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O empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, abriu uma empresa na Espanha enquanto as investigações sobre a fraude no INSS avançam, envolvendo possíveis ligações dele com o empresário Antônio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, apontado como operador do esquema.
De acordo com apuração da Folha de S. Paulo, a companhia, chamada Synapta, atua nos setores de tecnologia, consultoria técnica, informática, soluções digitais e intermediação comercial para identificação de oportunidades de negócios. O registro da empresa ocorreu em janeiro e foi formalizado em fevereiro no Registro Mercantil de Madri.
Documentos indicam que Lulinha é o único administrador da Synapta, cujo endereço é o mesmo de um escritório de advocacia espanhol especializado em assessoria a empresas estrangeiras. O capital social declarado é de 3 mil euros, cerca de R$ 18 mil, valor mínimo exigido pela legislação local. Funcionários do prédio afirmaram não conhecer a empresa, mas reconheceram que o endereço pode ser usado legalmente como endereço fiscal.
Atualmente vivendo fora do Brasil, Lulinha recebe rendimentos como pessoa física, sem detalhar clientes ou contratos, sob justificativa de privacidade. Dados da Polícia Federal repassados à CPMI do INSS apontam movimentações financeiras de aproximadamente R$ 19,5 milhões em quatro anos, incluindo entradas e saídas nas contas do empresário.
O empresário teve seus sigilos bancário e fiscal quebrados pela CPI, mas o acesso aos dados foi barrado pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo sua defesa, a mudança para a Espanha não tem relação com as investigações e ele retornará ao Brasil caso seja convocado pelas autoridades.
O advogado Marco Aurélio de Carvalho confirmou que Lulinha viajou a Portugal em 2024 acompanhado de Antunes, mas afirmou que o objetivo da viagem foi conhecer uma fábrica de cannabis medicinal, sem qualquer relação comercial. Ele também negou irregularidades envolvendo o empresário.