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Lula volta a criticar a falta de atuação do Conselho de Segurança da ONU

Em discurso na Alemanha, o presidente brasileiro questionou por que o órgão não se reúne para acabar com as guerras

RONNY HARTMANN / AFPLula reiterou que o mundo gasta US$ 2,7 trilhões com guerras

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar neste domingo (19) as guerras pelo mundo e disse que o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) precisa se esforçar pelo fim dos conflitos. O órgão é integrado por Estados Unidos, Rússia, França, Reino Unido e China.

“Não é possível que as pessoas não compreendam que o Conselho de Segurança da ONU foi criado para que mantivesse a paz, a harmonia, para que a gente evitasse a repetição da Segunda Guerra Mundial. E hoje o mundo vive a maior quantidade de conflitos da sua história”, declarou durante discurso na feira industrial Hannover, na Alemanha.

“É de se perguntar ao presidente Trump, ao presidente Putin, ao presidente Xi Jinping, ao presidente Macron e ao primeiro-ministro do Reino Unido: Para que serve o Conselho de Segurança da ONU? Por que vocês não se reúnem e não param com essas guerras?“, continuou.

Lula repetiu que o mundo gasta US$ 2,7 trilhões com guerras e “nada contra a fome” e a favor de políticas migratórias. “Por que não decidem destinar o dinheiro que está fazendo guerra, matando e destruindo, para a gente poder cuidar dos milhões de flagelados que estão andando pelo mundo à procura de um país que os receba e, agora, os coitados que procuram sobreviver não são aceitos por parte de nenhum país?”, questionou.

Lula disse também não ter nada contra os imigrantes, porque a imigração faz parte da história do país.

O petista voltou a defender a redução da jornada de trabalho. Segundo ele, fala-se muito dos efeitos da inteligência artificial, mas “poucos falam dos trabalhadores”. “É importante que a inteligência artificial, ao ser pensada e estudada, leve em conta que o planeta Terra é habitado por seres humanos”, disse.

Paradoxos

Lula afirmou que o mundo vive paradoxos e, sem citar países, disse que “alguns integrantes” permanentes do Conselho de Segurança agem sem amparo da Carta da Organização das Nações Unidas. Em tom antibélico, Lula criticou o uso da tecnologia para a promoção de guerras.

“A inteligência artificial nos torna mais produtivos, mas também é utilizada para selecionar alvos militares sem parâmetros legais ou morais. (…) Além de inestimáveis perdas humanas, as guerras causam prejuízos econômicos palpáveis”, disse.

O presidente afirmou que os conflitos têm encarecido o preço do petróleo, de alimentos e de fertilizantes e voltou a defender um “multilateralismo justo e equilibrado”, com fortalecimento da Organização Mundial do Comércio (OMC). Também lembrou do acordo entre Mercosul e União Europeia, aprovado recentemente.

Lula disse ainda que seu governo está reconstruindo “um robusto programa de reindustrialização” com base na economia verde e que o mundo tem registrado nas últimas décadas um “avanço de forças antidemocráticas”.

“Sabemos que os ganhos da integração de mercados não vêm sendo igualmente distribuídos. O crescimento do extremismo é um dos efeitos das limitações de um modelo cujos benefícios não chegam a todas as pessoas”, falou.

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