Paranaguá. A visita fez parte do projeto “MP em Movimento” e foi liderada pelo procurador-geral de Justiça, Francisco Zanicotti, que esteve na unidade acompanhado de promotores e de representantes da Secretaria Estadual da Saúde (SESA). Também participaram da reunião secretários e secretárias municipais de Saúde dos sete municípios do Litoral paranaense.

MP reconhece problemas crônicos e cobra mobilização coletiva para melhor atendimento no hospital que atende as sete cidades do Litoral. Foto: Divulgação

Principal hospital público da região, o Regional enfrenta problemas crônicos, como a demora na entrega da nova maternidade, filas para exames e cirurgias, e dificuldades no transporte de pacientes de cidades isoladas como Guaraqueçaba. Durante a reunião, as lideranças do MP reforçaram que vão acompanhar de perto o andamento das melhorias e ajudar na articulação entre os entes públicos.

A nova maternidade, que está com obras atrasadas há mais de um ano, foi um dos temas centrais do encontro. Segundo Zanicotti, em entrevista exclusiva ao JB Litoral, a previsão atual é de que a estrutura seja entregue até outubro. “A maternidade está quase pronta. Teve um problema com a empresa, mas a previsão é que no máximo três meses ela entre em funcionamento”, disse. O procurador destacou que há um “momento histórico de convergência de esforços” e defendeu que “a saúde pública exige respostas rápidas, especialmente no atendimento dos mais vulneráveis”.

Representando a Secretaria Estadual da Saúde, o coordenador jurídico da pasta, Henrique Barbosa, também participou da reunião. Ele admitiu a complexidade da situação e destacou a importância da colaboração entre União, Estado e municípios. “A gente precisa de uma atuação coordenada para garantir atendimento eficaz. O sistema tem muitos gargalos, e é preciso enfrentá-los com pactuação e diálogo institucional”, afirmou.

A secretária de Saúde de Paranaguá, Patricia Muzetti Vianna Scacalossi, também em entrevista ao JB Litoral, disse ter aproveitado a presença do MP para levar outras demandas urgentes. “A princípio, a pauta era sobre violência obstétrica e a maternidade, mas conseguimos ampliar a conversa e falar das filas de especialidades, das cirurgias eletivas, do TFD e da realidade das comunidades marítimas. Foi uma oportunidade muito positiva, porque esse contato direto com os procuradores já deveria ter ocorrido há muito tempo”, disse.

Segundo Patricia, a falta de informações sobre o andamento das obras vinha preocupando os gestores locais. “É uma obra necessária que vinha se arrastando, e a gente não sabia como a questão estava sendo providenciada. Agora foi informado que a previsão de entrega é de até três meses. Estamos todos ansiosos e felizes com essa perspectiva”, afirmou.

Durante a reunião, a secretária também levou ao conhecimento do MP uma demanda antiga do município: a criação de uma unidade de saúde fluvial. “A gente faz hoje o atendimento das comunidades marítimas, mas não tem estrutura adequada. Queremos um barco para levar mais insumos, equipamentos e equipes. Essa proposta foi muito bem recebida pelo procurador-geral”, relatou.

Guaraqueçaba no foco

O procurador Francisco Zanicotti também reconheceu os desafios de acesso enfrentados por cidades como Guaraqueçaba. “Tem paciente que só sai de lá de barco ou de helicóptero. O transporte aqui é um gargalo real. A BR-277 às vezes tem acidentes, deslizamentos, e isso impede o deslocamento até o hospital. O helicóptero continua sendo uma opção cara, mas necessária em emergências. São questões que precisam ser enfrentadas com urgência”, afirmou.

Encontro reuniu secretários e secretárias de Saúde do Litoral, além de autoridades do Ministério Público e da Secretaria de Estado da Saúde. Foto: Divulgação

O diretor-geral do hospital, Fábio Ricardo dos Santos, confirmou que a nova maternidade contará com 23 leitos e poderá atender também outras especialidades, o que deve ajudar a reduzir a demanda reprimida. Segundo ele, outro projeto em andamento é o laboratório de especialidades, que ainda está em fase de construção e deve ser entregue em até um ano. “Estamos reestruturando as equipes para otimizar o fluxo e diminuir as filas de espera”, explicou.

Durante o encontro, o promotor de Justiça Daniel Lourenço pontuou que, além das melhorias estruturais, são necessárias iniciativas que reforcem a atenção básica, responsável por resolver a maior parte das demandas de saúde.

Um novo encontro entre os secretários municipais está previsto para as próximas semanas, com o objetivo de elaborar um documento conjunto com propostas imediatas. O plano é apresentar esse material ao secretário estadual da Saúde, Beto Preto (PSD). Segundo Zanicotti, algumas medidas podem ser tomadas já a curto prazo. “Foi combinado com o jurídico da SESA que vamos levar soluções de curtíssimo prazo, especialmente para exames de baixa complexidade que, pela demora, acabam se transformando em casos graves”, disse.

A reportagem procurou a Secretaria de Estado da Saúde (SESA) para confirmar a previsão de entrega da nova maternidade em até três meses, conforme informado pelo procurador-geral de Justiça, Francisco Zanicotti, e questionou se a empresa atualmente responsável pelas obras será mantida ou substituída. A pasta ainda não respondeu.

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