A estudante universitária Isabelle Caracristi, de 22 anos, foi encontrada morta no pátio do condomínio onde morava com o namorado e familiares dele, na noite do último domingo (13), no bairro Aldeota, em Fortaleza. O caso ganhou repercussão nas redes sociais nesta sexta-feira (18), depois que a mãe da vítima, a professora Isorlanda Caracristi, divulgou um vídeo cobrando explicações e justiça.
Em relato publicado nas redes sociais, Isorlanda contou que a filha havia reclamado de dores no pescoço e pediu para passar o fim de semana com ela, dias antes da morte. No sábado (12), Isabelle foi com a mãe ao aniversário de um familiar. No domingo (13), disse que iria a uma missa e procissão na Paróquia Nossa Senhora de Fátima, em Fortaleza, com o namorado e a mãe dele.
Durante o tempo em que Isabelle esteve com a mãe, Isorlanda percebeu que a jovem recebia muitas mensagens do namorado, a quem atribui um comportamento controlador. A professora parou de ter notícias da filha no domingo à noite.
As últimas mensagens
Segundo Isorlanda, foram duas mensagens enviadas por Isabelle no período da noite. Uma pedia que a mãe olhasse uma comida que ela havia deixado na airfryer. A outra dizia: “Mãe, eu te amo”.
Quando Isabelle não respondeu às mensagens posteriores, a professora cogitou que ela tivesse dormido por efeito do relaxante muscular que havia indicado a ela. A mãe continuou sem respostas na manhã da segunda-feira (14). Foi quando tentou contato com o namorado da filha, por ligações e mensagens, e descobriu que havia sido bloqueada.
“Para a minha surpresa, eu estava bloqueada, eu fui tentar pelo Instagram dele, bloqueada. No outro Instagram pessoal, bloqueada. Totalmente bloqueada, bloqueada… Certo, aí eu me desesperei”, relatou Isorlanda.
A descoberta
Ao chegar com o irmão ao prédio onde Isabelle morava com o namorado, a sogra e um irmão dele, Isorlanda relata que foi recebida pelos funcionários, que hesitavam em dizer o que estava acontecendo. Os familiares foram comunicados pela síndica de que Isabelle tinha morrido na noite anterior e que o corpo dela havia sido levado para a sede da Perícia Forense.
“Vocês não querem saber o que é isso não, a dor que eu senti. É como se estivesse rasgando todo o meu corpo. (…) Eu dizia para a síndica: ‘não me diga, isso é sonho, isso é sonho, não é verdade’… Aí eu pergunto, meu Deus, o que aconteceu com a minha filha, até hoje”, desabafou.
Ainda de acordo com Isorlanda, nem o namorado nem a sogra de Isabelle enviaram mensagens ou compareceram ao velório ou ao enterro da jovem.
O relacionamento
Isabelle cursava o segundo semestre do curso de Direito e, no mês de julho, conseguiu um estágio em um escritório de advocacia em Fortaleza. Foi durante esse estágio que conheceu o namorado, que era um dos sócios do escritório. Segundo Isorlanda, a jovem passou a ser estagiária direta dele, e ele teria gostado bastante do desempenho dela.
Mesmo com questionamentos da família, Isorlanda conta que a filha estava bastante apaixonada e se deslumbrava com a ideia de ter uma empresa com ele e uma carreira na advocacia. O namoro começou em julho e logo os dois foram morar juntos. A família estranhou o relacionamento devido às posições hierárquicas: ele, chefe; ela, estagiária.
Versão do escritório
O escritório onde o namorado de Isabelle trabalhava informou, por meio de nota, que João Munhoz exerceu “exclusivamente atividades de natureza administrativa” e que ele deixou de prestar serviço à empresa. Ainda conforme o escritório, Isabelle trabalhou no local por “aproximadamente 20 dias, do final de julho ao início de agosto, quando solicitou seu desligamento por razões de ordem pessoal”.
Investigação
Conforme a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), ainda não há um laudo da Perícia Forense que aponte a causa da morte da jovem. Em nota, a pasta informa que a 2ª Delegacia de Polícia Civil da Capital investiga o caso.